<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045</id><updated>2012-01-29T19:14:53.478-08:00</updated><title type='text'>Cafe com Conto</title><subtitle type='html'>Semanalmente o blog Café com Conto publicará                                          um conto e uma receita de café de Renato Kress.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-5351124920434240341</id><published>2010-10-26T13:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-26T20:48:21.777-07:00</updated><title type='text'>O Cappuccino perfeito</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TMc6eSvGj-I/AAAAAAAAAq0/WSSyjdL8ce8/s1600/cappuccino_01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="288" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TMc6eSvGj-I/AAAAAAAAAq0/WSSyjdL8ce8/s320/cappuccino_01.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É porque você já tinha me dito que o cappuccino daquela cafeteria no Leblon era o melhor. Só por isso.&lt;br /&gt;- E era verdade, a mais pura verdade. Era o melhor, sim. Daquele dia, naquela hora. Sentaí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentaram então tio e sobrinho numa mesinha estreita onde não se poderia apoiar cotovelos, num ambiente amadeirado à meia luz. O cardápio era em papel A4 reciclado, folha em pé, dobrado ao meio com um barbante retendo as folhas juntas. A capa era de papel canson, simples, escuro. Havia apenas uma imagem de uma xícara negra fumegante no centro e a palavra "especiais" abaixo. Talvez o cardápio tivesse um cheiro, ou todo o lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael, o sobrinho, olhos saltitantes por sobre os ombros do tio, vidrado na rua, na passagem das pessoas, especialmente mulheres. Suas costas se arqueavam para trás junto com seu queixo a cada par de pernas que chamasse atenção. E eram vários os pares. Seus dedos corriam a lateral da mesa, escorregavam e lhe caíam no colo, onde procuravam uma qualquer coceira que não se justificava. As poucas vezes que pousava o olhar sobre o tio ou sobre o cardápio acompanhavam um movimento labial de pressão ou insatisfação, que logo alçava vôo e pousava sobre a garçonete, duas meninas conversando, ou a porta do banheiro feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando o tio desceu o cardápio e prendeu seu olhar no dele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já escolheu?&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- O que vai querer. É preciso escolher um, e somente um. Pelo menos um de cada vez. Café é muito bom, refrigerante ou suco de laranja também, mas misturar não vai te levar a um lugar muito agradável.&lt;br /&gt;- Tá maluco?&lt;br /&gt;- Me diga você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael se ajeitou na cadeira e olhou para o tio seriamente.&lt;br /&gt;- Cara, foi você quem me trouxe aqui para tomar um café. Então vamos tomar um café.&lt;br /&gt;Das mãos do tio escorregou o cardápio por alguns centímetros na mesa em direção ao rapaz.&lt;br /&gt;- Sim, mas qual? Você não acha importante escolher, definir? Ou tudo pode ser provado ao mesmo tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz colocou a mão sobre o cardápio sem abri-lo. Fez mais uma vez o movimento de inquietude pressionando os lábios e expirou encolhendo os ombros.&lt;br /&gt;- Escolhe você.&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- Você conhece melhor do que eu. Você é que entende disso.&lt;br /&gt;- Eu já escolhi. O lugar. Para que o café seja realmente bom é necessário que ele seja moído na hora. - disse apontando para o moedor de café atrás do balcão - e que os grãos sejam de boa qualidade - abrindo o cardápio e apontando para a primeira frase da primeira página: &amp;nbsp;"Todos os nossos cafés são feitos com grãos 100% arábica". Dentre os bons cafés as diferenças essenciais estão no aroma e no tipo de bebida. O aroma pode ser "suave" ou "intenso", o tipo de bebida pode ser "dura" ou "mole", de resto a torração deve sempre ser média, assim como a moagem, o sabor e o corpo dvem ser respectivamente "intenso" e "encorpado", sempre. Não tem nenhum grande segredo: tomar um bom café depende mais da escolha da cafeteria do que necessariamente da escolha do café em si. Como a maior parte das questões na nossa vida, a escolha do campo de batalha influencia diretamente no desempenho da luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus dedos passaram pelo cardápio com um gosto peculiar, embora o sinal de desaprovação ainda estivesse presente na lateral esquerda de seus lábios.&lt;br /&gt;- Qual aquele simples que vem com espuma?&lt;br /&gt;- Espresso. A "espuma" se chama "crema".&lt;br /&gt;- Ela faz alguma diferença?&lt;br /&gt;- Não sei. Me diga você, porque faz questão da "espuma" no café?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda dedilhando o cardápio, sem tirar os olhos das opções - Não sei, me parece mais cremoso, sei lá.&lt;br /&gt;- Talvez por isso o nome não seja "espuma" e sim "crema" não acha?&lt;br /&gt;- É. Mas isso faz mesmo diferença? Ou é só na cara do café mesmo?&lt;br /&gt;- Se não fizesse diferença provavelmente você não lembraria desse detalhe, não acha?&lt;br /&gt;- Talvez. Mas eu falo no sabor mesmo.&lt;br /&gt;- Faz sim. Ela preserva o aroma e conserva a temperatura. E tem outros detalhes.&lt;br /&gt;Os olhos de Rafael se elevaram do cardápio - Quais?&lt;br /&gt;- A cor deve ser o mais próximo possível da avelã, marrom-escuro e com reflexos avermelhados.&lt;br /&gt;- Por que..... ?&lt;br /&gt;- Porque isso garante que a moagem foi boa, o tempo de extração foi correto e o café foi bem tirado.&lt;br /&gt;- Nossa, é muito detalhe. Não acha isso chato?&lt;br /&gt;- Coloca um expresso perfeito na boca e me diz você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediram. Um expresso e um cappuccino.&lt;br /&gt;O cappuccino foi tomado em apenas três goles consecutivos. Um mais longo e dois mais rápidos. A xícara saiu do pires cheia e só tocou a mesa quando estava vazia. Os olhos do tio estavam fechados e um leve sorriso se esgueirou pela boca do senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael se contorcia na mesa, esperando o espresso "esfriar um pouco mais". Olhando para o tio não se conteve.&lt;br /&gt;- Tudo isso para isso? - Disse para o cardápio e para a xícara vazia à frente do tio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tio pareceu ficar levemente irritado com a pergunta, mas em menos de um segundo se recompôs, pôs a xícara de lado e olhou fundo nos olhos do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O cappuccino perfeito não têm a ver com a presença ou ausência da canela, o quanto se coloque (ou se disfarce) de bicarbonato pra criar uma espuma fictícia quando o grão não foi moído na hora, como os cappuccinos caseiros, das fórmulas prontas. O cappuccino perfeito não tem a ver com a cremosidade do leite ou com a presença ou ausência de chantily (se ele foi feito à mão ou se é um tubinho industrializado para sacudir e limpar o birro depois). Independe se colocamos achocolatado em pó, cacau puro ou chocolate meio amargo. O cappuccino perfeito tem a ver com o momento perfeito. Ele é o clímax de um processo, o clímax de um amadurecimento de fatores que convergem para uma única xícara, num único instante, entre as nossas mãos. O cappuccino perfeito é o momento perfeito, é a transubstanciação do maior aprendizado sobre o "momentum", o que Maquiavel chamava de "occasione", o que chamamos de "oportunidade". Para que o cappuccino seja perfeito não é necessário seguir passo a passo essa ou aquela receita, original ou inovadora. Sabe porque? Porque o cappuccino é como a vida, é orgânico, é perecível, é vital. Se observamos friamente é impossível tomarmos um cappuccino perfeito idêntico duas vezes ao longo da vida, mesmo usando a mesma quantidade dos mesmos ingredientes, como é impossível reviver um momento perfeito a não ser como projeção, na memória. Se tomarmos enquanto ainda está fervendo, vai ferir nossa língua, estragar nosso paladar, nos irritar. Se deixarmos que ele esfrie demais vai perder sua consistência, sua essência, até que o gosto se degrade e passe a ser repugnantemente doce ou insosso. Um cappuccino, como qualquer café, é um momento perfeito, não pode ser "requentado". Ele é o que é enquanto é, e só - como qualquer experiência em nossa vida. O cappuccino perfeito é um ritual. Participar no ritual é comungar das energias manifestadas na primeira vez em que esse processo - seja ele físico, químico, emocional ou espiritual - aconteceu, quando a sua criação aconteceu. Você me disse uma vez que o café era como uma religião para mim, lembra? Quando um fiel de uma religião participa de um rito ele revive, simbolicamente, a experiência sagrada originária daquele momento. Quando se converge toda a atenção para o momento em que se está vivendo, quando todos os teus pensamentos, sentimentos, ações e percepções convergem para um único foco, se ritualiza o que se faz. Quando se ritualiza, não se está nem revendo nem comemorando, mas vivendo como da primeira vez. Tomar o café deve ser um rito sim, como viver deve ser um rito. O rito transforma o momento em Verbo, ou seja: faz acontecer. O verbo é ação e o rito transforma o que é relatado em realidade presente no aqui-agora, em substância material e psíquica que passa a compor a personalidade, como um símbolo toma conta da sua mente num sonho. Isso estrutura quem você é e como você é capaz de viver e compreender a vida. O cappuccino perfeito é como um mergulho nas energias primordiais da criação, numa total indiferenciação da qual você é obrigado a voltar - porque ele acaba - mas da qual você nunca voltará o mesmo. O cappuccino perfeito é um marco, ele define tudo o que veio antes e tudo o que virá depois dele, é como uma descida ao inferno ou um vôo aos céus. Por sua própria natureza finita ele implica um renascer, um confronto com a morte do que veio antes e com o nascimento do que virá a seguir. É um tempo de suspensão em que compreendemos que para nascermos de novo, precisamos morrer para certas realidades. A cafeína provoca alterações no seu sistema nervoso central, age sobre o metabolismo basal, provoca excitação no sistema nervoso autônomo, ela efetivamente te leva para um novo estado de "consciência", de maior "alerta" em relação ao mundo e à sua realidade presente. Eleva tua energia, anuncia uma forma de viver renovada, condizente com o novo padrão de consciência aflorado. Aquele que faz essa viagem nunca retorna, pois o que volta é sempre outro. Mas para conhecer esse outro é necessário compreender a essência do cappuccino perfeito. E ela não está no café, nem no cappuccino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos de Rafael estavam vidrados na xícara, entre suas mãos.&lt;br /&gt;- Quer dizer que se estamos atentos ao momento todos os cappuccinos serão perfeitos?&lt;br /&gt;- Não, quer dizer que se não estivermos atentos ao momento, nenhum cappuccino, ou momento, jamais será.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distância entre os lábios de Rafael não era pouca, sobrancelhas arqueadas enrugando a testa e olhos fixos sobre a xícara de seu espresso. Tocou a lateral da xícara com o indicador e o médio, verificou a temperatura, passou a xícara para o lado, olhou pela primeira vez a garçonete acima dos ombros e disse: Outro espresso, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receita e conto: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-5351124920434240341?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/5351124920434240341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=5351124920434240341' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5351124920434240341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5351124920434240341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/10/o-cappuccino-perfeito.html' title='O Cappuccino perfeito'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TMc6eSvGj-I/AAAAAAAAAq0/WSSyjdL8ce8/s72-c/cappuccino_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-1916725237131978190</id><published>2010-08-11T13:16:00.001-07:00</published><updated>2010-08-11T14:40:25.498-07:00</updated><title type='text'>Descobertas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TGMX_BcYc9I/AAAAAAAAAiw/DcUbCXQMOSU/s1600/lutoinfantil.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TGMX_BcYc9I/AAAAAAAAAiw/DcUbCXQMOSU/s320/lutoinfantil.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5504269541063554002" /&gt;&lt;/a&gt;Pai, pai, entendi. Tava vendo TV e entendi porque a gente reza. É porque às vezes a vida da gente não se explica! Por isso! Fica entre a gente, pai, mas eu acho todo mundo reza pro mesmo Papai-do-Céu. Tava vendo na TV as pessoas rezando no mundo. Não sei se eles entendem, mas é o mesmo Papai-do-Céu. Claro que é! &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senta aqui que eu vou te explicar, pai. Eu posso até rezar todo dia antes de dormir, como a mamãe manda, mas no fundo só vou rezar mesmo quando tiver perdido uma coisa muito muito especial. Ou quando eu achar que tiver. E quando essa coisa especial estiver perdida, aí sim eu vou rezar de verdade. E olha que legal, pai: quando eu rezar vou juntar as mãos. Aquele menino com a cabeça engraçada, o Murad, nosso vizinho, vai rezar se ajoelhando num tapete com o pai dele e um outro cara, lá do outro lado do mundo, vestido de toalha, vai rezar meio que sentado na posição do indiozinho. Na verdade nem importa muito pai, porque quando eu juntar as mãos meu corpo vai estar igualzinho pra lá e pra cá, quando o Murad se ajoelhar, o corpo dele vai estar igualzinho dos dois lados, e o outro cara, do outro lado do mundo, também! É que eu tava vendo só a metade da tela da TV, brincando com o espelho da mamãe e descobri! Olha que legal! Se você passar um espelho em pé pelo meio do corpo de qualquer um rezando, no mundo inteiro, vai encontrar dois lados iguais. O legal é que eu nem notava o espelho e quando ia pro lado, pra ver a tela inteira, dava no mesmo. Era como se não tivesse espelho ali!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu pensei na coisa de nos livrar do mal que a mamãe ensinou a rezar. Nem acho que a gente queira se livrar do mal. Mamãe às vezes faz o mal pra mim e diz que é pro meu bem. Muito estranho isso porque ela diz que é pro meu bem e eu sei que dói e me faz mal. Daí fiquei pensando que as coisas tem seu bem e seu mal e às vezes a gente só vê um lado e se chateia por isso. Mas acho que não estamos rezando por medo do mal. Tem gente que quer o mal dos outros e reza. Já vi a tia na escola fazendo isso. Tem gente que reza pedindo o mal pra si mesmo, como quando a tia Nazinha pediu pra Deus pra ficar doente no seu lugar. Nem acho que rezamos para nos defender do mal. O mal acontece.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que a gente reza porque tem coisa que não tem jeito mesmo. Outro dia mamãe estava fazendo saladinha pra mim e eu perguntei porque Papai-do-Céu levou o senhor pra longe da gente. Mamãe sempre dizia que era porque ele estava com saudades e que vocês estavam conversando lá no céu e cuidando da gente, mas dessa vez ela chorou muito sabe? Achei que tinha se cortado com a faca e fui lá abraçar ela e ela me abraçou de volta e disse que não sabia, que não sabia porque o Papai-do-Céu tinha levado o senhor. Logo depois ela me colocou na cama e ficamos conversando com Papai-do-Céu e com o senhor, lembra? Então, foi daí que fiquei pensando, a gente reza porque tem coisa que não faz o menor sentido! Eu sei que ela não sabe porque o senhor foi embora e sei que ela fica muito triste quando pergunto, mas quando vejo já perguntei. Um dia vou falar pra mamãe que descobri porque a gente reza: é que a gente é que precisa ter força da gente mesmo pra dar um sentido pra essas coisas, né? Bem, eu acho que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai, a mamãe está vindo aí pra irmos embora, semana que vem a gente conversa mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-1916725237131978190?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/1916725237131978190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=1916725237131978190' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/1916725237131978190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/1916725237131978190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/08/descobertas.html' title='Descobertas'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TGMX_BcYc9I/AAAAAAAAAiw/DcUbCXQMOSU/s72-c/lutoinfantil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-4504729746779858420</id><published>2010-07-28T22:35:00.000-07:00</published><updated>2010-07-28T22:43:00.144-07:00</updated><title type='text'>Conversa onírica (microconto estilo twitter)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TFEUnnqgaWI/AAAAAAAAAds/wXT01LvbpAs/s1600/espelho01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 139px; height: 123px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TFEUnnqgaWI/AAAAAAAAAds/wXT01LvbpAs/s320/espelho01.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499199290890807650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;J: Ando me sentindo meio aprisionada, sabe?&lt;div&gt;R: Disfarça, teu carcereiro é a tua cara...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conto e receita: Renato Kress&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-4504729746779858420?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/4504729746779858420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=4504729746779858420' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4504729746779858420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4504729746779858420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/07/conversa-onirica-microconto-estilo.html' title='Conversa onírica (microconto estilo twitter)'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TFEUnnqgaWI/AAAAAAAAAds/wXT01LvbpAs/s72-c/espelho01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-6213738076369518157</id><published>2010-07-14T05:18:00.000-07:00</published><updated>2010-07-14T13:36:39.659-07:00</updated><title type='text'>O bem mais valioso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TD3DTUxLO8I/AAAAAAAAAcE/2awxbiUxm5g/s1600/Ladr%C3%A3o-Classica-Escapada.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TD3DTUxLO8I/AAAAAAAAAcE/2awxbiUxm5g/s320/Ladr%C3%A3o-Classica-Escapada.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493761857221770178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#660000;"&gt;"Tenho que controlar minha respiração. Não falta muito. Depois de atravessar os muros desse palacete pelas paredes laterais, próximas às montanhas irmãs e ao bosque das folhas de ouro falta cada vez menos..." - Era o que pensava Ieresmieth, mais novo candidato à guilda dos ladrões de Angabar. &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seis horas atrás, numa clareira na floresta das folhas de ouro, Ieresmieth se encontrava com seus superiores, a Guilda dos ladrões de Angabar. De olhos vendados, sentado sobre a relva amarela daquela floresta outonal, teve de indicar, fincando um alfinete com uma fita laranja no chão, a chegada de doze outros ladrões. A direção do alfinete deveria ser uma linha reta entre ele e quem chegasse, o momento de fincar o alfinete era quando tivesse certeza de que alguém se aproximava. A certeza de que nenhum dos outros estaria roubando? Ele só deixaria de passar nessa prova se alguém se aproximasse o suficiente para lhe tocar a cabeça. Ao abrir os olhos, depois de fincar o último alfinete na relva, viu Salthimankar, um dos mais talentosos da guilda, suspenso de ponta-cabeça por uma corda atada a um galho de árvore, com os dedos esticados, a menos de cinco centímetros de sua testa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foram-lhe dadas instruções muito precisas sobre o que fazer, embora nenhuma sobre como fazer. Era necessário entrar no palacete cinza próximo à saída para as montanhas irmãs e voltar de lá com a posse do bem mais valioso.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os muros do palacete não eram específicamente altos, tinham pouco mais de dois metros e eram encimados por grades simples, de cobre vagabundo. O silêncio era característico da falta de guardas, mas talvez indicasse algo a mais. Ele tinha até o nascer do sol para cumprir a tarefa e, naquele momento, percebeu que teria de se apressar no futuro, porque agora era hora de se concentrar, esperar. Tirou de dentro de um dos vários bolsos de seu casaco uma serpente vermelha e jogou ao chão, próximo à luz de uma tocha, a meio caminho entre o muro e o palacete. A luz da tocha era essencial, caso quisesse colocar a descoberto o estratagema daquele silêncio todo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não teve de esperar muito. Em menos de dez segundos, o chão ao redor da cobra foi revolvido, formando três pequenos montes que dos quais vieram à luz três grandes karmlags, ou cães-toupeira, uma espécie de cães de guarda muito comuns... a mil milhas de distância a noroeste daquelas terras. "É, não é uma casa comum".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Contornando a casa por cima do muro, descobriu o melhor modo de entrar, a porta da frente. Na verdade não exatamente a porta da frente, mas um pouco acima dela havia um gárgula de marfim que servia como base para uma varanda e um pouco abaixo dela, três degraus de mármore distanciavam a casa daquele chão sensível a quaisquer forma de vibrações. À distância que se encontrava seria impossível saltar diretamente para os degraus, teria de pular ao menos uma vez sobre a terra para depois saltar de novo para a soleira da porta. Tirou uma flecha da aljava, amarrou uma corda com um guizo sobre essa flecha e esperou, observando a copa das árvores mais próximas. Aguçou audição e olhar até identificar um morcego, e mirou um pouco atrás do que via. O zunido seco da flecha encontrou o peito de uma coruja, predador natural do morcego. Aquele tiro cego lhe rendeu um sorriso que disparou seus batimentos e mais uma vez se repreendeu por se obrigar a perder tempo controlando a descida dos seus batimentos enquanto saltava sobre o chão de terra batida e puxava atrás de si a coruja com o guizo. Ao pisar sobre o mármore, depois do segundo salto, recolheu a corda atada à flecha, vazia. Os malditos bichos eram rápidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saltou fincando as mãos na mandíbula do gárgula e em poucos segundos estava do lado de dentro do segundo andar do palacete. Ao dar seus primeiros passos se afastando da varanda e esperando a vista acostumar-se à pouca luz que vinha de fora, simultâneamente sentiu um frio nas costas e ouviu passos muito leves e despreocupados. Passos de mulher. Como suspeitava a tapeçaria que recobria as paredes - sistema de aquecimento para aqueles dias frios e secos - escondia um nicho, com uma estátua. Ieresmieth prendeu a respiração e dividiu o nicho com a estátua de olhar fixo. Poderia imaginar mil companhias piores para aquele momento. Ouviu os passos femininos se afastarem na mesma velocidade com que se aproximaram. Esperou ainda três minutos depois de ter a certeza de que já seria salvo sair e, agachado, meteu os olhos para fora da tapeçaria. Nada além de um corredor sem aposentos. Percorreu o corredor a passos silentes e, com as mãos, sentia o vento que percorria, por trás das tapeçarias, os vários nichos. Até que não sentiu a brisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por trás da tapeçaria encontrou uma porta de ébano, rígida, com uma tranca simples. Simples demais para quem tem karmlags no quintal. Observou, pela fresta da porta, um aposento recheado de luz, com um pequeno altar em madrepérola e um anel de ouro branco com algumas gemas preciosas sob a luz do luar. Olhou de novo a tranca. Simples demais. Olhou de novo o anel e a luz da lua. "Sagrada deusa, obrigado", pensou. Pensou e saiu do corredor. Voltou à varanda percebendo que, embora não ouvisse mais os passos femininos, também não ouviu nenhuma porta se abrir ou fechar. Tentando desanuviar sua mente escalou o exterior do palacete até a clarabóia por onde a luz do luar entrava para iluminar aquele anel. Pequena demais. Mas mesmo que fosse grande o suficiente ele não colocaria seu corpo dentro daquele aposento. Desceu um pequeno gancho preso a um fio de seda, com o qual pescou o anel sem problemas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltando para a varanda, com um sorriso negligente, deixou-se cair agachado - de forma a não fazer som de seu impacto - pensando em como faria para sair. Mas foi surpreendido por outro som, uma inpiração, profunda e rápida! Um susto! Virou-se o mais rápido que pôde para ser pego de surpresa pela coisa mais bela que já havia visto: a dona dos passos femininos. Sua mão direita imediatamente cresceu sobre aquela boca delicada, enquanto a esquerda passava por sua cintura. Seus olhos negros se envolveram com os olhos verde-esmeralda daquela menina e ele percebeu, na respiração dela, que ela não iria gritar. A mão que desceu da boca e a boca que encontrou a boca foram inevitáveis. Antes que pudesse se perder ele saltou para trás e, em menos de dez segundos, já atravessava os muros do palacete.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Correndo para a clareira na floresta, chegou junto com o nascer do sol apenas para ouvir, por trás de um árvore a voz de Salthimankar, áspera: "Você falhou, Ieri". Ieresmieth prontamente apalpou os bolsos e não encontrava o anel. Baixou a cabeça, envergonhado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Ieri, é uma pena criança, mas não podemos aceitá-lo como irmão e também não podemos confiar em você como um civil. Você sabe o que precisa ser feito, adeus." Ele teria que deixar a cidade e não voltar nos próximos dez anos. Ficou impassível esfregando com as pontas dos dedos o tecido do bolso onde deveria estar o anel. Chegou a virar de costas, talvez para não encarar Salthimankar, talvez para ir embora e foi quando cortou o silêncio daquela manhã com uma gargalhada estridente. Ele não viu, mas os olhos de Salthimankar se arregalaram por trás de seu ombro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Eu passei no teste, irmão", disse Ieresmieth sem voltar-se para trás. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Então onde está o anel... 'irmão'?", o tom áspero de Salthimankar beirava o ódio. "Ieri" sabia que não poderia chamá-lo assim caso não passasse no teste, porque assinava sua sentença de morte de forma tão estúpida? Teria enlouquecido?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Anel? Foi exatamente um 'anel' que você me pediu?", disse Ieresmieth voltando-se para encarar Salthimankar. Riu-se de lado, num riso incontido e disse "Desculpe-me, é claro que foi... um anel... uma aliança, certo? Uma aliança entre mim e os ladrões, irmão. Uma aliança que seria fincada sobre o roubo do que houvesse de mais valioso dentro do palacete, foi o que me pediram. Bem, só há uma forma do anel não estar comigo. Alguém, com a mão mais leve que a minha, tirou-o de mim. Até aí falhei, você tem razão, irmão. Mas também só havia um motivo para que eu conseguisse atravessar os muros do palacete a salvo dos malditos karmlags. Eu venci, irmão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Salthimankar já pulava sobre ele em fúria com facas nas duas mãos. Não aguentava mais ouvir aquele fedelho lhe chamando de 'irmão' sem nada nas mãos. Foi quando Ieresmieth esquivou-se e disse: "A coisa mais valiosa, Salthi! Eu roubei o coração da princesa dos ladrões... irmão!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conto e receita: Renato Kress&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-6213738076369518157?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/6213738076369518157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=6213738076369518157' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/6213738076369518157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/6213738076369518157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/07/o-bem-mais-valioso.html' title='O bem mais valioso'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TD3DTUxLO8I/AAAAAAAAAcE/2awxbiUxm5g/s72-c/Ladr%C3%A3o-Classica-Escapada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-4301972489276211784</id><published>2010-06-29T12:35:00.000-07:00</published><updated>2010-06-30T19:57:03.991-07:00</updated><title type='text'>Quedas são inevitáveis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TCpNY76cVVI/AAAAAAAAAak/piQQkK3Ju-w/s1600/queda.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 237px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TCpNY76cVVI/AAAAAAAAAak/piQQkK3Ju-w/s320/queda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5488284186699388242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);" lang="PT-BR"&gt;Minha pequena Vitória,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);"&gt;hoje você está num colo quente e macio e se alimenta e se afaga e gosta de estar apertadinha e se sentir limpinha. Amanhã você estará engatinhando, conhecendo texturas, o frio e o quente, o áspero, o rugoso e o macio, vai perceber que não é o mundo que se move ao seu redor, mas que você pode mover o mundo também, e ir sozinha. Depois você firmará seus pezinhos no chão e entre sorrisos e chamados, talvez segurando um dedo do papai ou da mamãe, você vai enfim andar. Então terá seus braços livres para poder pegar, tocar tudo ao seu redor, vai mexer em muita coisa que não deveria, vai conhecer outra dimensão, a altura.&lt;/span&gt; Um dia você verá que o andar talvez já não seja adequado à velocidade dos teus desejos, à ferocidade com que teu coração ou estômago desejem o carinho dos seus pais ou uma barrinha de chocolate, nesse dia você vai correr. Correr vai fazer seu coração disparar, sua boca secar, seu rosto sentir melhor o vento... e talvez você caia. Provavelmente de quatro. Não se preocupe, quedas são inevitáveis.Acredite, você vai levantar, e ter o carinho ou o chocolate. Um dia, brincando com seus amiguinhos - e você vai ter vários amiguinhos - você vai jogar bola, queimado, ou vai querer alcançar algo bem alto e você vai pular. Seu primeiro pulo provavelmente vai ser desengonçado e é bem provável que você novamente caia. Não se preocupe, quedas são inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Um dia você estará andando, correndo e pulando muito bem e, nesse dia, você vai conhecer vários amiguinhos num local novo, longe do papai e da mamãe. Nesse dia você vai estranhar, vai se sentir acuada, é bem provável que você chore e sinta que está engatinhando, de novo. Mas esse dia vai vir acompanhado de outros dias e as vozes estranhas e os cheiros novos se tornarão familiares e cotidianos e você, aos poucos, vai se sentir andando de novo. Quando menos suspeitar vai perceber pela segunda vez a sensação de que o mundo não gira sozinho ao seu redor, mas que você pode controlar a passagem dele, e aí é que você vai poder correr e brincar e se sentir parte daquele novo e gigantesco universo. Um dia, algum tempo depois disso – que para você será uma maravilhosa aventura que nunca mais esquecerá enquanto viver – você vai sair daquele universo e pular no colo do seu pai. Sem suspeitar que aquele pulo era um salto quântico...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Eis novamente a Vitória num novo universo, cercada por outras pessoas e outras vozes e essas pessoas são novas e as vozes diferentes e é bem provável que ela se sinta insegura, como se voltasse a engatinhar, mas os dias trarão palavras, alguém vai ser eleita “a melhor amiga”, porque foi a primeira que se interessou por conhecer a Vitória e deu a já conhecida mão, para que a Vitória andasse. E andando ela correu e correndo, ela pulou...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Um dia a Vitória vai se apaixonar. Vai se sentir desorientada, perdida, como se voltasse a engatinhar. Mas a sensação, a sensação já vai ser conhecida e ela, esperta que é, vai saber o que fazer para andar, correr e, no momento certo, pular. Ela vai sofrer, achar que o mundo inteiro está se esmagando contra o peito dela, vai mergulhar no travesseiro ou no ombro de uma irmã, mas não importa o quanto esse tempo dure, ele vai passar. Afinal, até esse ponto, ela já vai lembrar: que quedas são inevitáveis. E isso vai se repetir no primeiro namorinho dela, primeiro emprego, primeiro amor, primeiro grupo de amigos, primeiro projeto pessoal...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Um dia a vitória vai perceber que essas quedas e saltos são mais sobre aprender e menos sobre deixar de errar, que o macete pra não se irritar com pessoas irritantes é imaginar que elas já foram crianças – e muitas não deixaram de ser birrentas e mimadas -, que o mundo vai tentar convencer ela de que necessita de milhões de bugigangas para ser amada ou respeitada, para “fazer parte” ou “estar integrada”, mas que muito antes de qualquer parafernalha ela já sabia, sempre soube, que já é. Pelo menos pelas pessoas que importam. Ela vai entender que essas pessoas que importam não precisam ser muitas, mas que elas precisam ser verdadeiras e que a Vitória precisa ser verdadeira com elas também. Vai entender o quão importante e gostosa é a idéia de cultivar. Cultivar seu tempo, seus pensamentos, seus sentimentos, seus pequenos prazeres e seus profundos e importantes valores. Vai aprender que a vida se dá por uma série de pequenas trocas, de olhares, de carícias, objetos, sentimentos, pensamentos. Que mesmo que tentem – e vão tentar – vender a ela a idéia de que a relação entre o corpo e a mente dela é uma dicotomia, que um só pode funcionar se estiver reinando soberano sobre o outro, nunca vão conseguir apagar o sentimento, aquela certeza profunda que ela tinha desde que engatinhou pela primeira vez, de que só uma harmonia entre eles pode reinar soberana, já que seus sentimentos vão influenciar seus pensamentos, o funcionamento do seu corpo e mesmo sua relação com a divindade e que nenhuma dessas esferas existe em separado e nenhuma delas é saudável em separado. Vão tentar convencer a ela de muitas coisas, certas e erradas, muitas ela terá de vivenciar para aprender, outras não. Mas o mais importante é que ela consiga distinguir as miríades de idéias, grupos, partidos e modismos que servem para separar a humanidade, das poucas e belas coisas que nos fazem solidários. E que ela saiba que a escolha, entre uma e outra, será sempre dela, assim como o mérito e a responsabilidade pela escolha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Assim, um dia, quando ela já estiver bem vovozinha, com filhos que trarão netos e talvez bisnetos, ela possa ter vivido seus engatinhares, andares, correres e saltares, seus amores, seus estudos, profissões e toda uma corrente gigantesca de méritos maravilhosos. Nessa época, um dia, ela vai fechar os olhos e sentir que está caindo para trás... mas tudo bem, quedas são inevitáveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Receita e Conto:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Renato Kress&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-4301972489276211784?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/4301972489276211784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=4301972489276211784' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4301972489276211784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4301972489276211784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/06/quedas-sao-inevitaveis.html' title='Quedas são inevitáveis'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TCpNY76cVVI/AAAAAAAAAak/piQQkK3Ju-w/s72-c/queda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-2583646344315410899</id><published>2010-06-02T10:26:00.001-07:00</published><updated>2010-06-02T19:10:37.956-07:00</updated><title type='text'>Catálogo das profissões afetivas do homem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TAcO8IMgB4I/AAAAAAAAAY4/O6fH_A0qods/s1600/catalogo+de+homens.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 266px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TAcO8IMgB4I/AAAAAAAAAY4/O6fH_A0qods/s320/catalogo+de+homens.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5478363897874352002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 0);"&gt;Homem engenharia genética:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 0);"&gt;Também conhecido como maníaco por procriação. Só quer namorar pensando nos filhos. Existem vários tipos desse: O engenheiro fenotípico, que só se preocupa se a mulher tem olhos claros ou coxa grossa, se ela é alta ou se tem perfil de atleta;  (O alquimista, que só se preocupa em alcançar o "equilíbrio químico"  perfeito: procura na mulher o que acha que falta nele, na esperança de  ter uma criança-construto; A evolução (estilo pokemon) do homem engenharia genética é  o alpinista genético, que cria uma meta na cabeça"minha filha vai ser a Liv tyler com as coxas da Sheila Carvalho", por exemplo) e vai escalando eternamente. Esta profissão afetiva em geral conta com indivíduos que trocam de parceira constantemente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vantagem: Se você cumpre o checklist dele, quaisquer outros problemas que apresentar (desde ronco, amantes até convulsões na cama) serão considerados como "probleminhas".&lt;br /&gt;Desvantagem: É bom estar em dia ou ele vai te largar pela primeira pessoa parecida contigo que tenha as mãos menores ou que tenha uma voz mais bonitinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem futebol:&lt;br /&gt;É um dos mais comuns. Também conhecido como hommo mediocris brasiliensis. O homem futebol geralmente é amigo do homem dono de bar, embora os homens donos de bar em geral não se dêem entre si, os homens futebol têm a tendência a se agrupar. Mulheres que gostem de liberdade, direitos feministas e femininos em geral adoram o homem futebol, afinal, têm suas quartas, sábados e domingo liberados para fazerem o que quiserem, sozinhas. O homem futebol costuma ter predileções patológicas por determinados esquemas de cores, chegando mesmo a discutir com a parceira caso ela esteja com uma combinação de tons que não o agrade. Essa questão costuma piorar nas quartas, sábados e domingos. Você não precisa ser muito corpulenta, mas atente para o fato de que o homem futebol gosta de formas... arredondadas. O homem futebol sempre está atento aos inícios e términos dos ciclos que - segundo ele - compoem o cerne de toda vida humana na terra: Campeonato estadual, municipal, juniores, seniores, copa do mundo e, se for adepto de alguma religião que creia em vida pós-morte é bem provável que torça para algum time na copa do extra-mundo também.&lt;br /&gt;Vantagem: Se o time dele for campeão, prepare-se! Sua noite será inesquecível. Outra: quando você estiver cansada dele, dê uma bolinha para ele brincar.&lt;br /&gt;Desvantagem: Em geral a virilidade do homem futebol está ligada ao resultado do placar, então quando o time dele perder provavelmente o seu também perderá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem cultura:&lt;br /&gt;O homem cultura é um cara sedutor. Ele chega de mansinho, contando sobre povos ianomami, mitologia grega, psicologia e quando você vê está ligando à meia noite para o sujeito para dizer que teve uma discussão com o namorado. Depois de uma hora ouvindo sobre o mito de Eros e Psiquê é que começa a se dar conta de que a tal discussão nem era grave, mas aí você já esta acostumada à voz dele e... bem, ele é homem, certo? Então. O homem cultura poderia ser o homem perfeito se não fosse a intolerância natural da espécie para com outros homens cultura em especial e para com toda a humanidade de brinde. É que o homem cultura se acha o ó do borogodó intelectual e, obviamente, ninguém está apto a compreender as agruras do mundo a não ser ele. E mais ninguém! Mesmo que alguém concorde com o homem cultura, ele, irritadamente, vai desenvolver algum ponto específico em que discorde de quem venha a concordar com ele. Mesmo que tenha de desdizer o que disse antes! (O que é bem comum, nesse tipo de homem) O homem cultura no fundo cultiva mesmo o ego e com o ego é único e indissolúvel, ele precisa ser um eterno incompreendido/iluminado a espera dos seus biógrafos e de alguma carta de sociedade secreta, a qual ele não aceitará, mas guardará com todo carinho do mundo.&lt;br /&gt;Vantagem: Se você gosta de citações e historinhas, esse é o cara! Aliás, se gosta de servir também; eles tendem a ter escravas no lugar de esposas. Você pode ter um caso com ele e aprender muitas coisas por muito tempo, mas quando for pensar por si mesma lembre-se de que irá perdê-lo.&lt;br /&gt;Desvantagem: Se você pensa, tenha um caso tórrido com ele, mas nunca se filie. O partido dele não aceita. Não duvide de que qualquer disputa acadêmica de egos vai excitar ele mais do que a sua lingerie mais ousada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem dono de bar:&lt;br /&gt;É menos comum do que o homem futebol, mas segue  quase as mesmas características. O homem dono de bar em geral é baixinho  e gorducho. Embora tenhamos algumas variações, o mais característico é a  presença de uma vassoura labial. Em geral o homem dono de bar é  amigável e sociável e tem picos de serotonina nas quartas, sábados e  domingos. Atualmente os homens donos de bares têm sido criticado pelos  homens físico por transformarem muitas mulheres em "desgraças" e  "bebassas", enquanto prometem aos outros homens em geral mocinhas  devassas.&lt;br /&gt;Vantagem: Se você é pinguça, divirta-se! Seu filho  provavelmente será o queridinho dos amigos e das amigas.&lt;br /&gt;Desvantagem:  Bem provável que ele coloque você pra trabalhar atrás do balcão. E o  pior! Sua filha de garçonete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem trabalho:&lt;br /&gt;O homem trabalho se considera um motor. Acredita que seja o responsável pelo desenvolvimento da sua atividade produtiva, da sua relação afetiva, do país e até do mundo. Geralmente preocupado, atarefado e cobrado não gosta muito de ver seus amigos, filhos (quando tem tempo de os ter) ou conhecidos parados ou descansando. Acreditando de descanso é igual a culpa acha que se você não está na zona de ação, está na linha de corte. Geralmente tem seu primeiro ataque cardíaco aos 28 anos. O homem trabalho tem o vício de ser produtivo e tende a estar mais presente (e familiarizado) no ambiente de trabalho que em casa, por isso é bem comum que, na interação com as pessoas mais próximas (por exemplo secretárias) acabe "produzindo" com elas. Finais de semana deixam o homem trabalho tenso, inseguro e irritadiço, mas isso costuma passar enquanto ele faz a agenda da sua semana seguinte no seu blackberry de 300 teclas. O maior desgosto de um homem trabalho é ter um filho homem praia.&lt;br /&gt;Vantagem: Você é Carry Bradshaw? Esse é "o" cara! Compras eternas!&lt;br /&gt;Desvantagem: Se você não é a secretária dele, instale câmeras no escritório ou um gps subcutâneo. Alto índice de produtividade em horas-extras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem praia&lt;br /&gt;O homem praia acorda cedo! É praticamente um habitante do deserto. Seu pé está mais acostumado à areia que ao chão firme, o que faz do seu senso de equilíbrio um dos melhores. Geralmente nunca fazem clareamento dental, o contraste entre sua pele e seus dentes faz com que isso pareça ridículo, mesmo que ele possa ser viciado em mate, que amarela tudo. O homem praia tem toda uma variedade de posições para brincar de estátua: mão na cintura, braços cruzados, mãos nas coxas... Adepto da vida saudável, em geral o homem praia curte nadar, surfar, futevôlei e vôlei. A idade costuma vir com duas raquetes e uma bolinha nas costas. Pode nem morar perto de nenhuma praia, mas acorda às seis da manhã para estar com o sol de sete às sete no verão. Ele é basicamente movido a bateria solar! A falta de bateria não causa cansaço ou moleza, mas irritabilidade. O homem praia gosta de olhar, gosta demais de olhar e ser olhado. Então se você está interessada em um exemplar do gênero, é bom estar em dia com a academia e a marquinha do biquini, caso contrário ele olhará para você com o mais completo olhar de paisagem.&lt;br /&gt;Vantagem: Você pode saber o humor do homem praia olhando para o céu pela manhã. Simples, rápido e infalível.&lt;br /&gt;Desvantagem: Se você gosta de frio ou não é adepta de academia, esqueça! É bom gostar de protetor solar, porque você vai beijar um e cheirar a um depois de um tempo de convivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem night&lt;br /&gt;O homem night é divertido. Em geral está tentando te embebedar ou te convencer de que o amigo bonitão dele é gente boa, mas muito galinha, enquanto a mão dele desce pelas suas costas. O homem night é muito estudado! Em geral faz alguma faculdade, por oito a dez anos! Isso quando não troca de curso três vezes no caminho e acaba fazendo direito ou administração. Costuma ser bem humorado e projetar sua virilidade no teor etílico que estiver circulando por seu organismo. Sempre cercado de amigos, o homem night parece ainda viver resquícios da adolescência, onde só conseguia andar em bandos. Adepto da moda, é capaz de virar a noite num bate-estaca, faturar alguma menininha no processo, fingir que vai trabalhar só para expulsar a menina do apartamento do pai e ir tomar o café da manhã num shopping, esperando pra comprar a camisa da osklen que o fulano estava usando na noite anterior! O homem night tem a tendência de "chegar chegando", e muitas pessoas duvidam que eles possuam apenas um par de mãos, já que ele consegue chegar abraçando duas meninas pela cintura, bebendo vodka, redbull e segurando um celular ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Vantagem: Não dá pra confiar direito, mas ele costuma ter amiguinhos bonitinhos, pelo menos. Ah, e você vai dançar até quebrar os joelhos!&lt;br /&gt;Desvantagem: Acham que a vida vai acabar amanhã, então a não ser que você queira levá-lo a uma rave em Amsterdã, não faça planos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem nerd&lt;br /&gt;O homem nerd não é como o homem cultura. Para começar, ao contrário do homem cultura, o homem nerd consegue suportar a opinião alheia, pelo menos a ponto de criar grupos para jogar RPG (não, não estamos falando de reeducação postural global nem de redução percentual de gorduras, estamos falando de role playing game, um joguinho de representação que é como teatro para os desprovidos de talento interpretativo com imaginação hiper-hiperativa) nos domingos de manhã. O homem nerd em geral possui um emprego público, que lhe dá tempo e estabilidade para criar cidades imaginárias e lendas lendárias onde toda a sua criatividade e cultura inútil será despejada como estouros de represas ou como discussões em blogs de super-heróis, aliás criados e frequentados somente por esse tipo de homem. O homem nerd, quando consegue tomar banho e se barbear, pode ser considerado um "fofo" com as mulheres, porque tem a tendência de ser meticuloso e cuidadoso com tudo o que não conhece bem. Ele vai lembrar das suas frases, palavra por palavra, mesmo que às vezes insista que você estava vestida de fada ou com uma capa de vampiro. Em qualquer conversa evite frases como "aqui e agora", provavelmente ele vai achar que nem é com ele, já que vive em outra dimensão e tempo. Se você lia Marvel ou DC quando era criança, vai ser amor às primeiras sílabas. Se você consegue entender do que se trata siglas como DEVIR, AD&amp;amp;D, D&amp;amp;D, GURPS e cia, esse é o seu cara!&lt;br /&gt;Vantagem: Se você conseguir convencer o sujeito de que é uma princesa, será tratada como uma!&lt;br /&gt;Desvantagem: Não conte com ele para pagar contas em dia, fazer esportes ou comer bem. Aliás acostume-se com a idéia de que o computador é a esposa e você, na melhor das hipóteses a mãe incestuosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-2583646344315410899?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/2583646344315410899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=2583646344315410899' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/2583646344315410899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/2583646344315410899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/06/catalogo-das-profissoes-afetivas-do.html' title='Catálogo das profissões afetivas do homem'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/TAcO8IMgB4I/AAAAAAAAAY4/O6fH_A0qods/s72-c/catalogo+de+homens.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-3449940934931619838</id><published>2010-05-17T07:20:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T14:33:40.079-07:00</updated><title type='text'>Solo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S_FddVqWteI/AAAAAAAAAYo/q0AOOqplk0M/s1600/passos.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S_FddVqWteI/AAAAAAAAAYo/q0AOOqplk0M/s320/passos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5472257780844246498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;"Parece que, para compreender bem o silêncio, nossa alma precisa ver alguma coisa que se cale; para estar segura do repouso, ela precisa sentir perto de si um grande ser natural a dormir" - Gaston Bachelard&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Ele era torpe. Não moralmente torpe, mas suas atitudes se orientavam no tempo como se visse o mundo por um vidro embaçado, entorpecido. Era uma situação fantasmagórica de uma palpitação interna arredia que desaparecia quando ouvia passos no corredor do prédio, ou o telefone tocando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tentava pensar em outras coisas, se ocupar, ler um livro, ir ao cinema, mas fosse o que fosse, o silêncio sempre ameaçava engolir seu peito como uma onda de nulidade que ameaçava mergulhar ele e seus pensamentos numa massa informe na multidão. O silêncio não era total nem auditivo. Talvez eu ou você ali ouvíssemos muitos sons. O silêncio era pessoal, era com ele, era nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tentava trabalhar alguma espécie de bafo sobre seu ombro lhe gargalhava na cara a inutilidade, a frustração cotidiana da sua falta de tato para com as próprias idéias e aspirações. Era risível, cedo ou tarde ele teria de parar, cansado, e o trabalho teria avançado e retrocedido a ponto de estar sempre no mesmo ponto, mesmo que muito ou pouco fosse feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cinema, após uma hora de filme, já se sentia esmagado na cadeira pela vergonha de levantar, sozinho, entre aquela pequena sociedade de casais e grupos de amigos, famílias. A dor não negligenciava sua memória por mais de uma hora, fosse como fosse. A rua para ele era como uma sucessão de fios multicoloridos que traçavam retas, estabeleciam laços e cruzavam nós, entre as pessoas que se conheciam, se sorriam, cumprimentavam. Sentia, da mesma maneira, que sobre seu corpo estava enrolado também o seu laço, que, por desuso, acinzentava, mas não perdia a força contritora, esmagando seus braços, limitando seus movimentos, amordaçando seus sorrisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, sentado no sofá, desligou a televisão. Quase nunca desligava a televisão. Sabia que atrás dela estava agachado o fantasma-tigre que daria o bote final sobre ele, naquele momento. Abriu bem os olhos, como se esperasse o ataque. Então fechou os olhos e simplesmente não resistiu, aceitou, respirou fundo e esperou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para seu espanto a solidão não o invadiu, pareceu até diminuir. Passou a imaginar situações do passado em que esteve profundamente só – viagens, momentos no seu quarto na infância, recreios no colégio, términos de relacionamentos, lutos – aquelas lembranças sempre foram a chave para seu quartinho asfixiante de pânico e tensão. Estranhamente a solidão tinha perdido seu poder. Não conseguia mais sentir o pânico, mesmo que tentasse. Quando mais convidava o sentimento a aparecer, mais impossível parecia, a si mesmo, sequer imaginar que havia sentido um dia aquela dor insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele havia descoberto, ou estava ensinando a si mesmo, que sentia a solidão aguda apenas quando fugia. Quando voltou para encará-lo de frente, o demônio fugiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-3449940934931619838?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/3449940934931619838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=3449940934931619838' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3449940934931619838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3449940934931619838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/05/solo.html' title='Solo'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S_FddVqWteI/AAAAAAAAAYo/q0AOOqplk0M/s72-c/passos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-1640211580693627299</id><published>2010-05-13T21:13:00.000-07:00</published><updated>2011-03-22T13:33:53.847-07:00</updated><title type='text'>Mãe</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-Z6Abs5fid-g/TYkHlswMpoI/AAAAAAAAAyU/sWUlNjpUU_U/s1600/gaia01.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="https://lh4.googleusercontent.com/-Z6Abs5fid-g/TYkHlswMpoI/AAAAAAAAAyU/sWUlNjpUU_U/s400/gaia01.jpg" width="316" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:1; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-format:other; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-520092929 1073786111 9 0 415 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin-top:0in; 	margin-right:0in; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0in; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-fareast-theme-font:minor-latin; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-fareast-theme-font:minor-latin; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} .MsoPapDefault 	{mso-style-type:export-only; 	margin-bottom:10.0pt; 	line-height:115%;} @page Section1 	{size:8.5in 11.0in; 	margin:1.0in 1.0in 1.0in 1.0in; 	mso-header-margin:.5in; 	mso-footer-margin:.5in; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; &lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: #009900;"&gt;O leite do meu seio é magma, o leito, do meu sono, é água. Participo de um equilíbrio delicado, tenho nomes e meus nomes tem camadas, como a forma pela qual me entendem meus filhos. Se me arrebatam a roupa de cama, remexo, sinto frio, suo, tremo. Se me perfuram a carne em demasia escorre do meu ventre o que escorre dos seus, minha seiva, meu sangue, minha vida.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Gaia, mesmo nos códigos que vocês inventam, esquecem depois seus significados. Vivem rodeados dela. Seja onde pisam, onde moram, o que respiram, comem, digerem, desejam, onde morrem e o que se tornam sempre: matéria. Lembro de quando descobriram a palavra matéria, vinha de Mater, Matris, “Mãe”. Porque certas palavras não se criam, certas palavras se sentem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Erda, sou a anciã que sustenta teus saltos mais mirabolantes, tuas acrobacias e invencionices.  Sou a senhora complacente e submissa, que recebe os castigos malcriados dos filhos imaturos. Sou a firmeza calma e duradoura. Além de ser suas bases, sei de algo que não sabem aceitar: eu fico, vocês passam. Antes de vocês houve outros e depois os haverá, tão cedo que nunca se lembrarão, tão tarde que nunca conhecerão. Ainda assim, os amo e nutro, como únicos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Geb, sou universal, primordial, essencial. Sou fecundada pela água que sai de mim mesma. Minha língua é um sistema que se equilibra sozinho e eu tenho algumas eternidades para me equilibrar. Mesmo que eu tivesse pressa, vocês nunca notariam. Suas idéias, pensamentos, seus mais puros ou devassos sonhos são piscares dos olhos de seus próprios deuses, cada um dos quais precisou de um solo para erguer suas sinagogas e catedrais... e eu os doei com tanta alegria! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Porque tenho um carinho especial pelas formas como resvalam em mim sem me perceber. Ninguém pode vir ao mundo sem passar por mim, ninguém pode ver a luz se não por mim. E vocês me procuram em tantos lugares incríveis, e vocês me projetam a alturas indizíveis. De alguma forma não cabe a vocês – ainda – perceber que eu possa estar abaixo da planta de seus pés e ainda assim palpitar dentro do seu peito saída diretamente de uma alga. Porque eu sou mais singela do que vocês imaginam e vos acaricio por inteiro, não importa o que vocês façam, não importa onde vocês vão, eu estarei lá, eu serei lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:1; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-format:other; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-520092929 1073786111 9 0 415 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin-top:0in; 	margin-right:0in; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0in; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-fareast-theme-font:minor-latin; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-fareast-theme-font:minor-latin; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} .MsoPapDefault 	{mso-style-type:export-only; 	margin-bottom:10.0pt; 	line-height:115%;} @page Section1 	{size:8.5in 11.0in; 	margin:1.0in 1.0in 1.0in 1.0in; 	mso-header-margin:.5in; 	mso-footer-margin:.5in; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CRENATO%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 415 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-520092929 1073786111 9 0 415 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin-top:0in; 	margin-right:0in; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0in; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-fareast-theme-font:minor-latin; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-fareast-theme-font:minor-latin; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} .MsoPapDefault 	{mso-style-type:export-only; 	margin-bottom:10.0pt; 	line-height:115%;} @page Section1 	{size:8.5in 11.0in; 	margin:1.0in 1.0in 1.0in 1.0in; 	mso-header-margin:.5in; 	mso-footer-margin:.5in; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Procuram meu centro em tantos espaços, terras santas, bem aventuradas, centros do mundo. No meu centro mesmo não podem viver, e já bem o conhecem, mas podem fazer de qualquer espaço meu um centro. Não sou mais eu aqui do que lá, mas sinceramente? Gostaria que fizessem de si mesmos centros sagrados. Porque eu vou ficar aqui, mas me dói ver vocês partindo tão cedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-1640211580693627299?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/1640211580693627299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=1640211580693627299' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/1640211580693627299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/1640211580693627299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/05/mae.html' title='Mãe'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-Z6Abs5fid-g/TYkHlswMpoI/AAAAAAAAAyU/sWUlNjpUU_U/s72-c/gaia01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8146623802460198609</id><published>2010-04-28T12:59:00.000-07:00</published><updated>2010-04-29T14:53:07.522-07:00</updated><title type='text'>Cacos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S9irH9MgRbI/AAAAAAAAAXI/e8Am492QbgY/s1600/louco.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S9irH9MgRbI/AAAAAAAAAXI/e8Am492QbgY/s320/louco.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465306300988540338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#6600CC;"&gt;Não, ele estava ali, sabe? Na beira do precipício. Espera, deixa eu contar do início. Era um escritório assim como o seu, mas havia um armário diferente na parede, um armário que eu nunca havia notado.&lt;/span&gt; Simplesmente ele estava lá, na verdade tenho a impressão meio nítida de que era só uma maçaneta suspensa no ar, como se desenhada na parede, aí eu simplesmente coloquei a mão nela. Alguma coisa me puxou, minha mão, sabe? Então, a maçaneta estava fria, como se ninguém tocasse nela há muito tempo e começou a esquentar muito rápido quando eu toquei nela. Como eu te disse, estava num escritório - engraçado como ele parecia com o seu - e sabia que ele era meu. Não sei ao certo porque, mas sentia que aquele espaço pertencia a mim, como se fosse uma extensão de mim mesmo por aquelas paredes azuis. Quando coloquei a mão na maçaneta ela esquentou, lembra? É. Eu tirei a mão. Mas percebi que enquanto ela esquentava formava uma espécie de contorno, uma silhueta de porta na parede. Aquilo tudo era muito perceptivo, bem claro, óbvio, embora eu soubesse que não estava vendo todo o contorno simultaneamente, porque estava perto demais da porta pra ver, mas sabia que ele se formava inteiro, assim que eu colocava a mão na maçaneta. Testei ela de novo e estava fria, esquentava de novo. Abri de uma só vez e entrei num cômodo amadeirado enorme, recheado de livros e gavetas e armários. Como se houvesse uma outra biblioteca dentro daquele escritório, e haviam alguns andares para cima e uma escadinha, à esquerda, que dava pra baixo. Era enorme! Posso relembrar minha alegria quando percebi que havia ali mais livros do que eu jamais havia sonhado em ler e aquilo tudo atiçava minha curiosidade, mas algo me dizia que eu voltaria ali e não era necessário começar a olhar tudo - todo aquele inacreditável presente - de uma hora para outra, porque eu tinha pego a chave da porta, assim que a fechei atrás de mim. Me aproximei de uma mesa, uma grande mesa de centro, e era engraçado porque ela exalava o perfume que sinto quando escrevo, sabe? Talvez o perfume da minha mente, criatividade. Procurei não pensar naquilo enquanto via uma carta endereçada a mim sobre os papéis avulsos ali. Estava endereçada a mim, mas não tinha remetente identificado, só um símbolo de um sol eclipsado por uma lua na parte da frente, mas o tal eclipse só era visto contra a luz, num determinado ângulo que não percebi de primeira. Enfim, abri. Senti-me ridículo por abrir a carta e ver apenas uma indicação vaga da planta daquele cômodo, com uma indicação forte, por entre as linhas negras de nanquim, apontando uma varanda em tinta &lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;vermelha&lt;/span&gt;. olhei para trás para perceber que a tal varanda ficava ali atrás de mim, de onde eu estava sentado, logo acima do lance de escadas que me levava para cima, no segundo andar da casa, o andar recheado de livros, tanto que não se via a cor da parede. Subi as escadas e estava chegando à varanda quando uma luz qualquer me irritou os olhos. Era o sol e na verdade, o fim da varanda não era bem uma varanda, mas uma entrada ao nível do solo, e eu percebi que o tal cômodo estava enterrado dentro da terra, foi quando vi que a planície à minha frente se elevava até formar uma colina, onde uma figura muito bizarra praticava alguma dança sinistra. É claro que aquilo tudo me deixava cada vez mais curioso e desnorteado, então fui andando em direção à tal figura, cuja silhueta percebia muito vagamente, porque exatamente atrás dela ficava o sol, imponente e acho que estranhamente vivo. Não sei explicar a idéia de um sol vivo, mas ele reagia, respondia ao longo dos meus passos e depois a coisa foi ficando mais intensa. fui percebendo que, à medida que me aproximava da tal figura dançante o sol ficava mais forte, quente, agressivo. Quando comecei a suar demais, sentei. Coisa entre cinco e dez metros da tal figura. Ele parecia não notar minha aproximação. Foi quando percebi que, à frente dele, exatamente na linha onde ele dançava e fazia malabarismos e saltos, estava um abismo. Quem me mostrou o abismo foi o vento, o vento que subia e trazia, às vezes tão forte que, sentado no chão, tinha que agarrar a grama pra não me sentir jogado pra trás. A figura fazia malabarismos sobre um abismo e eu, sem ter o que fazer ali, comecei a falar com ela. - Oi? Porque você está fazendo malabarismos no abismo? Ele deu uma gargalhada baixinha, e percebi que tinha uma barba longa nessa hora, foi quando me respondeu: - E não estamos todos? Fiquei perplexo porque sua voz era uma mistura estranha da minha, da minha mãe, meu pai, uma professora do primário, um professor da faculdade, um senhor com quem conversava na adolescência, uma mulher que me ensinou religião e mais um monte de outros que não distingüia. De qualquer forma segui ali admirando seu equilíbrio, sobre o vento do abismo. Estranho que quando ele parecia se desequilibrar o vento aumentava e jogava ele para cima de volta. De alguma forma ele se movia livre porque sentia que não iria cair. Tentei de novo me aproximar, dessa vez mais rápido e o sol arrebentou em luzes multicolores que me queimaram a pele e me cegaram. Confuso, sentei de novo. Voltei a onde estava antes e até acertei a mão sobre onde ela estava, marcada na grama. Esperei minha visão voltar ao normal e perguntei: - Quem é você? À medida que as palavras iam saindo de minha boca ele plantou bananeira com uma mão só bem na beira do abismo, de costas para mim, já não tinha a tal barba longa. Nessa posição parou, imóvel, e disse: - Sou o nunca-você! Aquela voz dessa vez havia saído como o bater de asas de mil pássaros e aquilo me atordoou demais. Foi quando ele disse:  - Não gostou da minha primeira voz, troquei. E não, eu não consigo falar baixo, não a essa distância. Não prefere conversar da varanda? Aquela última frase havia saído num tom de desafio, de cinismo, meio como uma brincadeira. Foi quando alguma coisa entrou no meu dedo, cortando. Olhei para baixo e vi um caco, um caco qualquer que entrou na dobra do meu dedo indicador. Tirei. O sangue passou quente para a grama, que se pintou de um &lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#990000;"&gt;vinho&lt;/span&gt; brilhoso. Fui olhar o caco, era um pedaço de uma gola de camisa que usei no dia que levei a Talita no colégio pela primeira vez. Do lado dele tinham outros cacos e outros, por toda a grama vinho um monte de cacos enormes, pequenos, minúsculos, como grãos de areia ou lajes e telhas. Foi quando me irritaram todos aqueles pedaços amontoados. Alguns tinham pedaços, imagens de mim, um pedaço do meu calcanhar quando caí de bicicleta, meu polegar e indicador assinando um documento qualquer, meu umbigo num jogo de futebol, nunca me via inteiro, muitos cacos não tinham sequer um pedaço de mim, mas de alguma forma não eram estranhos de todo. Não sei explicar. Tinha gente que nunca vi em alguns pedaços, um sorriso de um velho oriental, um olhar de uma criança negra, cabelos de índios. Foi quando olhei para a frente, a planície que virava abismo estava recoberta desses cacos, milhões desses cacos a ponto de me enlouquecer ali, e eram todos cortantes. Foi quando pensei no malabarista, na sombra, olhei diretamente para ele - o mais que dava, claro - e vi seu corpo todo ensanguentado, enquanto ele fazia malabarismos sobre os cacos no abismo. Ele não parecia se importar com nada daquilo e, a cada segundo dava saltos mais altos, saltos mortais, carpados, saltos impossíveis à beira do abismo. Perguntei: - Você está sangrando, pára! Levantei as mãos recheadas de cacos, sangue, disse: - O que é isso? A figura parou, cravando os pés violentamente no chão, de frente para o abismo, costas para mim. Tomou distância do abismo, andando de costas na minha direção. Respirei aliviado, tentava ver seu rosto, quando sua sombra cobriu todo o meu corpo sentado no chão ele correu para o abismo e saltou: - É vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8146623802460198609?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8146623802460198609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8146623802460198609' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8146623802460198609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8146623802460198609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/04/cacos.html' title='Cacos'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S9irH9MgRbI/AAAAAAAAAXI/e8Am492QbgY/s72-c/louco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8555359194226900802</id><published>2010-04-25T18:47:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T15:20:27.568-07:00</updated><title type='text'>Carta a um sobrinho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S9UWILCO53I/AAAAAAAAAWo/C-SWSd77e74/s1600/Zeus01.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; 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&lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-priority:99; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt; 	mso-para-margin-top:0in; 	mso-para-margin-right:0in; 	mso-para-margin-bottom:10.0pt; 	mso-para-margin-left:0in; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="color: rgb(0, 51, 51);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Oi Henrique,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 51, 51);"&gt;Aqui é o seu tio Renato, tudo bem? Espero que sim. Tenho visto suas fotos das apresentações do teatro e estou vendo que terei que ligar do Ziembinsky e perguntar dos elencos das peças para poder ver algo seu. Para não dizer que não tem meus telefones, segue junto com essa carta um cartão com todos eles, inclusive meu endereço, caso me dê a honra de responder a essa singela cartinha.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Me disseram que anda interessado em mitos. Provavelmente por mitologia grega, que é o caminho natural quando a gente começa a se interessar pelo assunto. Eu resolvi te escrever um pouco sobre isso e espero que goste do que vai ler nas próximas páginas. Vou tentar descrever uma história que contei para alunos meus num curso em que eu usei mitologia grega como base. Espero que você goste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O Fio do destino&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;De Zeus a Helena&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Vou te contar uma historinha diferente, algo que eu sei que não vai encontrar nos livros que eu pretendo te dar em breve. Vamos ver... que tal saber como Zeus gerou a maior guerra do mundo grego para poder se livrar de um “probleminha” familiar dele? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Na verdade tudo começa no Kaos (ou Cáos) uma divindade bem lá de trás, antes mesmo do tempo e até mesmo do espaço existirem. Kaos é uma bagunça só. Na verdade ele é tudo misturado e sem forma, como as suas roupas no cesto antes de lavar, só que pior, como se elas estivessem costuradas umas nas outras e misturadas com as dos seus irmãos e misturadas com perfumes, jogos de Playstation, cabelo velho, perna de barata, pedacinho de feijão no dente e tudo o mais que você puder imaginar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Acontece que na mitologia Kaos era isso. Era tudo misturado, sem diferença, sem distinção, sem sentido (mais ou menos como turistas japoneses ou o noticiário da TV). Um dia Kaos se sentiu isolado, carente e sozinho (dizem que ele estava tentando coçar as próprias costas, mas, na bagunça, não achava nem o coçador nem a própria mão e quando achou uma mão não tinha bem certeza de que era sua) e, então, pra se livrar da coceira, juntou toda a matéria num único ponto, que chamou de Gaia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Gaia era toda a matéria condensada num pontinho que se separou de Kaos. Ela precisava se separar para coçar as costas dele, lembra? Mas à medida que ela ia coçando, ele - que era tudo e era bagunça - foi se arrumando em Gaia e não-Gaia, em bagunça e não-bagunça, até que desapareceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Gaia, que passou três eternidades, dois infinitos e meio “para sempre” coçando as costas de Kaos até que ele desaparecesse, finalmente respirou aliviada. Do suspiro profundo saído dos pulmões primordiais de Gaia saiu Úrano (não, não é urina, é sopro e se chamava Úrano, com acento no “u”) e Úrano se espreguiçou por todo o espaço possível, criando, junto com Gaia, o que os antigos contadores dessa história chamavam de Kosmos (“ordem”). Antes com Kaos era uma bagunça generalizada: mosquitos comiam dinossauros que tinham patas de caranguejo enquanto hipopótamos azuis dançavam com igrejas cantantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Úrano e Gaia se olharam e se acharam assim... engraçados. Ela toda feita de matéria, toda terra, toda árvore, metal e pedra; Ele todo feito de ar, sopro, vento, idéias. Então casaram e tiveram muitos e muitos filhos, todos deuses. Mas com receio de que algum filho pudesse destroná-lo de seu lugar como rei dos deuses, Úrano não deixava que Gaia desse à luz os deuses que se avolumavam em sua barriga. A deusa terra foi ficando cada vez mais inchada, roliça, rotunda, parecia uma bola de praia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Um dia, cheia de dores, ela disse aos seus filhos – todos cada vez mais amontoados e sufocados dentro de seu ventre:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Aaaaah!!! Essa agonia está me matando! Minha pele está esgarçada, meu corpo inteiro dói e meu umbigo parece um vulcão! Aquele entre vocês que conseguir me livrar da tirania de seu pai Úrano, será o novo rei dos deuses. Qual dentre vocês vai me livrar dessa dor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Dentro de Gaia haviam três gerações de divindades que ouviam seu discurso: os três Cíclopes - Arges, Estérope e Brontes -, mestres do raio, do trovão e das tempestades, os três Hecatônquiros – Coto Briareu e Gias -, os maiores de todos, gigantescas criaturas com cem braços e cem olhos e, por último, a geração dos doze Titãs, seis homens – Oceano, Ceos, Crio, Hipérion, Jápeto e Crono – e seis mulheres – Téia, Réia, Febe, Mnemosina e Tétis . &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Não se sabe ao certo se o mais novo entre as três gerações de divindades dentro de Gaia foi o mais ávido pelo poder ou se simplesmente não teve forças para se esconder atrás dos irmãos quando todos, amedrontados, se acotovelaram para dentro de Gaia, com medo de uma punição do Pai todo-poderoso Úrano, Senhor dos Céus. O fato foi que Gaia entendeu que seu caçula Crono, deus do tempo, era aquele destinado a vingar a mãe pela crueldade do pai, que não deixava que ele e seus irmãos nascessem. A mãe terra deu então a seu filho vingador uma foice feita do “leite do seu seio”, na verdade uma foice criada pelo metal líquido que corre nas entranhas do planeta, e, com essa foice, Cronos foi instruído a subir por uma nuvem até o espaço em que poderia avistar alguma parte de seu pai. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Não demorou muito para que Úrano viesse, como sempre, visitar Gaia e esta, sem muita opção mas tramando em segredo, deixou que ele entrasse. Assim que Úrano chegou, Crono se adiantou e, com a foice, castrou seu pai que, num urro grotesco que se confundiu com as vibrações do universo por milhares de anos, ecoou avassalador ensurdecendo toda a realidade por aquele momento. Ao se afastar, sangrando, Úrano lançou a seguinte maldição: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;- Serás destronado e destruído pelo mais jovem entre os seus! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Crono sabia muito bem que, a partir de agora, deveria temer, acima de tudo, seus filhos. Sendo assim libertou todos os seus irmãos titãs, menos aos Hecatônquiros e aos Ciclopes, irmãos mais velhos que ele sempre temeu. Os titãs casaram entre si e tiveram várias outras divindades, sobrinhos de Cronos que casou com Réia, uma de suas irmãs. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Por causa da maldição de seu pai Úrano, Cronos temia muito que qualquer filho seu viesse a crescer para lhe derrotar ou tomar seu lugar. Então pedia a sua esposa Réia que, assim que nascesse qualquer um de seus filhos, o entregasse para que ele pudesse... criar a criança. Na verdade ele engolia os bebês e dizia para Réia que “em breve” ela os veria de novo. Depois de um tempo, claro, a deusa regente do mundo começou a estranhar o sumiço dos bebês e a criar um ressentimento muito grande do poderoso rei dos deuses, seu marido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Depois de um tempo ela engravidou de seu sexto filho, Zeus. Cansada de dar seus filhos para que Crono desaparecesse com eles, escondeu o pequeno Zeus numa caverna na ilha de Creta e deu a Crono uma pedra enrolada com línguas de animais para que ele as comesse. Crono não estranhou e engoliu rapidamente o que achava que era o pequeno Zeus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Zeus cresceu numa caverna na Ilha de Creta e foi criado por sua avó Gaia e por uma cabra chamada Amaltéia, mas essa é uma outra história que contarei a você um outro dia. O fato é que Zeus cresceu o suficiente para batalhar com seu pai Crono, conseguiu fazer com que ele vomitasse seus irmãos engolidos e, junto com eles, libertou os Hecatônquiros e os Ciclopes unindo forças contra seu pai e seus tios, da geração dos Titãs. Foi uma batalha horrível, que modificou todo o solo do mundo, criou e devastou montanhas, desviou cursos de rios e criou explosões oceânicas enquanto o céu bradava. Os titãs sobre o monte Ida e os olímpicos receberam seus nomes justamente por estarem localizados sobre o monte Olimpo, bem no centro da Grécia. Sobre essa batalha podemos conversar mais à frente, o fato é que os Olímpicos venceram e Zeus, cumprindo a profecia de seu avô Úrano, destronou seu pai Crono e tornou-se o novo rei dos deuses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Muito tempo se passou e Zeus, estabilizado no poder e depois de ter dividido o universo entre três camadas sobre as quais ele reinava supremo, desentendeu-se com seu primo Prometeu, por este ter roubado o fogo sagrado dos deuses e levado para os homens, para que eles se abrigassem no frio, cozinhassem e pudessem dormir de noite sem medo de serem atacados por animais selvagens. Zeus havia tirado o fogo dos homens por medo de que eles adquirissem poder suficiente um dia para destroná-lo. Ao contrário de seu avô e de seu pai, Zeus não engolia seus filhos, mas sempre fez questão de ser um ótimo pai, amigo e companheiro de seus filhos, para que nenhum deles quisesse se virar contra ele. De qualquer forma Zeus prendeu seu primo Prometeu no monte Cáucaso onde ele ficou de cabeça para baixo tendo seu fígado comido eternamente por uma águia. O fígado de Prometeu se regenerava toda noite e, assim, ele ficaria sofrendo para todo o sempre, não fosse o fato de Prometeu ser um deus que conhecia a “Mântica”, a arte da adivinhação, e, por isso, sabia de um segredo que muito importava ao rei dos deuses: Como e quando ele iria ser deposto!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Zeus havia jurado a Prometeu que ele nunca se veria livre da punição por ter dado o fogo aos homens, que estaria “ligado ao monte Cáucaso para sempre”. Então não poderia libertá-lo e, sem essa liberdade, seu primo também não diria quem, como e principalmente quando Zeus seria destronado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O deus dos deuses estava completamente encurralado por sua própria palavra. Não poderia libertar Prometeu porque a palavra de Zeus não volta atrás, e sem voltar atrás não poderia saber como impedir que um filho seu pudesse tomar seu lugar, como fizeram seu pai e ele mesmo. Chamou Hermes, um de seus filhos e deus dos mercadores, da comunicação e dos ladrões para persuadir Prometeu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Seguiu-se uma terrível discussão em que Prometeu, usando da sua &lt;i style=""&gt;polymetes&lt;/i&gt; (astúcia, inteligência ligada à prudência) reverte todos os argumentos de Hermes lhe mostrando que, por ser patrono dos mercadores e ladrão desde o nascimento, o deus de pés alados não poderia compreender que Prometeu não estaria interessado em ‘ganhar’ qualquer coisa com aquela discussão e nem Hermes teria qualquer autoridade para acusá-lo de ladrão, pois como Prometeu “roubou” o fogo de Zeus para dá-lo aos humanos, Hermes, assim que nasceu, roubou os bois de seu irmão Apolo. Hermes voltou a Zeus de mãos abanando, apenas para ouvir o trovão na voz de seu pai, expulsando ele para longe, irritado com a falta de habilidade do deus da comunicação e da lábia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Muito tempo depois Hércules libertou Prometeu do monte Cáucaso e, para não desobedecer a seu pai Zeus, deixou que uma das correntes que prendiam ao poderoso deus pelos pés ficasse presa, quebrando apenas uma parte da montanha. Dessa forma Prometeu ficou para sempre preso a um pedaço do monte, e, liberto do castigo de Zeus, disse a Hércules que Tétis – uma deusa do mar, filha do Titã Oceano – estava fadada a ter um filho cem vezes mais poderoso que o pai e este, com certeza, poderia destroná-lo e matá-lo. A essa época Zeus estava cortejando Tétis quando foi avisado por Hércules. Zeus então desistiu imediatamente de estar com ela e obrigou a deusa do mar a casar com um mortal que, mesmo que fosse cem vezes mais poderoso, nunca chegaria aos pés de Zeus. Porque mesmo que Tétis viesse a se casar com outro deus, seu filho, cem vezes mais forte que o próprio pai, ainda poderia dar problemas no Olimpo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Zeus arranjou para que Tétis casasse com Peleu, um rei grego, e desse casamento nasceu Aquiles, o maior dos heróis da Grécia. Cem vezes melhor que seu pai, mais forte, mais rápido, mais habilidoso do que qualquer ser humano e melhor do que qualquer um dos Heróis gregos de sua época, Aquiles foi o maior herói grego de seu tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ao casamento de Tétis e Peleu foram convidadas todas as divindades do Olimpo, menos Éris, a deusa da discórdia. Afinal, quem quer a discórdia numa festa de casamento? Bem, no dia da festa Atena - deusa da inteligência, justiça e estratégia – Hera – esposa de Zeus, deusa do poder, da família e do casamento – e Afrodite – deusa do amor, da sensualidade e da sedução – estavam conversando juntas. Éris jogou entre elas uma maçã de ouro em que estava escrito “para a mais bela”. As três deusas correram para Zeus, para que ele decidisse a quem pertencia a maçã, qual delas era a mais bela. Zeus, esperto que é, não poderia escolher entre duas filhas e sua esposa e disse a elas que o príncipe Páris, de Tróia, era o mais justo entre os homens e ele poderia facilmente decidir a quem pertencia a maçã. Mesmo que Zeus já soubesse que isso não ia dar em boa coisa porque Páris não era nada justo, e, para falar a verdade, havia feito tantas bobagens como príncipe em Tróia que seu pai Príamo havia deixado ele de castigo cuidando dos rebanhos do reino bem longe do palácio. As três deuses tentaram Páris, cada uma a seu modo, subornando-o. Hera ofereceu poder e o reinado sobre o mundo, Atena ofereceu a vitória em todas as batalhas que travasse, a glória e a sabedoria e, por último, Afrodite ofereceu a Páris o amor da mais bela entre as mulheres, Helena. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Claro que Afrodite esqueceu de dizer a Páris que Helena era casada com Menelau, rei da Lacedemônia, território que depois mudou o nome para Esparta, assim como Zeus esqueceu de dizer às três que isso tudo ia dar um problema muito maior, uma guerra tão grande que poucos Heróis gregos sairiam vivos. Mas tudo bem, porque Prometeu esqueceu de dizer também que, depois dessa guerra, a crença na existência de Zeus e de todos os outros deuses seria cada vez menor, até desaparecer por completo... mas essas são outras histórias, para outras cartas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8555359194226900802?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8555359194226900802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8555359194226900802' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8555359194226900802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8555359194226900802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/04/carta-um-sobrinho.html' title='Carta a um sobrinho'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S9UWILCO53I/AAAAAAAAAWo/C-SWSd77e74/s72-c/Zeus01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8286403727853622070</id><published>2010-03-30T12:06:00.000-07:00</published><updated>2010-03-30T14:03:35.494-07:00</updated><title type='text'>Malik, Porta do Inferno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S7JUcTWt6KI/AAAAAAAAAWI/91JhzXpM9H4/s1600/malik.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; 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A mãe, Inácia, era uma negra carrancuda cuja mãe a forçou a andar antes da hora – o que lhe custou os joelhos arqueados e o andar torto que vagueava a vida. Inácia não era de falar. Exceto pela mão estendida nas subidas de escadas – suplício diário – pouco incomodava vizinhos. Foi surpresa geral que a barriga, depois de tempo, era de homem e não de gordura mesmo. Dizem que foi coisa do patrão, um muçulmano pardo de barba branca, barriga proeminente e dedinhos ágeis. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Malik – nome que o garoto recebeu do padrinho, seu Amin – sempre foi um moleque diferente. Herdou da mãe o silêncio. Toda a gente estranhava o olhar distante e sério daquele moleque grande. Com quatorze anos as gorduras foram se arrumando pra cima e com dezesseis já baixava cabeça pra entrar em casa. Isso bastou pra calar o ânimo da vizinhança, que nem Inácia era alta, nem seu Amin. Começaram a acreditar no que Inácia havia dito para Penha, amiga de costura nos domingos, quando soube do menino: Tinha sonhado com um anjo, seu filho tinha uma missão a cumprir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Seu Amin conseguiu que Malik fosse jogar basquete. O professor sentiu pressionar a última vértebra do pescoço enquanto subia o queixo para falar com o rapaz. Aquela vértebra deu a Malik uma bolsa de estudos. Acontece que o talento não vem com a genética. Malik era lento, ficava ali, no garrafão, pesado, esperando um passe ou, na volta, ficava na própria cesta, tirando as bolas do adversário. Por um tempo funcionou. Logo foi neutralizado pelos adversários. Cansou a torcida, a vértebra do técnico e, com o tempo, seu Amin.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Malik começou a fazer entregas na comunidade para uma loja de roupas, para as costureiras associadas, para as lavadeiras. Não era simpático nem antipático. Por toda extensão abrupta do seu corpo mecânico e enferrujado, só se via vida se, com sorte, alguém alcançasse seus olhos negros a mais de dois metros de altura. Esses eram vivos, detalhistas, analíticos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Um dia um conhecido – Rafael – levou Malik para uma academia de musculação dizendo que ele poderia malhar de graça se, à noite, limpasse e arrumasse o lugar. Malik consentiu com um aperto de mão e um quase-sorriso. Era academia de manhã, entrega de tarde, limpeza de noite. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No quinto mês Rafael apresentou “Careca” a um Malik grande, musculoso, assustador até. “Careca” era um cara simpático, de sorriso frouxo e sandália, tipo que a cada meia hora dá um tapa no seu ombro e levanta ainda mais a voz pedindo outra rodada. Foram três dias de conversa fiada na saída da academia, três dias e Malik já havia – com coisa de “sim”, “é”, “a-ham”, “vamô vê” – arranjado uma cadeira do lado de fora da boca mais movimentada por ali. E era uma cadeira rentável: trezentos por fim de semana e cinqüenta por noite avulsa. Agora não precisava limpar pra malhar na academia. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Na verdade muita coisa ficou de graça, o que aumentou o tempo livre. Nada antes tinha dado a estabilidade de sentar naquela cadeira de bar, do lado de fora de três casas geminadas de tijolo exposto, das sete da manhã às sete da noite. Era olhar em volta, três sinais básicos pra “passa”, “volta” e “espera”. O resto não era mais com ele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No tempo livre Malik sumia. Havia arranjado uma moto de terceira mão e na semana passava o dia na rua. A mãe, desgostosa, falava cada vez menos, o padrinho, sabendo, procurava cada vez mais. Telefonemas e até carta foram parar das mãos de Inácia para a porta do quarto de Malik. Nenhuma resposta, nada. Para a mãe apenas uns maços com notas vermelhas e marrons apareciam dentro do criado-mudo, nada mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Com o tempo veio o respeito. Malik era o guardião da porta do inferno por ali. Não perguntavam mais onde ia ou o que fazia nos dias de semana, diziam que havia arranjado uma namoradinha pros lados de Jacarepaguá e isso acalmou os curiosos. Nem todos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Num dia cinza Careca mandou Binha e o Derú seguirem Malik. Malik queimou o asfalto na Perimetral, desceu pro Centro, Glória, desapareceu. Dia seguinte as namoradinhas de Binha e Derú desapareceram para nunca mais. Passou a ficar desinteressante seguir Malik. Até porque ele sempre estava presente no serviço, ali, imóvel, impassível. Olhos negros que marcavam a cadência da vida no lugar: “espera”, “volta”, “passa”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Um dia homens de preto, colete, fuzis e coturnos subiram as escadarias. Fecharam as saídas por baixo, comeram muito chumbo, o ar pesava e zunia. Era ano eleitoral, todo mundo sabia que não ia parar por ali. De dois em dois anos a coisa ficava mais tensa, que era preciso mostrar serviço. O pessoal sabia que tinha que fugir ou morrer, porque a TV tava lá: dois repórteres, um em cada das grandes saídas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Depois de três dias, o sopé tava cercado. “Careca” e o chefe lado a lado agachados na saída das casas geminadas. Dava pra ver as manchas negras se movendo, subindo as ruelas. Entrecortando os silêncios ocos elas iam atirando e subindo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Foi quando “Careca” entrou na casa, correu pro canto da parede e se enterrou no chão com a boca num cano retorcido que dava pra parede da casa. O som da porta se arrebentando com o pé de Malik inundou a casa, arrastando pelo pescoço o chefe que se esvaía em sangue e debatia. Assim que viu o cano, por onde Careca respirava, afundou o pé com toda força.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Por trás das costas de um Malik nublado e impassível entraram na casa três homens do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar. Dois dos pacotes com notas de cinqüenta e cem voaram para os braços do guardião da porta do inferno. No dia seguinte dona Inácia ganhava uma chácara em Mazomba, Itaguaí.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8286403727853622070?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8286403727853622070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8286403727853622070' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8286403727853622070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8286403727853622070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/03/malik-porta-do-inferno.html' title='Malik, Porta do Inferno'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S7JUcTWt6KI/AAAAAAAAAWI/91JhzXpM9H4/s72-c/malik.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-4524526389740839704</id><published>2010-03-23T20:17:00.001-07:00</published><updated>2010-03-24T22:49:27.503-07:00</updated><title type='text'>"Ela"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S4rNnEEBN1I/AAAAAAAAAVY/jXoHl2sQyB0/s1600-h/silhueta.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 231px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S4rNnEEBN1I/AAAAAAAAAVY/jXoHl2sQyB0/s320/silhueta.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443389170619856722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 153);"&gt;-&lt;span style="font-size:180%;"&gt;  A&lt;/span&gt;h, ôu, na boa! Como vocês acham que deve ser "ela", então?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 153);"&gt;- Ah,  cara, sei lá. Tem que ser linda, dessas que a gente chega em casa e  pensa que entrou na casa do vizinho rico e bonitão, sabe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 153);"&gt;- Nem acho.  Tem que ter aquela sintonia, cumplicidade, companheirismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 153);"&gt;- E ser  boa de papo é indispensável. Acho que tô com a Sofia muitas vezes porque  gosto da voz dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 153);"&gt;- Tá, a Sofia é a maior gata, nem é só por isso.  Se ela não malhasse pacas e trabalhasse contigo você talvez nem desse  bola pra voz dela. Pra mim a mulher tem que te seduzir. E tem que ser  diário isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 153);"&gt;- É surreal, a sedução cansa, porque é um jogo, cara!  Sedução não é meio de vida, é um jogo e se ninguém apita a partida a  gente acaba cansando rápido demais. Depois de um tempo você olha pro  lado e pensa que se tem sempre que se dar todo aquele trabalhão... no  fundo acaba não valendo a pena.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 153);"&gt;- Teco tem razão... e, na moral? A  gente curte um troço meio frenético, pesado, sem discução, sem desculpa,  sem frescura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 153);"&gt;- E não é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E rola mais uma rodada entre aqueles  quatro amigos, na beira da praia, um domingo nublado do lado do  carrinho de cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falando sério? Depois da Paula eu decidi  que mulher tem que ter graça, que a gente tem que rir junto.&lt;br /&gt;- Mas a  Paula era a maior mal-humorada, cara.&lt;br /&gt;- Porra, por isso mermo!  Imagina ficar dois anos com uma mulher que não dá um sorriso, sempre  reclama de tudo. Parecia uma velha, de mal com a vida: "Vai comer esse  sorvete? Que horas a gnte vai na minha mãe? Achou a menininha  bonitinha?". Na moral, vai regular a mãe!&lt;br /&gt;- Mas era gostosa...&lt;br /&gt;-  É, uma velha gostosa! Ainda assim uma velha... e com o passar do tempo a  gostosa vai embora e você só vai ficar com a velha mesmo. E sabe o  pior?  Uma velha treinada! Treinou desde os vinte pra ser insuportável  aos setenta. No fim de tudo você não consegue nem conversar, até olhar  pra cara da pessoa te cansa. No fim das contas eu olhava pra Paula e via  uma tabela nutricional e os horários da academia!&lt;br /&gt;- Cara, a conversa  tem que fluir, não tem como! Imagina, pode ser a mais deliciosa...&lt;br /&gt;-  Tipo aquela ali? Biquini amarelo?&lt;br /&gt;- Não, aquela pode ficar calada  que tá tudo certo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gargalhada geral e mais uma rodada de  cerveja entre os amigos. Os olhos quase atravessam as latas fulminando a  morena de amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas falando sério, a Paula era melhor que  essa aí, e não deu pra sustentar.&lt;br /&gt;- Cara, ela se daria bem com um  cara parecido com ela, mais caladão ou que não gostasse da vida,  reclamasse por esporte. A coisa é você encontrar quem tenha sintonia  contigo.&lt;br /&gt;- Tá acreditando em alma gêmea agora, Nathan?&lt;br /&gt;- Não falei  em alma gêmea, ler pensamento deve ser bizarro. Imagina, você pensando  "preciso largar um barro" e sua alma gêmea ali, dentro da sua cabeça...  Cara, o lance é essa sintonia do momento. Porque as pessoas tem fases,  nem sempre são as mesmas, e aí a gente tem que estar ligado pra viver  aquilo junto ou deixar passar a fase...&lt;br /&gt;- Ou deixar passar a pessoa.&lt;br /&gt;-  É... ou isso.&lt;br /&gt;- Esse lance de "ela" não existe! Na boa! Tudo tem  começo, meio e fim. Não tem como!&lt;br /&gt;- Mas se a gente está procurando  "Ela", no mínimo é porque não quer pensar no fim por agora.&lt;br /&gt;- Ou nem  acha que precise ter fim. Nathan mandou bem, a coisa tem fases. Se a  gente passar as fases juntos, na sintonia, as coisas vão passando e a  gente vai se acertando. As fases começam e terminam e a gente continua  junto.&lt;br /&gt;- Na moral? Dificil paca, você sabe, eu sei, qualquer um sabe.  Pra isso a mulher tem que ter uns valores parecidos com os teus, e  valor é loteria! Não é o tipo de parada que você pega naquela primeira  conversa perfeita, num bar com uma vista foda e você só tem vista pro  sorriso...&lt;br /&gt;- ...ou pros peitos...&lt;br /&gt;- ...ou pros peitos dela! Mas é  isso. Os valores da mulher a gente só saca quando já cansou do  sorriso... e dos peitos... dela.&lt;br /&gt;- Mas pra viver junto não tem outra,  ou os valores batem ou a gente acaba se batendo! Lembra da Aléxia? Ela  não me deixava sair com vocês, queria que eu ficasse em casa estudando e  meditando com ela. Cara, meditar domingo?&lt;br /&gt;- Ela não prestava  concurso? Tinha que estudar mesmo!&lt;br /&gt;- Acho que nesse caso foi tu não  querer ela mesmo. O lance dos estudos...&lt;br /&gt;- ...e meditação!&lt;br /&gt;- ...e  meditação só não foram contornados porque você nem tava afim. A menina  era meio nerd meio hippie, você não é. Não deu. Paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  silêncio se corta com a mão de Teco que aponta para a beira do mar:&lt;br /&gt;-  Mulher tem que ter coxa!&lt;br /&gt;- ...e bunda! Sem bunda não há estabilidade  no relacionamento. Como é que se espera de um brasileiro que viva sem  bunda dentro de casa?&lt;br /&gt;- Ô, e viva a bundalização geral!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais  uma rodada. O sol começava a se abrir e a areia pinicava as canelas dos  oito pés afundados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei lá cara, às vezes penso que seria bom  dividir a vida com alguém, ter uma pessoa em casa pra te fazer  companhia, pra ler, ir no cinema, falar bobagem.&lt;br /&gt;- Pra lavar, passar,  cozinhar...&lt;br /&gt;Um tapa no ombro e chute na canela depois&lt;br /&gt;- Xá de ser  escroto! Na boa, seria bom só ter alguém pra você relaxar junto, sem  ter que pensar, que repensar nas palavras, nos atos, até nos teus  pensamentos. Se eu não consigo relaxar com uma mulher, não sei pra que  serve ficar com ela.&lt;br /&gt;- Verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando Teco, Nathan e Rafa  olharam para o Bruninho. Todo mundo falou alguma coisa, menos o  Bruninho. Silêncio geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;- Você não falou nada  cara!&lt;br /&gt;Bruninho em tom de defesa:&lt;br /&gt;- Concordei que a morena de  amarelo era gata!&lt;br /&gt;- E...?&lt;br /&gt;- E é isso.&lt;br /&gt;- Ôu Bruninho! Pera lá!  Vai dizer que você não imagina como deve ser a tua "ela", a "Bruninha"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruninho  baixou a cabeça pra lata de cerveja, levantou os olhos e encarou fundo  os três amigos, coisa de dois segundos para cada um. Deu um sorriso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Sinceramente?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Escrevi uma carta pra Laura outro dia, mas  decidi não mandar. Frases soltas, não sou de escrever. Ainda tá no  bolso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pensei em sair com você. Tentar algo de verdade. Chamei  algumas vezes. Da última você simplesmente foi ríspida. Chamei, cheguei  até a insistir. É o que faço quando quero algo, faço o possível. Ir na  tua casa tocar tua campainha não ia fazer, nem teu telefone eu tenho  mais, perdi com a minha agenda. Sua amiga veio falar comigo. Pensei que  poderíamos ainda tentar algo e tentei de leve. Mais uma furada. Agora se  quiser sou teu amigo. Conversaremos sempre que você quiser, mas a gente  cansa de tentar. Ainda mais quando percebo que a concorrência mexe mais  contigo do que eu. Parece não, mas me valorizo. De qualquer forma, se  quer voltar pra São Paulo conversa com seus pais, procura apoio, nao  fique num lugar que não te faz feliz. Na boa. Eu quis continuar nossa  história, foi quando percebi que nem sempre tem de haver uma história. E  muitas vezes, simplesmente não há."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles ficaram se olhando...  sem muita certeza do que falar. Foi quando o próprio Bruninho deu uma  risadinha e falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cês viajam! Escolhem demais! Sabe porque eu  não vou mandar a carta? Porque não vale a pena. É coisa que a gente  escreve até pra si mesmo. Acho que se vocês querem uma "ela", é bom  começar a serem o tal "ele". Porque zapear mulher é mole. Ficar lá no  controle remoto na night, mudando de boca como quem muda de canal.  Seduzir, comer, tudo muito legal, ego vai pro céu e a gente acha que tem  a lábia e a pica de platina, mas sinceramente? Mulher é problema como  homem é problema porque gente é problema! É uma foda! E se não fosse,  como é que ia valer a pena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-4524526389740839704?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/4524526389740839704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=4524526389740839704' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4524526389740839704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4524526389740839704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/03/ela.html' title='&quot;Ela&quot;'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S4rNnEEBN1I/AAAAAAAAAVY/jXoHl2sQyB0/s72-c/silhueta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8641016352878573125</id><published>2010-03-19T14:54:00.001-07:00</published><updated>2010-03-24T06:18:50.549-07:00</updated><title type='text'>Um ornitorrinco na rave</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S6PudNLdx9I/AAAAAAAAAVw/nvxQP-ZJI-w/s1600-h/ornitorrinco.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S6PudNLdx9I/AAAAAAAAAVw/nvxQP-ZJI-w/s320/ornitorrinco.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450462159569799122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 0);font-size:180%;" &gt;P&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 0);"&gt;orque  era bizarro mesmo. Foi uma aposta de quatro intercambistas, em dois mil  e cinco. Hans e Paollo disseram a Thalia e Sabrina que iam levar um  ornitorrinco prum trance em Melbourne. Thalia tinha a estranha mania de  levar um ornitorrinco de pelúcia para as festas e tiravam várias fotos  do bichinho de óculos escuros, tomando red bull e até nadando numa  piscina somente com mulheres, isso deu aos dois rapazes a idéia inicial:  "e se fosse um de verdade?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela idéia passou a ser cada vez  mais surrealmente divertida e estranha, principalmente porque os  mamíferos ovíparos com cauda de castor e bico de pato vivem presos em  cativeiro, no escuro, em ambiente aquático. Perceberam que em Melbourne a segurança  dos viveiros é praticamente impenetrável, o que excitou mais ainda o ânimo dos amigos. O clima todo era de missão  impossível e os rapazes ficaram dias bolando a melhor estratégia e o  melhor ponto para se conseguir um espécime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentar caçá-lo ou capturá-lo  além de crime ambiental provavelmente ia levar os estrangeiros, alemão e  italiano, a serem deportados, na melhor das hipóteses. Pesquisaram o  animal na wikipedia e descobriram que o bicho, além de tudo, deveria ter  parentesco com escorpiões também, afinal "O macho tem esporões nos  tornozelos&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;,  que produzem um coquetel  venenoso,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;  composto  principalmente por &lt;/span&gt;proteínas  do tipo defensivas (DLPs), que são  únicas do ornitorrinco.  Embora poderoso o suficiente para matar  pequenos animais,  o veneno não é letal para os humanos, mas pode causar  uma dor  martirizante e levar à incapacidade." - ok, luvas de borracha! Visitaram virtual e pessoalmente  os cativeiros mais próximos, analisaram o sistema de segurança de cada  um dos santuários como Healesville e o parque da vida selvagem David  Fleay e, depois de decidir raptar um de uma cidade bem longe, procuraram as rotas de fuga no google maps.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  plano ficou simples: Paco - o ornitorrinco de Thalia - seria o dublê.  Um carro com os dois seguiria para o hotel Hilton de Brisbane, onde uma  família de adoráveis quadrúpedes esquisitos era mantida para a diversão de seus abastados hóspedes e a segurança  parecia mais... "relapsa". A ida, passando por Shepparton, Moree e Warwick  era fornecida como o caminho mais rápido, predizendo vinte e uma horas  de viagem. Nessa hora poderiam obedecer às rotas indicadas como  preferenciais, mais rápidas, a volta é que era o grande enigma. Atravessar o deserto  australiano via st. George e seguir um retão até girar noventa graus em  Cunnamulla, seguir até Cobar e passar por cidades nada turísticas como  Wilkannia e Broken Hill, descendo de volta até Melbourne, esse acabou sendo o  caminho mais interessante, mesmo levando um dia e seis horas de viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando  em Brisbane, um dia antes do festival de música eletrônica em  Melbourne, Hans alugou uma pick-up, deu uma volta na cidade e voltou  para a concessionária, alegando que o carro estava com um barulho  esquisito e que ele preferiria trocar. Falando com uma certa pressa em  visitar a namorada fictícia e fazer uma surpresa, acabou saindo com o  segundo carro e indo direto ao Hilton. Enquanto isso Paollo estava  observando o aquário negro onde os ornitorrincos nadavam, alheios ao  bate estaca que em pouco mais de um dia envolveria algum felizardo contemplado com a possível fama instantânea, no  lugar daquela água negra. Os dois amigos passaram pelo mesmo corredor,  caminhos opostos, como se não se conhecessem. Paollo carregava uma  gaiola envolta num papel de presente com Paco dentro. Hans estava com as  mãos nuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco minutos após se cruzarem Hans passa com o  animal pingando nas mãos, os seguranças correndo atrás! Paollo tenta  interceptá-lo, mas os dois se chocam e Hans é capturado. Paollo sai  xingando, com seu pacote de presente, Hans é levado para dentro do hotel  com a gaiola. O plano de trocar de carro, fechar contrato com um e  levar outro na locadora pra despistar a polícia e fugir com aquela prova  do humor de Deus parecia frustrado... ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia depois está  na primeira página dos jornais locais de toda a Oceania, as fotos de  Paquito, o ornitorrinco de óculos Oakley e camisa Ecko nadando na psicina de bolas,  com Paollo, que teve que ser resgatado porque, num acesso de carinho com  o mascote da festa, perdeu o movimento do lado direito do corpo e não  conseguia sair da piscina, de onde foi retirado por policiais  australianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8641016352878573125?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8641016352878573125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8641016352878573125' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8641016352878573125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8641016352878573125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/03/um-ornitorrinco-na-rave_19.html' title='Um ornitorrinco na rave'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S6PudNLdx9I/AAAAAAAAAVw/nvxQP-ZJI-w/s72-c/ornitorrinco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-4415727003156382556</id><published>2010-03-17T08:35:00.000-07:00</published><updated>2010-03-24T06:17:24.540-07:00</updated><title type='text'>Vingança perfeita (ou Mulheres e sapatos)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S6ENyczk_nI/AAAAAAAAAVg/o_OeGsGlV98/s1600-h/sand%C3%A1lia+perfeita.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 300px; height: 272px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S6ENyczk_nI/AAAAAAAAAVg/o_OeGsGlV98/s320/sand%C3%A1lia+perfeita.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449652184472157810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);font-size:180%;" &gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;le não conseguia deixar de pensar nela. Mas isso é porque havia uma história. Num carnaval passado haviam ficado juntos a semana toda. Segunda vez que estavam juntos, sendo que da primeira - quando se conheceram - ela estava tendo as primeiras férias depois de três anos ininterruptos a serviço de uma grande empresa. Largou uma viagem de um mês para ficar quatro semanas na casa dele. Talvez o excesso de proximidade repentina, talvez uma xícara "para o melhor namorado do mundo" no aniversário dele, no fundo não sabe. Tudo muito rápido, tudo muito denso e intenso um espaço de tempo minúsculo como se um suspiro mais profundo fosse estourar aquela bolha de ar sentimental. Ele não resistiu. Se afastou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois veio o carnaval, trazendo antes da hora o vazio sentimental da quarta feira de cinzas. E ele viu a xícara e o telefone lhe veio à orelha e a campainha trouxe ela de volta. O carnaval mostrou a distância entre gostos e a lua de mel do primeiro mês se esvaiu por entre os dedos dela, que não largavam o playstation dele, e os dele, que experimentava mil perucas para sair nos blocos. O tiro no peito dele foi o Oscar, no fim do carnaval, o bloco na esquina, ele na porta e ela querendo ver o Oscar - "porque a Angelina estava muito magra, mas o Brad lindo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eles se separaram. Os meses trouxeram pessoas que não trouxeram sintonia e derrepente não era de todo ruim que ela gostasse do video-game, até que ver o Oscar sentindo o perfume dela passou quase a ser uma obsessão. E o telefone veio à boca e campainha ficou muda. Ela estava namorando. Foi quando bolou a vingança perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeando por um bairro vizinho ao seu, desceu os olhos sobre um par de sandálias que ela sempre quis. Entrou - entre os sorrisos das vendedoras para o provável "melhor namorado do mundo" -, comprou. Dez prestações na Nine West. Passou numa floricultura, um buquê de rosas colombianas e um cartão vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente trocou o telefone por um rádio, novo número, nova vida. Bloqueou e excluiu ela de toda virtualidade possível, orkut, facebook, msn, twitter, até os e-mail's dela marcou como spam. Era o melhor momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às nove horas da noite, voltando da academia, ela encontrou um buquê gigantesco de rosas na portaria, enfiado na sandália mais linda que ela já vira. Estranho... só o pé esquerdo. Do lado de dentro um cartão: "Game over. Thank's for playing."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-4415727003156382556?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/4415727003156382556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=4415727003156382556' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4415727003156382556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4415727003156382556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2010/03/vinganca-perfeita-ou-mulheres-e-sapatos.html' title='Vingança perfeita (ou Mulheres e sapatos)'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/S6ENyczk_nI/AAAAAAAAAVg/o_OeGsGlV98/s72-c/sand%C3%A1lia+perfeita.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-3524035510994008698</id><published>2009-12-07T09:17:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T14:21:33.478-08:00</updated><title type='text'>A morte dos Magos (como nasce uma religião)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sx1dZf3Le6I/AAAAAAAAAUo/NDI5nUCJ7uM/s1600-h/ahura_mazda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sx1dZf3Le6I/AAAAAAAAAUo/NDI5nUCJ7uM/s320/ahura_mazda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412585019800255394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 153, 153);"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A&lt;/span&gt;s histórias, em geral, são escritas pelos vencedores. Por um motivo simples: em geral são os que saem vivos dela&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 153, 153);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 153, 153);"&gt;O primeiro dos três grandes impérios a sentir a influência do Zoroastrismo - a religião de Zoroástro ou Zaratustra -&lt;/span&gt; foi o dos aquemêmidas, que governou a região do Irã no início do século VII a.C. até a conquista por Alexandre em 331 a.C., com um território que se estendia desde o Egito e a Turquia até o Paquistão. A terra natal dos aquemênidas era "Fars" (Pérsia), no Irã sul-ocidental, onde se encontravam Susa, capital administrativa, e Persépolis, a grande cidade-residência do soberano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grandes rivais dos gregos, que os derrotaram em Maratona (490 a.C.) e Salamina (480 a.C.), os aquemêmidas - ou Persas - adoravam tanto Ahura Mazda "que fez o céu, fez a terra, fez os mortais, fez a felicidade para os mortais e fez Dario rei" como dizia uma inscrição em Behistun, quanto outras divindades. Os textos do Avesta não podem ser datados, o que dificulta muita coisa na reconstrução dessa história, mas existe um episódio muito interessante, que fala sobre o nascimento das grandes religiões monoteístas, como o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Na sua ascensão, o culto zoroastriano teve de conviver com a antiga fé politeísta de matriz indo-iraniana, confiada a sacerdotes conhecidos como Magoi, ou magos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Magoi eram sacerdotes politeístas que acreditavam que todas as divindades de seu panteão existiam dentro de si mesmos e de cada cidadão do império aquemênida. Dentro de sua crença essas divindades poderiam ser invocadas em momentos específicos para a cura de uma enfermidade mental, física ou espiritual, para conceder forças e coragem na guerra, para melhorar as relações entre os fiéis etc. Da mesma forma existiam magois especializados em determinada divindade e a exercer o culto a ela, como os Magoi de Mithra "deus ancião", de Angra Mainyiu "o espírito do Mal", ou Zurwan "deus do tempo". Os Magoi, como classe, operavam curas que respeitavam a uma lógica interna que poderíamos denominar de "equilíbrio dinâmico": o excesso de passividade era curado exercitando-se a divindade agressiva dentro de si, o oposto para o excesso de agressividade, a intempestividade da adolescência era curada exercitando a observação refletida do deus ancião etc. A noção de equilíbrio dinâmico permeava sua religião, como sua política, sua colheita, relações familiares e sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os zoroastrianos, embora não o reconhecessem, eram uma seita dentro dos magoi, que acreditavam que Ahura Mazda - uma dentre as várias divindades do panteão dos magoi - possuia um estatuto maior que os demais, era mais poderoso, mais digno de reverência e adoração. Em prol dessa crença e, submetidos aos ditames dos magoi, eles convenceram o imperador Ardashir a convocar uma assembléia onde os magói e os zoroastrianos discutiriam formas de mesclar suas crenças para que o povo não ficasse dividido, o que enfraqueceria a todo o império aquemênida. Temendo a rápida ascensão dos zoroastrianos, os sacerdotes magoi, a princípio, recusaram essa assembléia, mas, como os zoroastrianos ergueram estátuas de todas as demais divindades às portas de Persépolis - como sinal de amizade e confraternização - os magoi enfim cederam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo naquele "concílio" era simbólico. Os magói caminhavam à esquerda enquanto os zoroastrianos à direita em duas filas indianas que contornavam o trono de Ardashir. O imperador abençoou a união daquelas ordens religiosas e indicou a sala onde o concílio, marcado para durar um ciclo lunar inteiro, deveria ocorrer. A sala representava o território do imperador, toda a vasta região dominada por Ardashir. Cores diferentes em tapeçarias diferentes simbolizavam cada uma das importantes cidades, territórios, províncias e domínios. Os móveis e tapeçarias continham um forte aroma de Sândalo e especiarias, tão forte que chegou mesmo a enjoar muitos dos sacerdotes ali presentes. Como os Magoi foram os primeiros dentro do território, seus sacerdotes, com seus chapéus pentangulares, suas vestes lilases e púrpuras, suas sandálias trabalhadas em couro fino, também foram os primeiros a entrar na sala, em fila indiana, em silêncio. Sentiam-se honrados em entrar primeiro, era seu direito simbólico e santo ocupar primeiro aquela terra representada na sala. Em silêncio aguardaram até que o último magoi entrasse naquele enorme aposento perfumado. O cair da tarde se verificava pela abóbada aberta no alto, espaço livre para as divindades celestiais entrarem em contato com as terrenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À entrada do último e mais novo dos sacerdotes magoi, a sala foi trancada abruptamente e a estátua de bronze de Angra Mainyu usada como tranca. Do alto dos sete metros de altura da sala caíram, em sequência, uma a uma das cinquenta estátuas de mais de dois metros de altura de cada uma das divindades que haviam sido postas à entrada de Persépolis. Alguns sacerdotes correram para os cantos da sala hexagonal desesperados, gritando pelas paredes vazadas, trabalhadas em flores e motivos religiosos: foram mortos a golpes das lanças que atravessavam as frestas das paredes. Os poucos sacerdotes que tiveram forças e reflexos para não serem esmagados pela chuva de granito, mármore e ouro e se reuniram no centro da sala, única área onde as estátuas não podiam atingir, visto que eram arremessadas de uma grande área circular do teto abobadado, perceberam uma luz forte sobre suas cabeças - que chegaram, por segundos, a compreender como a resposta às suas preces  - quando várias flechas incandescentes penetravam o salão embebido em álcool e éter disfarçado pelo cheiro das especiarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova religião monoteísta permitiu regras de conduta mais estreitas, onde o império de Ardashir pôde militarizar e dominar novas regiões. Reza a lenda que Irineu um dos principais teólogos da Igreja Católica, nascido em Esmirna (Turquia) viveu anos com essa lenda na mente e concebeu formas de adequá-la aos seus interesses no Concílio de Nicéia - primeiro concílio cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-3524035510994008698?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/3524035510994008698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=3524035510994008698' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3524035510994008698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3524035510994008698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/12/morte-dos-magos-como-nasce-uma-religiao.html' title='A morte dos Magos (como nasce uma religião)'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sx1dZf3Le6I/AAAAAAAAAUo/NDI5nUCJ7uM/s72-c/ahura_mazda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-5574027908715207457</id><published>2009-12-02T19:04:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T19:22:03.734-08:00</updated><title type='text'>Cartas de amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sxcru4nfBTI/AAAAAAAAAUQ/MxrbkOFLrRI/s1600-h/praia01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sxcru4nfBTI/AAAAAAAAAUQ/MxrbkOFLrRI/s320/praia01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410841561780913458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Hoje eu escrevi mais uma carta na areia. Queria que chovesse. Deviam estar uns 40 graus. E  talvez ela soubesse da carta. O que me deixou rubro. Não sei onde foram as sementes. Eu as trouxe para plantá-las aqui. Onde morram. Nada nasce da desolação desse deserto. Talvez seja onde eu consiga parir certas letras, nem tudo é tão doce como outrora.&lt;/span&gt; Há um monstro vil lá fora, tão minuciosamente sádico e umbralino que só pôde visitar-me após todos os seus filhos, desgraças do mundo, terem preenchido o vácuo de perfeição que assolara o planeta, o apocalipse no fim da caixa de Pandora, a esperança. Gota amarga de memória cauterizando eternamente a ferida, o membro decepado, a inexpressividade cáustica da sub-vida cotidiana. Lenta morte irônica e lânguida, fascinando auroras, rasgando pores de sol sob uma cortina de lágrimas. Lágrimas e sementes sobre um solo inútil, sobre uma carta de areia ao vento, à decomposição da memória, das histórias, do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-5574027908715207457?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/5574027908715207457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=5574027908715207457' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5574027908715207457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5574027908715207457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/12/cartas-de-amor.html' title='Cartas de amor'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sxcru4nfBTI/AAAAAAAAAUQ/MxrbkOFLrRI/s72-c/praia01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8862008836525951352</id><published>2009-11-24T10:53:00.000-08:00</published><updated>2009-11-28T16:04:17.463-08:00</updated><title type='text'>Olho no olho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SwwtlRfvJkI/AAAAAAAAAUA/g0rR3pa3a-g/s1600/sangue01.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407747370940048962" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SwwtlRfvJkI/AAAAAAAAAUA/g0rR3pa3a-g/s320/sangue01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#996633;"&gt;Sua mão grossa puxava o cabelo crespo dela para trás com força enquanto ele estocava mordendo os beiços e olhando pra baixo. Adorava ver os umbigos se batendo. A direita puxava pela bunda e cintura lisa e o suor escorregava os dois de cima do tanque. O meio das costas dela batia na torneira e ela só via a luz do sol amanhecendo por entre o basculante. Ele gozou e saiu. Levantou o short e abaixou pra pegar a camisa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os olhos de Brás levantaram num susto – que se estendeu por longos dois segundos – enquanto ela apresentava o cano prateado da pistola dele para o meio do seu peito. Ele sorriu, tenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai largá minha mãe e vambora agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele deu um passo pra cima dela, com as mãos pra cima.&lt;br /&gt;- Vô porra nenhuma! Abaixa essa merda aí menina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não tremeu o braço. Brás ficou paralisado. Por segundos vermelhos saídos das veias do demônio ele viu a vida toda... piscou, e ela começou a tremer. Ele deu mais um passo. E outro. Já estava com o peito colado no cano quando disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu num vai atirá nos meus peito me olhando nos olho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deu um passo para trás, abaixou o braço, a arma, o corpo. Caiu sentada no sofá, a pistola entre as mãos, a cabeça entre os joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era rei. Vestiu a camisa, virou de costas e foi pro banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Blam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a cintura e a bunda. Ele dobrou o joelho e enfiou a cara na porta do banheiro com tudo. Se tremia e balançava mordendo o beiço, com os olhos apertados. O sangue escorria quente e ela achou que ele se contorcia engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caralho Marieta... larga essa porra e pega a chav...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Blam! Blam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rim e no meio das costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, não ia dá pra olhá nos teus olho mermo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8862008836525951352?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8862008836525951352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8862008836525951352' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8862008836525951352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8862008836525951352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/11/olho-no-olho.html' title='Olho no olho'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SwwtlRfvJkI/AAAAAAAAAUA/g0rR3pa3a-g/s72-c/sangue01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-7820171723041431740</id><published>2009-11-02T16:11:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T14:01:03.585-08:00</updated><title type='text'>O Velho do Rio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SvBaGlaIjqI/AAAAAAAAATw/meOMlPIj6Yc/s1600-h/o+velho+do+rio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SvBaGlaIjqI/AAAAAAAAATw/meOMlPIj6Yc/s320/o+velho+do+rio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399915022384664226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 0, 0);font-family:verdana;font-size:180%;"  &gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 0, 0);"&gt;spírito Santo ali nas margens secas do Rio Iatúnas, pouco antes da entrada do Manguezal, vive o Velho do Rio. Essa história quem me contou foi meu avô, que disse que o avô de seu avô havia encontrado esse velho, no caminho para São Paulo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da estrada, o tempo fechou, os cavalos um cansou, outro fugiu. Ficaram no mato: o avô do avô de meu avô, três crianças, tataravó e o Simão. Ainda não havia a ponte, mas era onde ele morava que fizeram ela. É o que contam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simão, coitado, era pele e medo. Se agachou - que sua "Chica" se foi nas alturas da Bahia - e chorou por dois dias. Na terceira lua, seu gemido sumiu. As crianças juravam que Simão virou pedra, os ossos se fecharam de nunca mais abrir e a boca aberta da saudade que não preenchia ficou um oco numa pedra estranha vazada de pé e mão que lembrava um corpinho fraco, agachado no mato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tataravô seguiu depois do cavalo acabar, queria achar um rio. Pra achar gente, comida e seguir. Caminho serpenteava de não ter como procurar estrela na mata fechada. A coisa de duas luas ele voltava com uma paca, cotia, raposa e depois levava tataravó e as crianças para descer mais com ele. Sempre assim até Marieta, pequena mais pequena das crianças, pegar bicho do pé. Era ruim que ia morrer, mas era bom que devia ter rio por perto. Daí não ia todo mundo morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando o barulho da água correndo bateu junto com barulho de flauta soprada e correram loucos mata adentro com a flauta e a água cada vez mais altas. Levou coisa de minuto para encontrarem um rio longo, plano, chato, com as água escura e a margem seca quebrada. O leito era pra mais de trinta passos e não parecia assim muito amigo de se atravessar. Coisa que perceberam que não tinha era peixe pulando, nem movimento que se visse, daí a correnteza. Do outro lado, um velho, sentado, tocando flauta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo animou a imaginação dos pequenos e nem Marieta parecia sentir o tropeço que esguichou sangue da corrida na mata. Ficou de planta do pé de esquerda e ponta do pé de direita, ali tosca magrela, abraçada com outro pequeno, e olharam o velho como se fosse um deus, ali, tocando a flauta. Foi quando ele parou, abriu as pálpebras recheadas de um branco vazio que nem o nada, levantou cabeça e fechou de novo os olhos. De longe o rosto ficava todo branco da gente ver só o queixo de tanto o velho jogava cabeça pra trás. Parecia sentir a gente pelo cheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Velho puxou uma vareta de bambu enrolada de pano velho amarelo e preto por dentro da roupa, levantou e seguiu para o sul usando a bengala para marcar seus passos e apontando pro povo do outro lado do rio que seguisse também. Pra lá de duzentos passos as margens estavam coisa de vinte passos, mas aquele rio parecia enganar demais. O avô do avô de meu avô prendeu uma pedra num enganchado de dois cintos e jogou na água. A pedra foi puxada pra baixo e pra direita rápida que nem cobra d'água e arrebentou o cinto de um dos pequenos, que agora ia andar carregando a calça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho sentou do outro lado. Era onde as margens ficavam menores, lá pra frente não se encontravam mais e o velho disse que era só o oceano antes daquelas margens se encontrarem. Sentou, tirou sua flauta de dentro da roupa e tocou. Tocou e a Marieta ficou perturbada. Não fosse o pequeno das calça-arriada pegar pelo pulso, ela ia se meter na água e nadar. Todo mundo estranhou aquilo. O avô do avô de meu avô disse ao velho que parasse de tocar, que ele ia tacar uma pedra lá do lado de lá do rio na cabeça do velho, se não parasse. O velho baixou a flauta da boca e perguntou a razão. Foi daí que eles começaram a gritar de um lado e do outro do Rio. Primeiro de raiva, depois de prosa, interesse. Até que o velho tava contanto história pra toda aquela gente miúda, do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contou que tudo era criação da cabeça deles, inclusive a distância das margens do Rio. Que a cabeça deles era como o rio, que o imenso do que se pode ver na superfície nunca é nada do universo que acontece por baixo. Entre o restrito da imagem de cima e o infinito da vida veloz por baixo, é que opera nossa cabeça; tateando no escuro nunca sabendo nenhum fundamento. O velho era bom de história e encantava os pequenos, tataravó e tataravô. Até altas horas que se irritou de contar história e zangou com o avô do avô de meu avô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer ser você ou ser o Velho do Rio? O Velho do Rio sou eu. Eu sou eu das histórias, se você ouvir todas vai deixar de ser você, vai virar Velho do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando o avô do avô de meu avô soltou a corda que amarrava Marieta na margem de cá do rio, o Velho tocou sua flauta, Marieta sangrou pela margem até o lado de uma Siriúba velha e colocou o pé no rio. Marieta andou sobre as águas até o lado de lá, que foi como o avô percebeu que tinha pedras altas no leito do rio naquele ponto. Todos correram atrás de Marieta, na frente os pequenos, que deviam ser irmãos, mas chegando do outro lado do rio não havia velho nem Marieta, só essa flauta aqui, que tava no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-7820171723041431740?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/7820171723041431740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=7820171723041431740' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/7820171723041431740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/7820171723041431740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/11/o-velho-do-rio.html' title='O Velho do Rio'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SvBaGlaIjqI/AAAAAAAAATw/meOMlPIj6Yc/s72-c/o+velho+do+rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-280080013063029393</id><published>2009-10-10T12:38:00.000-07:00</published><updated>2009-11-03T08:38:26.687-08:00</updated><title type='text'>Rosas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/StDkJfosOSI/AAAAAAAAATg/r8ZDpXCgm44/s1600-h/rosas01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 268px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/StDkJfosOSI/AAAAAAAAATg/r8ZDpXCgm44/s320/rosas01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391059605724608802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;S&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;andra achava ele lindo. Seus olhos castanhos eram levemente puxados, não como orientais, mas como dos esquimós, como da Björk, quase Richard Gere. Alto, cabelos pretos lisos e com um olhar entre a indiferença entre aquela tarefa e a curiosidade sobre as reações dela. Já era a terceira vez que ele vinha à sala de Sandra entregar uma carta linda, mas dessa vez trouxe flores. Sempre de calça jeans e uma camisa social, ele se aproximou e as meninas do escritório todas fizeram piadas e gracejos, o Almeida levantou e foi ao banheiro, claramente irritado com o ibope do rapaz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu muito timidamente para Sandra e entregou-lhe as rosas colombianas, gigantes, com um cartão preso no arranjo por um clipe de papel verde de tamanho descomunal. Os olhos de Sandra passaram completamente através das rosas e se encaixaram fixos sobre aqueles olhos castanhos repuxados. Ela quase conseguiu ver um sorriso naquele olhar, mas mesmo que ele existisse, ela não veria, tal era a proximidade que estava daqueles olhos. Entre eles, as rosas colombianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz deixou as rosas nas mãos de Sandra e virou-se rápido para a porta da sala. Em quatro passos já estava virando à esquerda e saindo da vista de todos, deixando a pergunta sobre o nome dele na boca entreaberta de uma Sandra que segurava o buquê com o interesse que seguraria um papel qualquer do escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignorando olhares e comentários, sentou-se atrás de sua mesa e ficou olhando fixa para a porta, como se aquele lindo entregador viesse aparecer a qualquer momento para trazer qualquer outra carta, flor ou bom-bom que seria prontamente ignorado. Percebeu que o buquê era enorme e que ela estava abraçada a ele, pensando nos olhos castanhos. Colocou de qualquer forma o buquê em cima da lata de lixo – era o que mais se aproximava de um vaso por ali -, tirou a carta do clipe e colocou em cima da mesa. Voltou ao trabalho com a cabeça recheadas de imagens do dia em que aquele entregador trouxesse flores dele próprio, mesmo que fosse apenas uma rosa, e das pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às seis horas arrastou tudo o que havia dentro da mesa para dentro da bolsa e saiu apressada para nada. Mentira, apressada para uma aula de spinning, outra de boxe e uma noite de quinta-feira com sorvete de macadâmia e filme na TV a cabo. As flores ficaram no lixo e foram pegas pelo seu Antenor, da manutenção,cuja esposa teve uma quinta-feira inesquecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, depois de levar dois cruzados na aula de boxe por baixar a guarda para ver no espelho se seu cabelo estaria bonito, abriu a bolsa de cabeça para baixo em cima da cama para fazer seu ritual de troca de bolsa de trabalho para o dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre cadernos, agenda, celular, contas e revistas de moda e comportamento viu o envelope verde claro da carta que veio junto com as flores. Respirou fundo afetando uma careta de indiferença, quase como se imaginasse que estaria mostrando ao rapaz de olhos castanhos que não dava a mínima para quem quer que fosse o tal admirador secreto, se recostou na cama com a carta na mão e o controle remoto na outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda faltavam cinco minutos para o filme. Abriu o envelope, que começava com uma citação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“São João da Cruz faz da flor a imagem das virtudes da alma e o buquê que as reúne é o símbolo da perfeição espiritual” – Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, dicionário dos símbolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A flor é idêntica ao elixir da vida e a floração é o retorno ao centro, à unidade, ao estado primordial. A rosa, particularmente, traduz a alma, o coração, o amor. Quando nos aproximamos para sentir seu aroma, delicado, aproximamos o nariz do centro da rosa e, se olharmos para ela assim, é possível contemplá-la como uma mandala perfeita e considerá-la como um centro místico. A rosa vermelha, por sua relação com o sangue derramado, converte-se na imagem de um renascimento místico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero renascer em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei onde você trabalha, mas só isso. Quero que você me diga, quando quiser, as demais informações. Por favor, deixa seu telefone com o entregador amanhã às onze.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra jogou a carta de lado e ficou pensando em como o Eric Bana estava lindo e gostoso como Heitor em Tróia. Por quase uma hora e meia, até desmaiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou atrasada e com as roupas de ontem, tomou um banho corrido e um iogurte, colocou comida para a gata, uma maçã e um cacho de uvas num saco plástico dentro da bolsa e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às dez e cinqüenta e cinco um marca-passo imaginário prenunciaria um ataque cardíaco em Sandra. Era a primeira vez que sabia quando o entregador viria. O dia e a hora. Onze em ponto e os olhos fixos de Sandra deixavam sua boca seca, não fosse o batom e o entregador – que ainda não tinha aparecido – veria seus lábios esbranquiçados, todo o fluxo de sangue parecia estar indo para a boca do estômago, seus dedos, imóveis sobre o teclado, pareciam não ter peso algum e também não ter força nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às onze e três ele chegou, acompanhado de uma inspiração profunda que elevou os seios de Sandra e travou-lhe as costas. A língua, livre, percorreu os lábios e o interior da boca, umedecendo, receptiva. Quando deu por si o rapaz, alto, já estava de frente para a mesa de Sandra, parado, esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É... oi. – levantou-se às pressas e tropeçou na lata de lixo, foi quando percebeu que as rosas não estavam mais lá – você está esperando um cartão ou um papel, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso. – disse o rapaz, com os olhos cravados nos olhos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem tirar os olhos daqueles olhos incríveis do entregador, Sandra respirou e disse:&lt;br /&gt;- Eu decidi que não posso entregar esse papel para o seu chefe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz deixou que seus lábios e olhos se abrissem de leve denunciando um ar de espanto, olhou para o chão por alguns milésimos de segundos, piscou e voltou a encarar Sandra quando percebeu que ela procurava o olhar dele com o dela:&lt;br /&gt;- Não posso entregar esse papel porque estou interessada em outra pessoa. Uma pessoa que eu tenho visto bastante ultimamente e que tem me feito ignorar rosas, cartas, declarações esperando o momento de ela atravessar aquela porta ali, dia sim, dia não, com alguma carta linda, mas que não me move a nada, porque tem um cara muito mais interessante, que traz essas cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O entregador, com uma expressão indecifrável, como se buscasse algo na memória, diz:&lt;br /&gt;- Bem, meu... patrão disse que esperava que seus gestos de carinho e afeto pudessem ser valorizados com uma chance, um passo, um movimento, um telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sorriso complacente, como o que damos a crianças, passou pelo rosto de Sandra, enquanto sua cabeça negava o pedido e seus olhos permaneciam fixos nos do entregador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele mordeu os lábios, expirou rapidamente como se perdesse todo o ar até então rígido e sério com que se portava e assumisse repentinamente uma expressão corporal e facial de quem pode facilmente dominar o ambiente e diz:&lt;br /&gt;- Quer dizer que nenhuma das ações dele, nenhum gesto de carinho, interesse, dedicação serviram de nada? Não importam suas ações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela mordeu os lábios achando toda aquela mudança de postura muito, mas muito sexy mesmo. Estava se derretendo na frente de seus colegas de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que pena... Quando sentei do seu lado no restaurante aqui da esquina, a duas semanas, e ouvi você conversando pelo telefone com sua mãe, acreditei realmente que você fosse valorizar determinados atos. Você disse a ela: “Não mãe, não existe esse tal cara que entrega flores, que escreve bonito, é carinhoso e sensível. Se existir é gay, tá casado ou não vai querer nada comigo.”. Te achei uma mulher linda, mas além disso, principalmente, uma mulher que fosse valorizar os atos de um cara carinhoso e sensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boca aberta entre o espanto e um esboço raso de sorriso de Sandra gaguejou sons indistintos enquanto a mão do “entregador” pegava na dela e ele sorria.&lt;br /&gt;Ela olhou pro chão, piscou os olhos e olhou para ele pela primeira vez como um homem. Apertou suas mãos nas dele.&lt;br /&gt;- Desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu e piscou o olho esquerdo.&lt;br /&gt;- Que isso não se repita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-280080013063029393?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/280080013063029393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=280080013063029393' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/280080013063029393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/280080013063029393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/10/rosas.html' title='Rosas'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/StDkJfosOSI/AAAAAAAAATg/r8ZDpXCgm44/s72-c/rosas01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-3582365608229059307</id><published>2009-10-09T18:41:00.000-07:00</published><updated>2009-11-03T08:40:14.390-08:00</updated><title type='text'>Quatro Ossos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Ss_nxaTrt2I/AAAAAAAAATQ/NecZRgqTLuk/s1600-h/quatro+ossos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; 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A porta do quarto ficou entreaberta, o som da fechadura poderia acordar Ana Luísa. Pensou em sentar e escrever um bilhete, mas a cadeira pesada, o chão de taco, melhor não. Pegou um papel amarelo de uma caixinha ao lado do telefone e rabiscou com pressa sobre a mesa de vidro. Grudou na geladeira com um ímã-foto do batizado do sobrinho que agora já tinha seis anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pegou as chaves do carro, colocou um tênis velho e desceu pela entrada de serviço. Encontrou Neuza, a diarista octogenária que trabalhou para seus pais e agora era babá de Ricardinho, seu pequeno de dois anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- E aí, Neuza? Pegou a galinha?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Neuza abriu a mochila da “nyke” comprada na Central do Brasil, remexeu um saco preto e, antes que abrisse, Durval já ouvia claro os cacarejares da ave.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Não abre não, Neuza. Deixa. Lá a gente vê como vai fazer com isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Seguiram pela saída de serviço e Clodoaldo, porteiro da noite, estranhou ter que abrir a porta para “seu” Durval de boné, tênis e camisa de malha saindo de noite com Neuza. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desceram a ladeira da rua, pegaram um táxi até Caxias. Depois de três instruções de Neuza – passando por uma área de mato alto onde a luz da cidade vazava longe e as estrelas perdiam a timidez metropolitana – chegaram a um muro cinza, chapiscado de cimento e encimado por cacos de vidro verde escuros. O portão era um só, para carros, e passava por cima de um trilho que corria da direita para a esquerda. Durval pagou a corrida, pediu que o taxista esperasse e saiu com a mochila de Neuza na mão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao aproximar-se do portão, ouviu o som metálico de uma grossa corrente de ferro sendo remexida até cair elo a elo no chão. O portão deslizou suave. Quase nenhum barulho. Lá dentro sorria uma senhora cercada de dois cachorros de grande porte, um branco, um preto. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Durval deu um passo para dentro do terreno, passando o pé pela linha divisória por onde correu o portão. O cachorro branco chegou mais perto, olhou fixo para a mochila nas mãos de Durval e rosnou. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Calma, Apolo! – Disse a senhora. A voz era a mesma que havia conversado com Durval no início daquela semana, no telefone, mas o tom, severo, seguro, era bem diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O cão parou, como uma estátua, olhando fixamente para a mochila e, coisa de segundos que para o amedrontado Durval pareceram anos, sentou na grama baixa. Os olhos de Durval procuraram afoitos aos da pequena idosa que havia parado quase magicamente aquele cão enorme. Procurava o consentimento para entrar. Ela assentiu com os olhos e um sorriso nebuloso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Boa noite, senhor Durval! Vejo que trouxe o que lhe pedi. Se Apolo teve essa reação a galinha é bem gorducha e nova, certo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Na verdade não sei. Neuza foi quem me trouxe ela. – Disse o nome e lembrou-se de olhar em volta para procurar sua velha empregada, quase como uma segunda mãe. Encontrou Neuza recostada no muro da casa, do lado de dentro, sentada sobre um banquinho de madeira. Olhava fixamente para o cachorro preto, que não havia se mexido e, não fosse a cor viva de seus olhos, Durval pensaria que era uma estátua de mau gosto ao lado da velha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Neuza, pode vir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Aqui tá bom “Dudu”. Tô te vendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Durval virou-se para frente e estranhou que, sem ouvir nenhum som na grama, a senhora já estava de frente para ele – coisa de uns sete passos de onde estava antes – e o cachorro preto estava, de novo, ao lado da senhora, sentado. O único que permanecia parado, onde estava antes, era Apolo, o cachorro branco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Bem, o que eu devo fazer agora?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Primeiro o senhor se acalme. As batidas do seu coração eu posso ouvir, imagine os cachorros. O senhor está segurando essa mochila com as duas mãos, em frente ao joelhos... por que não aproveita a posição e coloca sua mão direita pra sentir a pulsação do punho esquerdo? Conte vinte pulsações. Os cães ficarão onde e como estão. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Durval sentiu seu punho gelado e levou um tempo para encontrar o pulso. Foi contando então até vinte. Antes que pudesse finalizar a contagem a senhora virou de costas e fez sinal que a acompanhasse:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Já está bem melhor meu filho. Apolo, junto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Seguiram dando a volta por trás da casa e Durval podia sentir os olhos de Neuza se perdendo da imagem dele. Um arrepio percorreu-lhe a espinha, mas seguiu cada vez mais confiante pelo menos de que os cachorros eram muito bem treinados e bem obedientes. Afinal, ele era o estranho naquele ambiente e era natural que o cachorro ficasse nervoso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Atrás da casa de madeira da senhora havia uma pequena elevação, uma espécie de morrinho ladeado por uma parede quase vertical de terra e pedra. A senhora levou Durval até essa parede e o fez virar de costas para ela, de frente para a casa. Durval se assustou com a proximidade que os dois cães estavam dele. A um salto estariam em cima dele. A distância que a senhora estava dos cães era a que os cães estavam das coxas e cintura de Durval.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhando rapidamente através daquelas duas manchas, negra e branca, divisou os olhos da velha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- E agora?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Agora você precisa que essa galinha morra, porque você vai precisar de quatro ossos dela daqui a pouco. Mas se você tirar uma vida vou ter que limpar tua aura ruim e isso leva dias. Acho que o senhor não quer voltar aqui amanhã e depois...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- E o que eu faço?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você pensa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Durval abriu a mochila instintivamente. Mesmo sem saber ainda o que aconteceria, o que deveria fazer. A galinha era marrom, parecia nova e era mesmo bem gorducha. Se mexeu demais enquanto Durval abria o saco preto dentro da mochila e, sem querer, Durval pegou ela pelo pescoço. A fragilidade daquele pescoço, ainda mais com aquele bicho barulhento se debatendo e soltando penas, fez com que Durval se lembrasse: Eu não quero vir aqui de novo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi quando através da bruma desfocada do seu ângulo de visão, ele percebeu a ausência das manchas negra e branca. Olhou rapidamente para frente e para os lados. Apolo à sua direita, o cão preto à sua esquerda. Os dois rosnavam e se aproximavam da linha da cintura de um Durval agora desesperado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não se sabe se foi sorte, o pensamento rápido de Durval, a galinha se debatendo ou o quê, o fato é que a galinha soltou-se e se destrambelhou pelo chão à frente de um Durval atônito e ansioso. Em menos de cinco minutos os cães haviam limpado a carne dos ossos da galinha. Durval ainda não sabia se havia “matado” ou não. Olhou para a senhora, que, por algum motivo, parecia estar achando muita graça naquilo tudo e, sem pestanejar, esticou o fino indicador em direção ao meio dos dois cachorros e, no entender de Durval, despejou uma gota de veneno:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você precisa dos ossos. Quatro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Durval olhou para os cães. Entretidos com a carne. Os ossos pareciam ter sido deixados de lado. Se aproximou lentamente por perto do cachorro preto – ele ficava mais quieto que o cão branco, o tempo todo – se agachou ao lado do cachorro e mirou a mão num pedaço de costela quebrada que estava ao lado da pata esquerda do animal. Com grande agilidade Durval pegou o osso, na verdade dois ossos vieram juntos e, no momento em que voltava seu cotovelo para trás, retraindo o braço, a mandíbula do cão negro se agigantou por sobre o antebraço de Durval e, não fosse a intervenção – a estranhíssima intervenção – de Apolo, provavelmente a noite de Durval terminaria numa anti-rábica num hospital público mais próximo. O mais estranho de tudo: o salto de Apolo para cima do cão preto jogou dois ossinhos em cima do pé direito de Durval.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A mão leve e magra da senhora tocou o ombro esquerdo de um Durval ainda atônito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Alguém está com sorte hoje. Vamos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pegou os dois ossinhos ao lado de seu pé direito e seguiu a velha por alguns passos em direção ao muro que prenunciava o pequeno morro atrás da propriedade. Só uma vez olhou para trás e a cabeça de Apolo estava levantada, olhos fixos nele. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao aproximarem-se do muro de pedras, a senhora pediu-lhe que retirasse uma das pedras. Indicou qual. Não era grande, nem diferente das demais. Durval encaixou o pé na pedra, prendeu o quadríceps como apoio e usou os músculos das costas para puxar... e com que facilidade ela veio!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma fenda negra se abriu, uma fenda vertical e profunda. A boca da senhora estava perto demais da orelha esquerda de Durval quando ele ouviu: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Uma batida, sim, duas, não, três, talvez. Use os ossos. Uma pergunta por vez. Juntando as perguntas, você junta as respostas e pode não fazer sentido. Vou ver os cachorros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se aproximou da fenda, ladeada por gramíneas e arbustos, enquanto enfiava bem no fundo do bolso da calça os quatro ossos. Avançou a direita e tocou na lateral, molhada de orvalho, enquanto uma brisa quente e leve chegava por dentro da fenda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sem tirar a mão direita da fenda, separou com os dedos da esquerda um dos ossos no bolso, levantou e tentou entrever o fundo daquela reentrância na pedra. Nada. Escuro total.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Respirou fundo e se compenetrou na pergunta:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Aqueles telefonemas noturnos, depois da viagem de trabalho de Luisa a Fortaleza, eram de algum homem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Jogou o osso com força, quase com raiva de si mesmo por chegar até ali, por não conseguir confiar plenamente na esposa. Por achar tanto que ela mentia que amaldiçoava o ar que saía de sua graganta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tic, tlak, tec, tik.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quatro vezes. O que são quatro batidas? “Sim, não, talvez... sim de novo?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Respirou fundo e pensou na outra pergunta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ela ainda me ama?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Jogou o ossinho com menos força e mordeu os lábios e encolheu os dedos dos pés dentro do tênis enquanto ouvia as batidas do ossinho dentro da fenda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tlac, pec, tik.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Talvez? Que merda de resposta era “talvez” para uma pergunta dessas? Pra Durval ou ama ou não ama. Por algum tempo tudo ali parecia ridiculamente infantil e sem sentido e ele pareceu a si mesmo uma criança grande de short, meia social e tênis jogando ossos de galinha num buraco no muro no meio do nada. Pressionou as laterais da boca uma contra a outra como quando não queria dar atenção a alguma infantilidade de algum colega no trabalho, ou quando algum sobrinho lhe falava sobre desenhos animados etc. Se sentiu ridículo ali... “talvez”? Lembrou do táxi esperando do lado de fora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando deu por si, sua mão já estava dentro do bolso, acariciando suas duas outras respostas. Tirou o terceiro osso do bolso. Pergunta direta, sem rodeios.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ela está me traindo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Respirou fundo e jogou o osso, prendendo a respiração num aspirar profundo e congelado que estufou-lhe o peito como se criasse uma barreira à notícia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- tlec, plac, tik... tik... &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quatro batidas? “Sim? Eu vou matar aquela filha da puta!” Durval andava em círculos, repentinamente enérgico e cheio de si, socou o muro de pedras e talvez tivesse quebrado o pulso, mas não sentia nada além de ódio e o mundo girando. Agachou na grama e de seus olhos vermelhos descia a lágrima quente enquanto ele esmurrava o chão rangendo os dentes. Olhou para trás na esperança de encontrar o cachorro preto e aceitar seu desafio. Queria matar alguma coisa, precisava sentir sangue nas mãos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Alergia a camarão! Aquela vadia tem alergia a camarão! Eu vou mandar a Neuza fazer um bolo de batata batido com um quilo de camarão e rechear com sardinha, ela come e eu espero quarenta minutos pra chamar a emergência. Vou ver a piranha agonizando! Em vinte ela pára de respirar. Melhor: vou me descabelar, pegar ela no colo e descer o elevador gritando, só não posso chamar a ambulância. Tenho que meter ela no carro e ficar dando volta até o hospital.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não ocorreu a Durval pensar em como a alergia a camarão e a idéia do bolo de batata haviam aparecido tão subitamente, como uma solução mágica, para um problema tão grave. Como se determinadas idéias, com requintes e detalhes, se formassem assim, do nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Importante é servir ela quando o Ricardinho estiver na casa da Gabriela... meu Deus, o Ricardinho! Eu não posso tirar a mãe do meu filho! Mulher infeliz, filha-da-puta desgraçada!” &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mordeu as paredes internas da boca até sentir o gosto ferruginoso do sangue. Ajoelhado, arrastou a cara na grama negando com a cabeça. Socou, com sua mão direita o solo e jogou as costas para trás com o impacto do soco. A mão esquerda, ainda com o último do ossinhos da galinha, abriu o braço para trás, dando um soco no vazio: “Que ela morra!!!”. O ossinho se desprendeu da mão de Durval e voou em direção à fenda...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;...tik.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Latidos. Fortes latidos no portão da casa. Barulho de mulheres gritando... Luísa!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Correu para circundar a casa de madeira quando viu Apolo vindo em sua direção. Ele latiu. Barrou seu caminho. Mas diante da fúria de Durval, que não desacelerou nada frente ao enorme cão branco, Apolo simplesmente baixou o focinho e fechou os olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na frente da casa Durval passou correndo por Neuza, que gagejava aos prantos, apontando para o portão do terreno:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Do-dona Lu-Luísa veio a-atrás da da gente! ... o ca...chorro preto!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Durval seguiu em direção ao portão, desacelerou o passo. Uma trilha vinho de sangue seguia até atrás do poste de luz mais próximo do muro. Ao acostumar-se à escuridão por trás do facho de luz do poste, ajoelhou, riu e chorou. “Na goela, desgraçada, na goela.” Viu que o cão negro tinha tetas, e terminava de mastigar a jugular de Luísa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-3582365608229059307?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/3582365608229059307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=3582365608229059307' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3582365608229059307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3582365608229059307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/10/quatro-ossos.html' title='Quatro Ossos'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Ss_nxaTrt2I/AAAAAAAAATQ/NecZRgqTLuk/s72-c/quatro+ossos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-5924351276431060973</id><published>2009-10-08T11:03:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T11:29:30.422-07:00</updated><title type='text'>Hannah</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Ss4vLZ6SeEI/AAAAAAAAATA/vsgRIlaJPQA/s1600-h/hannah02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390297676989495362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 118px; CURSOR: hand; HEIGHT: 89px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Ss4vLZ6SeEI/AAAAAAAAATA/vsgRIlaJPQA/s320/hannah02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;- … oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessaram a faixa em botafogo e seguiram em direção a uma rua entre a Cobal e a Real Grandeza. Ele mergulhava o queixo no peito, mordia os lábios, apreensivo. Ela olhava os prédios ao redor, parecia pensar por imagens que se formavam à sua frente. Na outra calçada deu um soco no ombro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito doido isso, não acha?&lt;br /&gt;- Muito...&lt;br /&gt;- Cara, você é muito maluco. Me cutuca no Orkut, me faz ir atrás de fotos de vinte anos atrás pra lembrar de você, fica semanas conversando comigo marcando de gente vir aqui até a curiosidade juntar com a falta de saco de dizer “não” de novo, aí eu venho e você fica paradão, viajando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para ela com carinho, mas com um olhar confuso, como se não reconhecesse ali, a coisa de trinta centímetros de seu rosto, Hannah, sua namoradinha de jardim de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sempre teve olhos verdes?&lt;br /&gt;- Não, mandei pintar antes de vir - É veludo acetinado semi-brilho! – claro que eu sempre tive olhos verdes, doido.&lt;br /&gt;- Não. Pra mim você tinha olhos castanhos e cabelos pretos... e o penteado da Lois Lane, mas cabelo a gente muda e até ficou melhor assim, mas cor dos olhos... sempre foi castanho, e escuro, pra mim.&lt;br /&gt;- Volta lá no teu HD e passa o Photoshop então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram mais alguns passos para dentro daquela perpendicular entre a São Clemente e a Voluntários. Ele olhava para os pés dela. Ela para os olhos dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer dizer que meus cabelos ficam melhores mais longos, mas meus olhos ficariam melhores castanhos?&lt;br /&gt;- Não é isso. É que na minha cabeça você era uma Penélope Cruz, ou uma Catherine Zeta-Jones, não Liv Tyler. Faz parte da imagem.&lt;br /&gt;- Uhu! Liv Tyler, tô bem hein! Boa cultura hollywoodiana, doido. Por isso eu não queria te encontrar. Não íamos nos conhecer, quer dizer, eu ia, ou eu vou. Já nem sei. Mas você quer resgatar uma imagem de Hannah que não existe. Talvez nunca tenha existido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou. Segurou pelo braço o rapaz e olhou firme em seus olhos. Ainda havia alguma sorte de repugnância no olhar dele. Repugnância não porque achasse os olhos verdes feios, simplesmente eles estavam errados. Talvez não tivessem consciência de seu erro e por isso insistissem nele. Fechou e abriu lentamente os olhos, disposto a vê-los assumir a cor da infância, a cor da memória, ou aceitar o que viesse: ...verdes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, relaxa, eu saí com você, não saí? Não estamos indo passar onde era a nossa escolinha? Pelo menos admito que você me intriga, que fico curiosa, que adorava como gargalhava das tuas bobagens na internet, que algum interesse tá acontecendo aqui. Meus olhos são verdes e eu não posso competir com uma imagem. É surreal... e injusto.&lt;br /&gt;- Desculpa. Foi... tá sendo... estranho. Você tem razão, é que algo do teu charme tava na aura da beleza pela atmosfera que te envolve, mais que na beleza bruta.&lt;br /&gt;- Minha beleza é bruta?&lt;br /&gt;- Duas pedras nos teus olhos.&lt;br /&gt;Franziu a testa de uma forma que duas mechas castanho escuras lhe caíram pela face, enquanto contraía os lábios:&lt;br /&gt;- Pedras?&lt;br /&gt;- Esmeraldas.&lt;br /&gt;As laterais de seus lábios se elevaram carinhosamente enquanto a área entre suas sobrancelhas se alisava e a cabeça pendia levemente para a esquerda:&lt;br /&gt;- Elogio grosseiro mais bonitinho que já recebi.&lt;br /&gt;- Desculpa.&lt;br /&gt;- Nem tem do quê. Continue assim e estaremos bem. Vamos sentar ali? Naquele café?&lt;br /&gt;- Mas o Colégio é bem ali, na outra curva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto entrava no café e puxava uma cadeira, disse, de costas:&lt;br /&gt;- Planeja morrer hoje?&lt;br /&gt;Ele sequer puxou a cadeira que já havia alcançado, à frente dela. Pousou a mão sobre o encosto de madeira e olhou atônito enquanto ela sinalizava que sentasse.&lt;br /&gt;- Como é?&lt;br /&gt;Hannah respirou fundo e desceu os olhos dos dele até o cardápio lentamente enquanto ia falando:&lt;br /&gt;- Planeja morrer hoje? Tem planos de deixar esse mundo material nas próximas horas? Pretende resgatar algum sonho de pureza transcendental, infantil e assexuado num relacionamento doentio com uma pessoa que provavelmente você preferiria não conhecer porque ela não tem mais 6 anos de idade e seus olhos não-castanhos e sua altura de mais de um metro e meio poderiam te assustar? Então: você não vai resgatar isso, essa imagem, essa criança. Nem a sua nem a da Hannah. E se você pretendesse que o resgate que você está procurando fosse dar algum sentido para a sua vida... e sabendo agora – porque eu estou te falando – que ele não vai acontecer, porque diante de você existe outra Hannah como diante de mim existe um outro cara que não meu namoradinho de seis anos de idade, isso podia mudar a direção de tudo. Talvez tudo perdesse o sentido. Você não vai resgatar a “Hanninha” depois daquela esquina, daqui a meia hora. Agora que já ficou bem claro: você planeja morrer hoje por causa disso? – disse quase sem expressão enquanto lia o cardápio.&lt;br /&gt;- Não...&lt;br /&gt;- Então podemos ir lá daqui a meia hora. Gosta de cappuccino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: Renato Kress&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-5924351276431060973?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/5924351276431060973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=5924351276431060973' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5924351276431060973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5924351276431060973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/10/hannah.html' title='Hannah'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Ss4vLZ6SeEI/AAAAAAAAATA/vsgRIlaJPQA/s72-c/hannah02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-5028333895430144623</id><published>2009-09-26T19:38:00.000-07:00</published><updated>2009-11-03T10:44:37.481-08:00</updated><title type='text'>Alba</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sr7SULY2LnI/AAAAAAAAASw/QG6dKzMijZ0/s1600-h/alba.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; 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Livros, cadeiras, móveis, estantes, cd’s, suas imagens se perdiam numa espécie fria de pedreira seca de grandes e pequenas pedras quadradas enroladas com fita isolante. No corredor nenhuma foto. Pregos órfãos silenciavam sobre as memórias que sustentavam a alguns dias. A aurora, rosada, parecia envergonhar-se daquele momento, de ser o prenúncio do fim daquela noite.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhava fixamente para Alexandre, deitado de costas. As costas nuas, as mãos por baixo do travesseiro, os lençóis mal cobriam suas coxas. Tentava contar as milhares de pintas daquelas costas, aquela pequena constelação daquele pequeno universo íntimo. A aurora, subindo por sobre o horizonte, roseou as paredes brancas como nunca. Nunca estiveram tão nuas, tão entregues. Daniela sorriu. Alexandre esticou o braço para o lado, não achou Daniela, levantou a cabeça.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Esse seu perfume, qual é?&lt;br /&gt;O rosa do universo, os olhos apertados e a franja sobre o rosto dele davam um aspecto engraçado ao rosto inchado de sono.&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;- Que perfume é esse, lindo?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Levou o pulso ao nariz e inspirou profundamente.&lt;br /&gt;- XS, amor. Da Paco Rabanne. Não gosta?&lt;br /&gt;- Amo. Vou comprar. Pra lembrar de você. Tô com ele no meu corpo todo.&lt;br /&gt;- Vem aqui bonita...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fizeram amor até a aurora morrer nos braços loiros do sol, antes acariciando, beijando, mordiscando, depois mordendo, pressionando, cravando, então gemendo, suando e urrando. Nasceram com o dia. Sentaram no chão da pequena varanda, sem móveis. Alexandre com as costas sobre a parede, Daniela sobre o peito de Alexandre, silêncio de minutos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Duas horas depois saíam. Alexandre recebia o pessoal da mudança, Daniela pegava um táxi. Alexandre para  Tubarão, Santa Catarina. Daniela chegou meia hora atrasada para o chek-in. Um ano na Austrália.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Conto e Receita: &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold;font-family:'Times New Roman';font-size:180%;"  &gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-5028333895430144623?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/5028333895430144623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=5028333895430144623' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5028333895430144623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5028333895430144623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/09/alba.html' title='Alba'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sr7SULY2LnI/AAAAAAAAASw/QG6dKzMijZ0/s72-c/alba.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-3579394002063486526</id><published>2009-07-01T15:29:00.001-07:00</published><updated>2009-11-03T10:45:45.252-08:00</updated><title type='text'>Espelhos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SqzxZ1uLcwI/AAAAAAAAASg/sT7RN5geXmE/s1600-h/espelho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SqzxZ1uLcwI/AAAAAAAAASg/sT7RN5geXmE/s320/espelho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380941081020691202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);font-size:180%;" &gt;P&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;edro viu Rafael arrastando o espelho da porta do armário para cima. Rafael andava meio estranho de noite, inquieto, calado. Havia comprado um binóculo há duas semanas e ficava, no escuro, observando uma vizinha do outro lado da rua que havia comprado uma esteira e corria, todas as noites, às nove horas, perto da janela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro via Rafael na varanda, deitado na rede, de binóculo, ou no quarto ajoelhado por trás das cortinas. Pensava que a vizinha iria aposentar a tal esteira: "Ninguém compra isso e realmente usa por muito tempo, já já vira cabide." Bem, Rafael estava arrastando o espelho da porta do armário para cima. Pedro não resistiu: "Quer ajuda seu maluco?", "Se você quiser me ajudar"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puseram aquele espelho de pouco mais de um metro e meio de altura em pé, fora da porta. Sequer era pesado, o trabalho ficava por conta da fragilidade mesmo do objeto. Pedro desceu para jantar na rua, dia de feijoada na Adega do Juca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael abriu as cortinas, acendeu a luz - coisas que não fazia, no quarto, há algum tempo - observou nitidamente a janela da vizinha. Ela ainda não estava lá. Olhando fixamente numa linha reta imaginária entre a janela dele e a janela dela, marcou com um giz, no chão, um espaço. Havia um espelho, ao lado da esteira dela, do lado de fora da porta do armário. Correu para o outro quarto. Pegou o espelho com cuidado, trouxe desviando dos batentes das portas, aquela fina liga metálica envidraçada e colocou na parede. Não ficaria reto. Cairia para a frente. Colocou inclinado, mas, com receio do espelho deslizar para frente, tirou os tênis e deixou no chão, em frente a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às cinco para as nove ela chegou, tirou a blusa, ficou de top e calça de ginástica e começou a andar na esteira, Rafael só via seu lado esquerdo. As luzes todas acesas, Rafael virou para trás e viu o reflexo andarilho da vizinha e seus longos cabelos negros. Aproximou-se, de lado, nunca em linha reta - não poderia tapar o reflexo dela - do espelho e, beijou-o, acariciou com o dedo mindinho o reflexo diminuto dos cabelos dela. E voltou para a janela, e correu para o espelho. Perdeu-se naquele enamorar até que decidiu ir além. Aquilo tudo era ridículo demais e o fato de seu irmão parecer se divertir com a situação já estava dando nos nervos. Olhando para ela, através do espelho, foi tirando seus joelhos do chão lentamente, apoiando-se nos calcanhares. Foi quando a vizinha olhou - não havia dúvidas, ela olhou - nitidamente para dentro dos olhos de Rafael através do reflexo, daquele ridiculamente pequeno reflexo, Pedro abriu a porta do quarto de sopetão dizendo que nunca mais descia pra feijoada por um motivo idiota qualquer, Rafael, sobre os calcanhares, se desequilibrou, abriu os braços, caiu para frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---*---&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer que a senhorita não sabe como a cabeça do seu vizinho veio parar no seu quarto? E o senhor também não entendeu como encontrou seu irmão decapitado no chão do quarto em cima de um espelho quebrado? Então os senhores por favor me acompanhem que vamo ter que conversar isso lá na DP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receita e Conto: &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold;font-family:'Times New Roman';font-size:180%;"  &gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-3579394002063486526?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/3579394002063486526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=3579394002063486526' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3579394002063486526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3579394002063486526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/07/espelhos.html' title='Espelhos'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SqzxZ1uLcwI/AAAAAAAAASg/sT7RN5geXmE/s72-c/espelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-7219694015117465706</id><published>2009-06-27T12:15:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T21:54:51.594-07:00</updated><title type='text'>Cadáver de Escritor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SozWCfmSOGI/AAAAAAAAASI/iUu1DFpICcs/s1600-h/escritor.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 309px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SozWCfmSOGI/AAAAAAAAASI/iUu1DFpICcs/s320/escritor.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371903793876318306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;Nenhuma crise. Nenhum remorso. Olhos adiante. Nada houve sobre seus livros numa sala defensiva armada no último cômodo da casa. Nada de importante. Ele lápide levitava sua enorme culpa tal qual distendia sobre o peito verborragias copiadas de Shakespeare, nenhum incômodo. Talvez torturasse as palavras forçando vômitos e outras guturalidades entre a folha e a caneta, o que gerava uma certa diarréia literária sem utilidade, fugacidades em livre associação, tentativas broxantes de uma orgásmica rima perfeita naquele poema sem estrutura. A descoberta o transfigurara. Sexo não escreve bem. O orgasmo resultou inútil, o Frontal resultou inútil, chá de camomila, banho quente, punhetas atrás de punhetas e a mente inerte, inútil. Punhetadas literárias, punhetadas Socráticas, punhetadas Kafkianas, punhetadas com Vinícius, nada. Sequer teve coragem de abrir Drummond. Sim, quisera se embebedar, mas não, é Drummond. Respeito. Ainda havia um mínimo de decência sobre o cadáver, adiado, sequer procriava, sequer homem, sequer banalidades, sequer poesia. Movimentos rítmicos sobre a folha, chamex, papiro, pensamentosdesordenadoslongoscurtosbaixosaltos megalomania, complexo de inferioridade. Pensava em definir liberdade num início de conto, ou poesia, ou crítica, jornal, livro, revista. Cecília! Me embebedo, sem dó! Pôs-se a "Ceciliar" varanda adentro sobre a rede pincelando poemas nas nuvens. Nada seu, nada livre, de original nem a morte. "Quadro arremessa Barata Ribeiro sobre poeta triste".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receita e Conto: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold; font-family: 'Times New Roman'; font-size: 180%;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-7219694015117465706?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/7219694015117465706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=7219694015117465706' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/7219694015117465706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/7219694015117465706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/06/cadaver-de-escritor.html' title='Cadáver de Escritor'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SozWCfmSOGI/AAAAAAAAASI/iUu1DFpICcs/s72-c/escritor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-7647959433221311409</id><published>2009-06-14T14:13:00.001-07:00</published><updated>2009-08-19T19:50:12.422-07:00</updated><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Soy4bsuSdvI/AAAAAAAAARo/DefNFgh5mNQ/s1600-h/gata-rave1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 214px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Soy4bsuSdvI/AAAAAAAAARo/DefNFgh5mNQ/s320/gata-rave1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371871241547446002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comera pouco, toda a noite sob um bate-estacas infinito entre vultos de carne translúcida e as rusgas d´água que lhe tatuavam a testa e os seios. Uma pílula e uma garrafa d´água. Mãos entrelaçadas sobre a cabeça e o quadril levava todo o corpo na cabeça que pendia de cabelos negros encharcados de sorriso em suor. Sete lábios sobre sua boca, quatorze mãos sobre sua pele, pescoço, cintura, costas, coxas. Era tão certa e de tão lívida foi-se cálida e azul, era toda azul sob aquela luz negra que envidraçava os olhos, sombras engarrafadas. Desceu de um pé que deslizou perdendo-se entre outras duas pernas que em tropeço levaram o pouco de sanidade que inda borboleteava frente aos seus olhos que se embaçaram (envergonhados). De uma noite havia levado o que pensava fosse a liberdade, de uma festa havia restituído toda solidez que lhe dera o mundo, perdeu-se em abrir-se em flor para um manequim oco, era nada. Dos toques líquidos que se perdem no vácuo onde haveria atrito, sente que de tanta liberdade, ela mesma não a quis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receita e Conto: &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold; font-family: 'Times New Roman'; font-size: 180%;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-7647959433221311409?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/7647959433221311409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=7647959433221311409' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/7647959433221311409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/7647959433221311409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/06/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Soy4bsuSdvI/AAAAAAAAARo/DefNFgh5mNQ/s72-c/gata-rave1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-3138285772038993602</id><published>2009-06-11T10:22:00.001-07:00</published><updated>2009-08-19T21:41:28.580-07:00</updated><title type='text'>Atelier</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SozTd5cZZ7I/AAAAAAAAAR4/hFqeKVG7ESs/s1600-h/flower.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 218px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SozTd5cZZ7I/AAAAAAAAAR4/hFqeKVG7ESs/s320/flower.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371900966135752626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;  O cavalete estava ao canto da sala. Mudo. Todo o atelier era um degradê em cores frias. A estética estática das paredes incomodava e eu me perdia em girassóis ambulantes. Havia castelos gemendo torres num coito morte e caos, estrutura em transe estendendo preces tijolares, órbitas globulares cinzas de crianças assistiam pasmas ao tango incendiário entre quatro estátuas: Zeus, Apolo, Afrodite e Eros. Vísceras se contorciam, olhos de crianças cinza tremulavam, Zeus urgia céus, exposto, Apolo flamejava o mundo, Afrodite chorava, dançava e ria, louca, e Eros cortava os pulsos – gilete Hefestos – . Vertejam as vértebras, aorta-se o lírio divino pelos rios do mundo e, na insânia da egonia cósmica Zeus e Apolo se fritam, Afrodite desintegra-se em flor, regada do sangue filial, salgado, viscoso e vil, degenera e morre. De seu reino submerso Eu-Hades sento no sofá, coço o saco, pego uma latinha e ponho no Animal Planet.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;Conto e receita: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold; font-family: 'Times New Roman'; font-size: 180%;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-3138285772038993602?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/3138285772038993602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=3138285772038993602' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3138285772038993602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3138285772038993602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/06/atelier.html' title='Atelier'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SozTd5cZZ7I/AAAAAAAAAR4/hFqeKVG7ESs/s72-c/flower.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8482662549584053504</id><published>2009-06-05T12:53:00.000-07:00</published><updated>2009-11-04T14:16:21.285-08:00</updated><title type='text'>Kinder Ovo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SnHWh50vAUI/AAAAAAAAARY/BAb4MjRvvWo/s1600-h/parafuso.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SnHWh50vAUI/AAAAAAAAARY/BAb4MjRvvWo/s320/parafuso.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364304509121003842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="file:///C:/Users/Renato/AppData/Local/Temp/moz-screenshot-1.png" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;E&lt;/span&gt;stava com sono. Vi as folhas do texto que tive dois meses para revisar, aquelas folhas virgens. O prazo é hoje, daqui a algumas horas - pensei. E me estranhei na frase. Muitas vezes não estava preocupado com nada além do fato de não estar preocupado com nada. É que não me parecia ser coisa de homem sério, essa não preocupação. E, por alguma razão, era importante ser sério, como ser homem. Não digo da heterossexualidade, digo da hombridade mesmo. Peguei os Kinder Ovos que comprei na farmácia. Sempre paro em farmácias. Na verdade as farmácias são as minhas papelarias da noite. Eu odeio chocolate. Odeio é exagero, é que eu não ligo mesmo. Precisava de um elemento surpresa na minha vida. À uma e meia da manhà, voltando da Cobal do Humaitá e com umas trinta páginas para escrever para dali a oito ou dez horas, o kinder me parecia a única surpresa possível. Comprei três. Se não gostasse do primeiro e do segundo poderia manter o terceiro fechado, colocar nele todas as surpresas que quisesse, na geladeira. Abri. Até comi o primeiro e o segundo chocolates, mesmo sem vontade. Mastiguei aquela massa bicolor doce e gordurosa porque precisava ver a surpresa e no carro da Joana não tinha onde colocar o chocolate. Ela também não quis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na bagunça de micropecinhas dentro do ovo transparente - que costumava usar como ogiva de bomba com tinta, era fácil: colocava água com corante numa parte e fermento na outra, junta, balança e arremessa - vi um extraterrestre, cinza, capacete azulado transparente com antenas. Era "Zupt"! Eu tenho essa coisa de ficar dando nomes. Olhei pra ele e "Zupt", era Zupt. Mais tarde descobri que as pecinhas eram da nave de Zupt.Como não faço ocm a vida, segui o manual de instruções. Estava com sono, não dava tempo de teimar em ser original, ignorar as instruções e monstar um trator para Zupt. Foi nave espacial mesmo. Abri o segundo chocolate. Não vi o que tinha no ovo. Joana parou o carro. Hora de gentileza, ela também estava com sono. Agradeci a carona, corri pra casa. No caminho caí na asneira de verificar ao Paulo, um dos porteiros da noite, que já o tinha visto na noite anterior. Perguntei - que fique bem claro, era retórica! - se não davam descanso a ele. Chamei o elevador, que já estava no térreo. A porta não abriu. Paulo resolveu me contar, desde o Big Bang que os avós fizeram na pororoca, a história da vida dele. Chamei o elevador. Paulo me falava das horas, jornada de 12 horas de trabalho e descanso de 36. foi a única frase que ouvi. Tive pena. A porta não abriu. Paulo virou sua cadeira para os elevadores, como se me chamasse, à uma e meia da manhã, com trinta folhas de dois meses para redigir lá em cima, pra sentar ali, passar algumas horas, aliviar a carência. Lembrei que às vezes o elevador semi-trava de madrugada, era preciso abrir com as mãos. Paulo me falava de filhos. Pensava o quão ridícula seria a cena: Puxo papo com Paulo; Paulo se empolga; chamo o elevador; ele não abre; abro as portas com as mãos e entro. Ridículo, completamente ridículo. Vai pensar que estou cagando para o que ele pensa. Sem saber o que é retórica vai sacar o sentido da pergunta, o interesse era fachada para polidez necessária. Por algum motivo era importante ser educado, como ser sério. Um casal chegou. Abri a porta para 'eles'. Paulo desceu. Se a diferença entre meus olhos e meu umbigo é sempre a mesma então foi Paulo quem desceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude conter a curiosidade. Fiquei nu. É o comum ao chegar em casa. Nu meti a mão no saco. Peguei a segunda ogiva - ri de Deus ter me dado talento para desenhar e tocar piano, de resto tenho a coordenação motora de uma criança de 4 anos, cortar em linha reta ou abrir uma ogiva de Kinder Ovo é uma odisséia. Abri. Dessa vez não identifiquei nada. Nda mesmo. Direto nas instruções. Era o K03 n.51 (ah, agora sim!!), um parafuso sobre uma base de rodinhas que movimentava uma engrenagem dentro de uma base azul. Sem graça. O parafuso tinha uma cara. Sorridente. montei o treco. Era "Squetch", ou "Roc", ou "Crok", tinha que ser algo que desse o som de um parafuso sendo torcido - eu não sei um verbo para um parafuso. Torcer, colocar, introduzir, enfiar, girar? Não escolhi o nome. Ou escolhi. Era "Parafuso". Pronto, coloquei os dois me olhando enquanto digitava as páginas do trabalho. Parafuso tinha os olhos tortos. Num relance percebi, tentei ser discreto mas não sei se dei na pinta. Percebi que Parafuso tinha um olho em mim e o outro em Zupt! já passava das duas e meia. Estava com sono. Era minha cabeça. Fui pegar gelatina. Ligar Enya baixinho para escrever. Voltei, agora com os ouvidos e a boca ocupados. Relance. Não era minha imaginação, Parafuso estava fria e fixamente vidrado em mim e em Zupt! Percebi. Parafuso era uma espécie de super-ego. Tava me vigiando, vigiando meu Zupt! Qualquer viajada que eu desse no meio do trabalho ele estaria ali, olhando, pros dois. De repente não dava pra pedir carona, simplesmente não dava para "Zupt!" para fora do trabalho e começar a escrever outra coisa, ligar a tevê, gravar mais doze CD's nem procurar uma gráfica nas amarelinhas, mandar imprimir cartõs de visitas. Era eu, o trabalho e Parafuso. Apesar da carcaça azul, Parafuso era (ainda é) cinza. lembrei da Gestapo. Depois de meses sem meter as caras, Parafuso era inevitável. Esse foco, esse aprofundamento, essa concentração de massa, tensão e força sobre um único ponto. Parafuso era complementar de Zupt. Não digo oposto em nome da originalidade e porque está tarde para acordar a distinta senhora Dona Dialética. que dorme cedo e permanece intacta. Na realidade somente Parafuso era necessário no momento. Precisei de Zupt apenas para reconhecer Parafuso. Simples, básico até. Parafuso é Parafuso porque não é Zupt. E vice e versa. Lembrei da Gestapo. Recomecei a escrever as folhas outras, trabalho antigo, prazo breve. Dei-me conta de que jamais abrirei o terceiro ovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receita e conto: &lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CRenato%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CRenato%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CRenato%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt; 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Espécie larval de Namorada (ver “Namorada”) que ainda não desenvolveu seu órgão produtor do pó amarelo e possui uma capacidade muito limitada de causar ilusões. Há os que dizem que é uma das formas mais estáveis do que pode vir a se tornar uma Namorada, mas essa leitura tem também seus críticos que insistem na estabilidade e na dificuldade de se mudar a natureza desses seres. Geralmente tendem a ser muito bem animadas e festivas, embora sua pele escamosa as torne extremamente escorregadias. Existem variações com graus afetivos diversos: a “peguete” e “trepete”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Amante: Criatura alada ou serpentina mal bem-resolvida ou bem mal-resolvida em caráter sexual e psíquico com quem se exerce o degustar e regurgitar de flúidos corpóreos.&lt;br /&gt;Variante serpentina: Súcubo – Demônio feminino que se esgueira pela noite copulando com homens de caráter fraco, perturba-lhes o sono e incute pesadelos.&lt;br /&gt;Variante alada: Íncubo – Demônio masculino dotado de asas escamosas que pousa sobre corpos jovens de meninas e mulheres cujas mentes possam sintonizar. Perturba-lhes o sono e sua ação tende a deixar lençóis molhados na manhã seguinte. Contrariamente à súcubo, os íncubos tendem a causar sonhos agradáveis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ex-namorada: Espécie multiforme de criaturas dotadas de capacidade de leitura mental dos que já sofreram seus ataques. Esse estranho e complicado efeito ou capacidade, muitas vezes, pode vir a se manter por anos. Têm forte tendência à agressividade. Existem relatos de vítimas que juram terem podido - entre as espécimes de natureza superior - domesticar e conviver de maneira pacífica após um ou às vezes mais de um ataque da mesma criatura.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Namorada: Forma larval da Noiva (ver Noiva). Essa criaturinha borboleteante tende a depositar um pó amarelado muito fino que, por meses ou anos, pode causar os mais diversos efeitos nos que travem contato com elas. Geralmente dóceis e amáveis tendem a gerar ilusões com graus variáveis de persistência. O efeito imediato de seu primeiro ataque costuma ser uma espécie songa-monga de euforia abobalhante. Existem relatos de que algumas da espécie não geram ilusões, mas têm a capacidade efetiva de influenciar e modificar a realidade. Ainda não se tem certeza de que esta não seja apenas uma questão de ilusão extremamente persistente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Noiva: Forma idílica e pueril da Esposa (ver Esposa). Essa forma avançada da Namorada existe enquanto potencial e, à medida em que esse potencial não se cristaliza em Esposa, seu temperamento tende a tornar-se agressivo. Possui exatamente as mesmas características descritas anteriormente para a Namorada (ver Namorada), com a agravante de que seu humor, quando contrariado em sua expectativa inicial, costuma exalar uma densa fumaça negra que tem a capacidade de enegrecer o ambiente ao redor. Algumas representantes da espécie não apenas têm garras como também presas tão bem afiadas que suas vítimas só sentem que estão cravadas quando tentam se mexer e acabam se ferindo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Esposa: Forma desenvolvida de criatura mágica. Amálgama entre doce donzela, bruxa má, grande rainha e velha sábia. Suas atitudes, como grupo, podem ser consideradas caóticas, ainda mais se considerarmos a atmosfera das expectativas similares sob as quais todas nascem. Com o tempo tendem a excretar, por sua pele, pequenas criaturas parecidas (em geral) com suas vítimas. Esposas são seres territorialistas, que vivem em nichos e exercem uma forte influência sobre a área em que se instalam. Possuem a capacidade de mudar de forma de acordo com seu humor e também através do tempo. Existem relatos, em muitas culturas latinas, de variações de belas donzelas em gigantescos dragões de pele oleosa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ex-esposa: Forma menor da Sogra (Forma suprema da esposa?). A ex-esposa não evolui em Sogra. Figura mítica serpentiforme, geralmente portadora do mal absoluto. Ao contrário das Súcubos, que injetam veneno somente por suas presas, as Ex-esposas exalam periodicamente veneno de sua pele na forma de óleos de coloração que varia do verde ao laranja-avermelhado. Esses óleos costumam envenenar o ambiente ao redor e afetam principalmente as mentes infantis, embora também exerçam forte influência sobre os membros de seus clãs. Essas figuras demoníacas têm a tendência cultural de seqüestrar as crias de suas vítimas, além de toda uma lista de perversidades a que se encontram sujeitas. Existem raros relatos, no extremo norte europeu, de Ex-esposas que puderam ser domesticadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Sogra: Criatura serpentiforme multicéfala. Suspeita-se de que a Sogra seja uma evolução da famosa Hidra de Lerna, sem a capacidade de possuir uma cabeça imortal. Suas várias cabeças podem atacar simultaneamente sob diferentes pontos ou em diversos aspectos. Algumas, principalmente com o tempo, exalam um forte odor que inibe alguns músculos da face de suas vítimas, primordialmente os responsáveis pelo sorriso. Devido à dificuldade de se aproximar dessa variante, pouco sabemos sobre seus hábitos diários, embora hajam suspeitas, entre os poucos estudiosos, de que ela tenha a tendência a agir de forma focal sobre vítimas específicas durante anos. Há pouquíssimos relatos de uma espécie superior de Sogra que se manifesta na forma de uma boa e frágil senhora – geralmente dotada de bochechas rosadas e vestidinhos florais em tons pastel – que, ao contrário de suas irmãs mais conhecidas, possuem forma humana (ou podem assumir essa forma e mantê-la por anos) e muitos conhecimentos úteis sobre as Namoradas, Noivas e Esposas. Algumas Sogras podem possuir poderes oraculares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Conto e Receita: &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold; font-family: 'Times New Roman'; font-size: 180%;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-998502642651751099?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/998502642651751099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=998502642651751099' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/998502642651751099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/998502642651751099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/05/bestiario-intimo-do-homem.html' title='Bestiário íntimo do homem'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SmmziV-QuYI/AAAAAAAAARI/YuyXQpdc9gA/s72-c/sucubo-rubia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8379632866445846705</id><published>2009-05-16T11:22:00.001-07:00</published><updated>2009-07-11T08:30:05.504-07:00</updated><title type='text'>Batismo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SlgbVG7tEiI/AAAAAAAAAQ8/9UqT06kxR30/s1600-h/afogado.png"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; 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Os dedos estavam enrugados, a pele repuxada, a cabeça era pesada demais ou o pescoço já não tinha forças, não sei. Meu corpo estava ali, flácido, fraco, insensível. Minha consciência quase conseguia ver se a água estava se movendo ou se o vento aumentava sobre meus cabelos empapados no meu rosto. Meu queixo estava quase confortável no meu peito quando minha cabeça se jogou para trás e o vento gelou meu queixo e meu peito. Quis vomitar. Meu pescoço não tinha forças para jogar minha cabeça pra frente. Engasguei. Barulho infernal, que porra é essa? Sirene? Que merda...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Era sexta. Segunda semana da faculdade. A Míriam não tirava os olhos de mim e eu ficava todo idiota porque toda vez que subia o olhar das coxas dela encontrava o dela no meu, minha cara ia no chão, voltava nas coxas, enfim. Um dos veteranos colocou uma lona qualquer na parte de trás de uma D20. Todo mundo embarcou nos carros. Deu pra ouvir alguma coisa sobre Vargem Grande.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma das meninas chamou por alto "Míriam" e adivinha quem veio? Ela! Linda demais. Tinha muita gente na sala e ela pegou na minha mão para se escorar e passar entre duas pessoas. Queria abraçar ela do nada ali e mandaram a gente se separar em homens e mulheres. Ah, legal: tirando minha camisa e me pintando. Criatividade não parece ser o forte por aqui. Ela tá me olhando?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Deus, por que eu topei isso? Aparecer pra Míriam? Ela deve estar me achando mais idiota agora e esse imbecil não solta minha cabeça. Tá frio até dentro da cabeça, quanto mais me debato mais me canso. Esse imbecil não me solta! Talvez se eu apontar pro alto... a brincadeira acabou, cara! Que merda! Me solta! Soltou... fraco demais pra me virar de frente. A água pisca azul e vermelho? Tô enjoado. Não acho a borda... alguém me tira daqui!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Simulando uma procissão, esses caras são todos loucos! Acho que eu não deveria beber tanto. Tá todo mundo indo pra D20, o que deve estar rolando ali? Aquele moleque não sai de perto dela, puta que pariu! Vou chegar e puxar um papo assim, como quem não quer nada. Ela tá rindo. Ótimo: eu estufo o peito, vou chegando e tropeço nessa mangueira. Dá pra ser mais idiota? Ela riu?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;As cores piscantes da água ficaram mais fortes. A D20 arrancou, bati com as costas, cabeça fora d'água . Graças a Deus, pensei que eu ia morrer ali.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Os carros seguiram por quase uma hora. Cervejas distribuídas e todo mundo rindo. No meio do caminho percebi que ela estava sentada do outro lado e só olhava para fora, pela janela. Arranquei uma folha de caderno e fiz uma flor. Aprendi no centro, num jantar com uma prima, uma menina que vendia rosas ensinou pra gente. Fui o último a aprender. Acho que só eu devo saber fazer isso até hoje. Fiz a rosa passar pelos joelhos do tal Victor, sentado entre eu e ela. Primeiro sorriso da noite. Deus, ela é linda!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Odeio sair de casa sem comer. Fome desgraçada. Tinha que ter dormido mais cedo ontem, mas com aquela menina na cabeça eu fiquei revirando a casa, lendo um monte de coisas pela metade, surfei na net, li Fernando Pessoa e até me aventurei a começar o Moby Dick. Noite desesperadora e agora acordei atrasado. Hoje é dia de trote, só espero que aquela menina apareça...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Receita e Conto: &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold;font-family:'Times New Roman';font-size:180%;"  &gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8379632866445846705?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8379632866445846705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8379632866445846705' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8379632866445846705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8379632866445846705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/05/batismo.html' title='Batismo'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SlgbVG7tEiI/AAAAAAAAAQ8/9UqT06kxR30/s72-c/afogado.png' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-4960828798023212023</id><published>2009-05-09T05:53:00.001-07:00</published><updated>2009-07-03T18:20:50.054-07:00</updated><title type='text'>O saco</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sk025QZYxqI/AAAAAAAAAOs/wsNEWsOsXIs/s1600-h/caminh%C3%A3o+de+lixo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 300px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sk025QZYxqI/AAAAAAAAAOs/wsNEWsOsXIs/s320/caminh%C3%A3o+de+lixo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353995889295279778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O cheiro é de carne estragada, quem não conhece não diferencia do cheiro de merda. Insuportável. Arde a carne da narina. Depois de quarenta minutos descendo por um desfiladeiro numa embrenhada lateral quase esquecida no morro dos Cabritos, Joca e seu sobrinho encontram o saco preto embrulhado em fita isolante. Geralmente não tem cheiro. Essa semana foi aniversário de Carlinhos e eles atrasaram dois dias no "arremate", como chamam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Algum cachorro deve ter rasgado a porra do saco. Que merda! Agora jaé, Carlinho, jaé! Aceleraê!&lt;br /&gt;O garoto desviou da galhada, pulou por cima do saco, se agachou por trás e já subiu levantando aquela massa mole e pesada que escorria e dobrava no meio.&lt;br /&gt;- Vira pra cima porra! Assim vai cair! Deixa que eu pego essa ponta, pega alí ó. Isso, isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fedor era tão intenso que assim que posicionaram o saco nos seus braços correram desengonçados de qualquer maneira morro acima. Carlinhos desviou do galho retorcido sob seu pé esquerdo, mas se apoiou com tudo numa pedra solta que escorregou seu corpo de cara naquele saco inflado de lixo. Seu nariz entrou com tudo num rasgo longo daquele saco. Seus pêlos todos se eriçaram imediatamente, as mãos, hipersensíveis, empurraram seu corpo para longe, a ardência na parede do nariz, na boca, na alma era forte demais. Puxou o vômito amarelado de arroz, cenoura e galinha por cima do saco empapando a camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra Carlinho, levanta daí, maluco! Pensa não, depois tu limpa. Vem, vem cara!&lt;br /&gt;A tontura enfraqueceu os joelhos de Carlinhos, seus olhos estavam embaçados e por alguns instantes estranhou um frio no lado esquerdo da barriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o morro estava estacionado o caminhão de lixo de 1976 que seu tio usava para recolher as sobras do trabalho dos que comandassem o morro naquele momento. Era um serviço de "despacho", como tio Joca dizia. "Com o lixo do morro vai embora o lixo do morro" e outras ditados que animavam aquela jornada. O mais famoso? "Sempre traga saco extra". O preço não se negociava, era fixo. Duplicava com dois, triplicava com três, matemática elementar. Tinha um percentual pro "Bira", que era o lance de cremar e tudo, de noite, o resto era conqüenta-cinqüenta pro Joca e pro Carlinhos. "Pro futuro do moleque", ele dizia a Alzira, sua irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminhão já estava a caminho e o Carlinhos estava quieto demais. Cabeça pra fora da janela, corpo virado pro lado, braço mole.&lt;br /&gt;- Tá legal, Carlinho? Carlinho? Carlinho!!&lt;br /&gt;Puxando pelo braço do sobrinho como que para acordá-lo, Joca viu o corpo mole escorrer para cima do seu, enfiou o pé no freio e botou a mão pra fora mandando as buzinas todas tomarem no cú. Colocou a cabeça de Carlinhos em cima de sua coxa e vasculhou sua roupa imunda de vômito. Passando a mão com pressa pela camisa Joca sente Carlinhos contrair ainda mais as pálpebras em dor e nota que o molhado do lado esquerdo do abdômen estava quente. Um caco de vidro tinha penetrado fundo, talvez até o rim. O sangue escorria quente e sem parar. "Como é que a porra do moleque não me fala nada?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podia deixar o caminhão, pegar um táxi, que fosse rápido ao hospital. "O reboque vai fudê tudo", pensou. Não podia deixar o caminhão, não podia deixar o sobrinho. Meteu o pé pro Miguel Couto, acelerou, rosnou atrás de todos os carros, buzinou, gritou que era emergência. Ouviu gracejo de playboy, policial gesticulando, madame gritando assustada. Estava no posto ao lado do Jóckey.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra de sinal filho-da-puta! Güenta, Carlinho, güenta porra! Tú é forte moleque, segura!&lt;br /&gt;Foi quando viu um policial se aproximando, gesticulando para que ele aguardasse. Joca ouviu o barulho surdo do corpo de Carlinhos escorregando sem vida para frente do banco, olhou o policial, o Miguel Couto a cinqüenta metros. Carlinho caído. Policial. Miguel Couto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sinal abriu. Joca acelerou o que pôde, passou pelo Miguel Couto, seguiu em frente, Lagoa-Barra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emprego fixo tá foda. Carlinho era moleque safo. Sempre tenha saco extra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e receita: &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold;font-family:'Times New Roman';font-size:180%;"  &gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-4960828798023212023?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/4960828798023212023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=4960828798023212023' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4960828798023212023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/4960828798023212023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/05/pringles.html' title='O saco'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sk025QZYxqI/AAAAAAAAAOs/wsNEWsOsXIs/s72-c/caminh%C3%A3o+de+lixo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-3077869353816010565</id><published>2009-04-05T19:18:00.000-07:00</published><updated>2009-07-01T18:04:00.757-07:00</updated><title type='text'>Selene</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SkwHKOSTBHI/AAAAAAAAANs/VtRLXDY4jxE/s1600-h/Nyx.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 288px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SkwHKOSTBHI/AAAAAAAAANs/VtRLXDY4jxE/s320/Nyx.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353661929251603570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CGustavo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt; 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Eu sei que você vira a cadeira no meio do ano e desvira ela perto do fim do ano e que às vezes você abre no início de um livro que está "lendo" a semanas, coloca o marcador de trás pra frente, pega a lapiseira e não dá um traço no livro e essa semana você pegou o livro errado! Por que você finge que está lendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademar largou o livro sobre uma mesa de centro daquela varanda enorme no segundo andar de um casarão &lt;st1:personname productid="em Santa Teresa" st="on"&gt;em  Santa Teresa&lt;/st1:personname&gt;, olhou para os olhos azuis de Diana e pegou nas suas mãos macias e suadas levando a menina a sentar-se na cadeira de couro vinho ao lado.&lt;br /&gt;- Pensei que você não notasse.&lt;br /&gt;- Pai, você está bem?&lt;br /&gt;O sorriso de Ademar permaneceu enquanto seu rosto virava novamente para o céu. Seus olhos só se desprenderam dos de Diana quando o ângulo certo o punha de frente para a lua. Quando ela respirou fundo, olhando fixamente para o pai, sentiu suas mãos serem pressionadas de leve por aqueles dedos gordinhos e um leve aceno da daquela cabeça grisalha a indicou que acompanhasse seu olhar.&lt;br /&gt;- O que você sabe sobre a sua mãe?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que a vó me falou, porque o senhor nunca me fala nada dela! A vó diz sempre que se vocês não tivessem casado ela ainda estaria viva. Acho isso bizarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ademar apertou mais uma vez as pequenas mãos da filha e acenou para que olhasse para o céu. Era uma noite límpida. A lua parecia estranhamente clara, luminosa, como um gigantesco olho por sobre a cidade constelada de respingos amarelos, vermelhos e brancos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Está vendo a noite?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pai, cê tá legal?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A mão de Ademar pressionou com alguma força a mão da filha para em seguida soltar lentamente dedo a dedo. Diana buscou as mãos gorduchas do pai com carinho e apertou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não, pai, me conta você. O que tem a noite?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ademar sorriu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- A noite é filha do Caos e mãe do Céu. Ela tem um nome: Nyx. Sem parceiro ela gerou o sono e a morte, Hipnos e Thanatos, os sonhos, as angústias, a ternura e o engano. As noites eram prolongadas pela vontade dos deuses, que paravam o movimento do Sol e da Lua a fim de realizarem suas proezas. Alguns casamentos de deuses tiveram noites de núpcias que duravam meses. Nyx percorre o céu envolta num véu negro, sobre um carro atrelado a quatro corcéis negros cujos cascos e olhos são estrelas cadentes. Alguma vez você viu estrelas cadentes lado a lado? Então imagine o tamanho desses seres. Quando algum pecado, algum descomedimento, gerava fúria da noite – que sumia com crianças, enviava pesadelos intermináveis e os homens tinham medo de dormir, quando isso ocorria, imolava-se uma ovelha negra. Sacrificava-se uma ovelha negra. Aqueça a água para o meu chá que continuaremos a conversa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Então, pai. Conta. Acho que estou entendendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O maior furo no manto da noite é a lua. Os raios da lua sempre foram fecundantes, poderosos fertilizantes. Era óbvio. Nos dias que se seguiam ao plantio, não só as ervas e frutos estavam maiores como o sêmen da lua ainda se conservava sobre elas, na forma de orvalho. Para a Noite a semente nunca passou de massa inerte, absolutamente desprovida do poder de germinar. Esse poder pertencia à divindade da fecundação, a Lua. Somente as mulheres faziam prosperar as colheitas, porque somente elas estavam sobre a proteção da Lua, somente elas tinham o poder de germinar internamente, amadurecer e gerar frutos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os lábios de Ademar se esticaram num quase-sorriso forçado. Alguma inoportuna imagem lhe roubara a concentração.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- O chá, filha. Inferno é não poder com o açúcar mais. O chá e o adoçante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Para a Noite, que gerou sozinha, o homem não tem função maior que romper o hímen para que os raios da Lua possam fecundar o ventre, o âmago da Terra, que também é uma mulher, Gaia. Os raios da Lua eram tão poderosos que bastaria a mulher se deitar nua sob o quarto crescente para ficar grávida. Para a Noite, o homem é dispensável. Mas a gravidez é um processo penoso, mesmo para divindades. Na Babilônia, Ishtar, a deusa Lua, ficava indisposta durante a lua cheia, quando então era instituído o &lt;i style=""&gt;sabattu&lt;/i&gt;, ou melhor, o &lt;i style=""&gt;sapattu, &lt;/i&gt;donde o hebraico &lt;i style=""&gt;sabbat&lt;/i&gt;, o “repouso do coração”. Durante a indisposição de Ishtar, no período da lua cheia, guardava-se o “sábado”, não se podendo executar nenhum trabalho, viajar ou comer alimentos cozidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pai, o que isso tem com o livro? O que tem com a minha mãe? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ademar sorveu todo o resto do líquido naquela infusão bruxuleante sobre a sombra da noite iluminada. Deixou que seus olhos nebulosos se desviassem do luar por algum segundo imperceptível enquanto abria os lábios deixando de lado a xícara vazia e fumegante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Eu disse que teria? Não me olhe assim, filha. Também não neguei que tivesse. Você descobre. – Apontou para a lua, brilhante, e fechou os olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Conto e Receita: &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold;font-family:'Times New Roman';font-size:180%;"  &gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-3077869353816010565?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/3077869353816010565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=3077869353816010565' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3077869353816010565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/3077869353816010565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/04/selene.html' title='Selene'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SkwHKOSTBHI/AAAAAAAAANs/VtRLXDY4jxE/s72-c/Nyx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-781436468030395820</id><published>2009-03-27T07:15:00.000-07:00</published><updated>2009-05-09T05:51:15.055-07:00</updated><title type='text'>Inocência</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SgSUjCCGc1I/AAAAAAAAAKc/MeTIC48I1Es/s1600-h/indio-rosto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 250px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SgSUjCCGc1I/AAAAAAAAAKc/MeTIC48I1Es/s320/indio-rosto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333551188275524434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Todos ali queriam ouvir ele falar. Pelo que ele sabia, pelo que todos sabiam, era o último membro de sua tribo. Um rapaz indígena relativamente novo, as marcas no rosto e pescoço, que se podiam ver naquele terno (que pareciam ter costurado ao redor do corpo dele) indicavam que já parecia ter passado por um ou mais ritos de passagem. Pelo menos era uma mensagem que se ouvia entre tantas outras de tantas línguas que se alvoroçavam em torno daquele pequeno homem de olhar triste, cabisbaixo e concentrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrado numa clareira aberta pela queda de um avião na floresta ombrófila densa da amazônia, foi logo cercado por repórteres, antropólogos, psicólogos, indigenistas, geógrafos, curiosos e famosos. Acredita-se ser o  último remanescente de sua tribo. Até onde se sabe o avião parece ter incinerado todos os seus familiares, companheiros, toda a sua cultura. "Ab-ka-bôi-tê-râ", como ficou conhecido, por não repetir nada além dessas palavras quando foi encontrado, não fala uma língua derivada do macro-tupi ou do macro-gê. Outras tribos indígenas chegaram a oferecer membros para ajudar a decrifrar a língua de Ab-ka-bôi-tê-râ, mas no início alguns chegaram mesmo a insinuar aos lingüistas, antropólogos e psicólogos de plantão que ele estava em estado de choque e não articulava palavras, só misturava sons. Uma psicóloga chegou a dizer que o trauma havia eliminado a conexão lógica entre suas palavras e seu pensamento e que este último deveria estar fragmentado numa espécie de vórtice que voltava sempre ao ponto do trauma. Junto com um sociólogo ela descreveu uma enorme teoria sobre a sobrevivência do indivíduo ao que eles chamavaram de "juízo final do pertencimento" e sobre a solidão, considerando que ele não nos compreendia como "seres humanos" e talvez achasse mesmo que estava morto e sendo punido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que Ab-ka-bôi-tê-râ, como tudo, deixou de ser novidade. Assim que perceberam que "ab-ka-bôi-tê-râ" significa: "Me deixem em paz!" foi inserido às pressas numa aldeia na esperança de que ele se socializasse. O que não aconteceu. Depois de sete meses o pajé da aldeia foi reclamar junto a um fucionário da Funai que "Me deixem em paz" queria viver entre os caraíbas (homens brancos), porque fazia tudo sozinho, não compartilhava da vida na aldeia e achava que podia viver melhor entre os caraíbas, que "vivem isolados também".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então Ab-ka-bôi-tê-râ foi morar numa universidade e serviu de estudos para um antropólogo e um lingüista. Mais alguns anos se passaram e as pesquisas na língua nativa do pequeno índio foram completadas. Quando tudo o que pôde ser traduzido o foi, quando os três, já amigos, eram fluentes na língua do pequeno índio, começaram a vir à tona algumas questões interessantes e o apoio à pesquisa foi escasseando à medida em que Ab-ka-bôi-tê-râ proibia a publicação do que quer que fosse conversado entre eles sob o risco de simplesmente não falar mais nada. O que de fato ele chegou a fazer, por algumas semanas, deixando todos loucos porque muitos já viviam da verba para a pesquisa daquele indiozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no meio dessa bagunça que Ab-ka-bôi-tê-râ começou a estudar profundamente a cultura e os costumes dos homens brancos. Ao mesmo tempo em que estudava sobre religiões do mundo todo, passava horas vendo TV. Quando começou a produzir um material sobre seus estudos, preferiu a caneta e a mão, mesmo já sabendo operar o computador. Dormia abraçado a seus escritos e garranchos. Nunca teve boa letra. Sob o risco iminente de finalizarem a pesquisa e tirarem seu acesso aos livros, acomodações e cozinha da universidade, Ab-ka-bôi-tê-râ  resolveu dar uma palestra para expor o resultado de seus estudos. Foi um enorme espanto para todos, até então ele parecia ter verdadeira aversão a palcos, flashes e palestras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Boa tarde. Sei já se passaram quatro anos que me encontraram. Já sabem minha história bastante, até folder explicando vocês receberam quando entraram. Eles me melhoraram na foto, pareço mais alto. Espero que não fiquem desapontados com o que vou falar. Quando avião caiu no meu mundo - a palavra que quero dizer é mundo sim, não é a tribo de vocês - eu estava em retiro na floresta. Por isso não morri. Preparação para "kaidjé" ou "pajé", líder religioso. Desde novo, neto do último "kaidjé", eu estudava só religião. Só magia. Só o sagrado.&lt;br /&gt;Quando aqui aprendi sua língua. Fiz amigos. Nunca esqueci meu papel no mundo. Eu sou kaidjé, eu estudo religião, eu estudo sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sagrado é tudo aquilo em que acreditamos. Sagrado é crença, sagrado é fé. O sagrado fica no nosso redor na cabeça, nas decisões, no que é importante acima de tudo. O mais importante. O essencial. O sagrado, no meu mundo, me disseram era sobre o que mais se fala num lugar, numa tribo, numa aldeia. Aquilo é sagrado, porque o que mais se fala, o que mais a gente vive, é o que faz nossa realidade. O sagrado faz nossa realidade, é nosso universo, "sistema de crença" como o amigo Wladimir chama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então quando aqui, observei o teu sagrado. Coisa que mais falam. Coisa que mais respeitam. Coisa que tem medo, que respeitam e nunca compreendem. Mas coisa que controla toda vida de vocês. Aqui chama "Mercado" o que no meu mundo era "sagrado", ou "Du-pâ-niaki", a "Alma do Céu e da Terra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiro fé de vocês. Estudei 3 anos todo dia, profundo estudo, da língua do seu Deus. Ouvi os sermões de seus kaidjés, todos os dias na TV. Muito ritual eu vi. Mesmas palavras, mesmo ritual. Sempre. Anotei palavras chave, tudo tudo. Li teorema do Shmidt: "Lucros de hoje, empregos de amanhã", pesquisei mais 60 anos de notícias e lucros aumentam, desemprego também. Acompanho os sermões hoje. Ainda dizem Schmidt. Só fé explica isso. Muita fé. Fé no salmo: "Lei da oferta e procura e confiança". Muita fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito não consegui entender. "Índio", vocês dizem. Pode ser. Com certeza. Índio. Mas da lógica e da filosofia, Ricardo, Marshall, Keynes, caraíbas chegaram em discursos que um índio vê o vazio. Fico preocupado da inocência de vocês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li os jornais. Vi os experts, pastores da religião do Mercado falando. Anotei palavras, frases. Queria aprender. Não gostei de comparar. Quando no meu mundo dávamos espaço pra pensar, gostávamos aprender e ver a visão do outro. Comparando os pastores falam não a mesma língua, a mesa coisa. Adestrados, como animais. Todas análises iguais pedem o que religião pede: submissão, flexibilidade (para "Mercado" impor leis e dor), sacrifício, tudo sob "dura e justa lei do Mercado Financeiro". Toda religião pede sacrifício, justifica dor. Coloca felicidade no além. Toda religião de caraíba. Importante é ser submisso, dócil e preparado sempre para o sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tempo cortei que sobrava nos discursos dos pastores do "Mercado". Decobri fórmula de três pontos para que "Mercado" pedia. Porque deuses tem estranha mania de precisar da gente, seus fiéis, para existir. Mas não passa cabeça de ninguém domesticar Deus, nem em cabeça de caraíba domesticar Deus-Mercado. A fórmula, tirando toda sobra que economistas, especialistas, adestradores e pastores de TV dizem é: "O Mercado precisa de mais credibilidade, flexibilidade e liquidez". Vou repetir as oferendas: Credibilidade, Flexibilidade, Liquidez. Faladores de TV, adestradores religiosos dizem todos os dias: Credibilidade - "acreditem em mim" - flexibilidade - "se virem, dêem o seu jeito, sejam flexíveis" - e liqüidez - "dinheiro": "Acreditem em mim, se vira e me dá o dinheiro". Me parece ladrão de gravata. Mas índio não entende nada. Então faz palestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí Índio dá o dinheiro. Mas o Expert do Índio errou. Índio perde dinheiro. Dinheiro é comida, é trabalho, é suor. Índio jogou meses da vida no lixo, quer entender porque médico não tem liberdade pra errar, engenheiro e condutor de trem não tem liberdade pra errar, porque tem cadeia. Penso que todo direito de errar é dos economistas, experts, comentadores. Representantes do "Todo-Poderoso", eles podem dar dinheiro às máfias internacionais e lamentar que isso seja feito, de aniquilar os direitos dos povos todos, o do índio mais fácil que índio não se defende certo, de dizer que não podem fazer nada a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Índio tem humor, entende deboche. Não acha engraçado quando Attali debocha que economista é "sempre capaz de dizer no dia seguinte porque na véspera disse o contrário do que está acontecendo hoje". Pra Índio isso é definição de palhaço também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Economia é anestésico como latim de igreja, como palavras sem sentido que índios pronunciam quando querem impressionar caraíbas. Hoje economia ganha onde igreja perde: maior centro de fé da humanidade. Toda fé depositada no Mercado. Não basta fé, é preciso fé e dinheiro, muita "liqüidez", credibilidade, flexibilidade, liqüidez. Confia em mim, dá o seu jeito, me passa o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até índio percebe, na economia ortodoxa, na lei da oferta e procura, no liberalismo ideal, uma utopia. Até índio vê uma religião, com fiéis, papas, inquisidores, seitas, ritual, latim (matemática), dissidentes, e, talvez um dia, um alienígena venha mostrar o ridículo disso tudo. O "verbo" é muito forte, precisa ser de fora desse mundo pra não mergulhar no turbilhão da TV, do jornal, da revista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "mão invisível" é avatar do espírito santo, do "Mercado" onipotente, onipresente e anterior ao próprio tempo (pergunte a um economista: "sempre existiu mercado?"), ser de razão superior, substância imanente, princípío dos seres, da alma, da vida - "você não passa de um raciocínio custo/benefício" - Mercado é causa que cria o mundo e que tem tudo da divindade, até poder sobre destino: ninguém pode escapar do "Mercado", Ele existia antes de você e existirá depois, é impossível pensar numa pós-economia porque é impossível pensar um mundo sem Deus.  Problema da religião é que fica difícil pensar fora dela, ainda mais se vemos o mundo através dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vivo religião pura. Sem ser humano. Pareto escreveu economia pura, tirou Marx, que pensava ser humano. Agora todo trabalho da economia - voz de Deus - é raspar, esfregar, limpar, passar a limpo, reescrever tudo que cheira social, humano, gente. Culto à luz e à pureza  vira "mariologia" econômica. Idolatra virgindade entre equações. A matemática preserva do contato, da carne, do tempo. Miséria, desemprego, dinheiro, luxo não existe, só o destino, obra de Deus, melhor dos mundos, único possível."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando o microfone foi cortado e três homens e uma mulher enormes vestidos de branco entraram com macas e uma camisa de força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita:  &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0); font-weight: bold;font-family:'Times New Roman';font-size:180%;"  &gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-781436468030395820?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/781436468030395820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=781436468030395820' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/781436468030395820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/781436468030395820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/03/inocencia.html' title='Inocência'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SgSUjCCGc1I/AAAAAAAAAKc/MeTIC48I1Es/s72-c/indio-rosto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-5898353506197125572</id><published>2009-03-24T18:26:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T20:16:36.729-07:00</updated><title type='text'>Cabeça de homem.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Scmhq6l399I/AAAAAAAAAKM/RMN662jXzgM/s1600-h/cabe%C3%A7a+de+homem"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 275px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Scmhq6l399I/AAAAAAAAAKM/RMN662jXzgM/s320/cabe%C3%A7a+de+homem" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316958593742272466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Me abraça, me agarra, me lambe, morde, fode, come, cospe, mata, atravessa. Teu corpo como carne, meu seio como massa, como manga na tua mão, na tua boca. Me prende, fere, segura, puxa, volta, geme, levanta, esfregando a mão pela minha nuca, puxando o cabelo pra tua língua que mergulha atrás da minha orelha... arfa mordendo e respirando pesado, teu corpo pesando em mim. Teus olhos mordendo meu rêgo, teu cheiro entre as minhas coxas, minhas unhas, tuas costas...&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E aí, o que ele disse? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- "Não entendi. Diga "Conta" se deseja uma segunda via ou para resolver problemas referentes à sua conta. Diga "cancelamento" se deseja cancelar nosso serviço. Diga "técnico" se está tendo problemas técnicos. Diga "atendimento" se deseja falar com um de nossos atendentes."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É. São todos assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conto e Receita: &lt;span class="Apple-style-span"   style="color: rgb(153, 153, 0);   font-weight: bold; font-family:'Times New Roman';font-size:24px;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-5898353506197125572?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/5898353506197125572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=5898353506197125572' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5898353506197125572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5898353506197125572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/03/cabeca-de-homem.html' title='Cabeça de homem.'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Scmhq6l399I/AAAAAAAAAKM/RMN662jXzgM/s72-c/cabe%C3%A7a+de+homem' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8304392871642568205</id><published>2009-03-12T19:51:00.000-07:00</published><updated>2009-03-17T13:39:28.528-07:00</updated><title type='text'>Construindo um castelo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sb_5MOm-70I/AAAAAAAAAJc/JDuEZeM3y0c/s1600-h/castelodecartas"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sb_5MOm-70I/AAAAAAAAAJc/JDuEZeM3y0c/s320/castelodecartas" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314240073795825474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Puta que pariu, o Rio de Janeiro é um ovo, cara! Um ovo de codorna!!! hahaha Tá ouvindo? Essa porra tá chiando demais. Me liga quando chegar. Tô, tô sim. Três, e daí? Vem, vem, vem. Tchau. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ei, cara, qual teu nome? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Antônio, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pega o "senhor" e enfia. Relaxa, é Felipe. Então Antônio, você mora no Rio há quanto tempo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu sou daqui, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vai ficar com o cu cheio de "senhor" cara, você que sabe! Pois é... ih, me vê mais um desse amigo aqui. Tá furado esse troço, hein Antônio! Não, não, não vai não. Ficaí. Meu primo tá chegando e eu preciso falar. Quantas namoradas você já teve, Antônio?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Seis, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, ôu, Tonhô, fala sério cara! Seis? Cê é do Rio mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Depois eu entrei pra Igreja, senhor. E casei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Opa! Derrubei o copo, cara. Tá certo... Desculpa te incomodar aí Antônio, traz o refil aí que eu vou ficar aqui quietinho. Pxxxiu, pxxxiu. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Deus do céu. Cacete, olha pra você. Se babou todo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fala, cara! Babou nada, tô suado. Sentaí. Ihhh, olha tua cara... Você vai reclamar, encher o saco, então escuta pra poupar saliva: Eu não vou dirigir. Você me leva pra casa depois daqui. Tó, taí a chave. Se quiser fica com ela, ou me devolve amanhã que eu venho aqui pegar o carro. Outra coisa: só saio daqui depois que a gente colocar as cartas na mesa, hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que carta o quê, seu maluco? O garçom me falou que você está aí falando palavrão e gesticulando. Pára com isso e fala o que você quer que eu te levo depois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Porra, Antônio. Eu não enchi com a tua "Igreja", você vem encher com meu palavrão? Vacilando... mas tu é um cara maneiro e eu te perdôo meu filho: In nomine pater et fili et spirictu santi e o escambau. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Já falei pra falar baixo, cara! Vai ficar de sacanagem eu te levo agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você falou pra gesticular baixo, esperto, não falar. Eu tô alcolizado, não tô surdo. Pára com a machisse. Cê não vai me levar nem me fazer rir. Quando eu te falei das cartas eu tava falando sério. Cartas. Baralho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, quer jogar truco agora? Vai perder, doido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não. Pede um chopp pro Antônio e espera.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Antônio, me vê um suco de laranja, por favor, e um chopp.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A laranja é pra você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah. Só vai me fazer mijar, você sabe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Menos mal. Que que você quer falar, Felipe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Uhh... "Felipe". Parece minha mãe. Que se foda. O lance é que hoje eu encontrei a Carla. Achei que ela era tipo um quatro ou cinco de copas pra mim, sabe? Mas cara, ela tá linda e com a cabeça legal e tudo o mais. Não diria "Ás", mas foi um "sete", ou um "pagem" maneiro. Tem futuro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tá, agora eu viajei. Que lance é esse de "pagem", "ás" e tudo o mais? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, pagem não tem no baralho que você conhece. Pagem é o "dois". O dois você sabe, pode ser um começo, um potencial, uma semente, um espacinho pra coisa crescer, ou pode ser só dois mesmo. Você e ela ali. Dois segundos de um sorriso correspondido na multidão, dois minutos num bloco de carnaval, duas horas numa festa, dois dias numa semana. Mas sabe, não é mais que isso, é dois. O dois é aquele maldito enigma. A merda do dois é que ele fica em aberto. Não é como o três.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tá empolgado, hein!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É essa lua, olha!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tá linda mesmo. Foi a Carla, não foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, ela agora é o dois, sabe? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O dois com potencial, imagino. Ela nunca vai ser o dois das duas noites, das duas semanas. Não pra você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, não tem como, a gente foi noivo. Morei com ela...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tá rindo de quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, cara. Eu tinha 19 anos. Era um moleque. Tava vivendo um sonho ali e nem me ligava. Não tem arrependimento, não tem nostalgia, só tem a graça do destino mesmo. Essa dança maluca. Se Deus é safo de não jogar dados com o universo eu não sei, mas a gente joga fácil com a nossa vida, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você sempre jogou. Eu não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nem vem que você arriscou pacas. Tá namorando agora esquece que quando estava solteiro você escrevia cartas que só faziam sentido depois da terceira? Que bolava umas surpresas absurdas. Pagou pro garçom pra ele levar uma carta dentro do cardápio pra Fernanda que eu lembro. E nem ficou sério com a Fernanda, tá namorando com a Laila. Malandrão você, nem vem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Isso não é arriscar, é investir!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tem mesmo diferença? Não responde. Pensa aí que eu não terminei minha história das cartas. Te falei que o dois fica em aberto. Pois é. O dois fica em aberto, diferente do três. O três é finito. Tem aquele gosto meio triste da resignação, sabe? Pensa nos relacionamentos de dois meses e nos de três. Os de três terminaram porque não davam mais. Passou o prazo de validade daquela perfeição infantil do início. A perfeição mesmo, aquela do sorriso diário, das cartinhas pela manhã antes de sair pro trabalho, do dia inteiro no celular mandando mensagem só dura dois meses. O terceiro é a prova. Sair uma segunda vez é ainda tentar a primeira, de novo. Sair uma terceira é ver o que tem depois. Se o depois não agradar, se não morder na alma e cravar legal que nem âncora de navio, ferrou. O três é meio fechadão, sabe? É como um tripé mesmo. Você é engenheiro, saca isso melhor que eu, com dois pontos de apoio é complicado erguer qualquer coisa, com três vc faz uma cadeira. Ela tende a cair, eu sei, mas ainda assim dá pra fazer. Dá até pra sentar por um tempo, só não rola se sacudir em cima que a base não é boa. Mas aí não tem como, você tem que correr pra fazer o quatro. Porque com o três não tem jeito, mais cedo ou mais tarde a gente cai.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quero ver você correr ali e fazer o quatro, isso sim. Ah, ô, fecha a cara não. Isso dos números tem a ver com grau de intimidade também, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tem a ver com tudo cara! Você sabe que quando a gente bebe as respostas vêm, tudo se encaixa e que nas mesas de bar todas as questões de política internacional, amor e filosofia se resolvem em três ou quatro rodadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pra você pensar tanto assim é porque já rodou faz tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É, semgraçalho pracadinho você. Quer ouvir ou não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Agora tá bom, continua aí. Obrigado Antônio. Desculpe o inconveniente, ele vai ficar quieto. Tem açúcar? Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tô afim de tomar isso não. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então levanta e vamos embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Chatão você, hein! Coloca bastante açúcar nisso então.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vai falando aí. Tá engraçado ouvir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu vou escrever isso, cara... Que cara é essa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Escrever se você lembrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tô te contando pra você me ajudar, pô.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah e eu pensando que era pelos meus belos olhos verdes. Tá, pode tomar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Valeu. Então... a Carla chegou no oito sabe? Quando a gente começa a pensar em juntar grana e viver uma vida confortável a dois? Tipo viajar, comer fora direto, fazer curso junto, aprender a dançar, a gente fez kung-fu junto e forró.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Legal, cada um com as suas vontades e os dois juntos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quase isso. Mas ela chegou no oito, isso é que é o importante. Ela era meu oito perfeito. Perfeito naquela hora, sabe? No oito a gente vive cada dia como se fosse o último. A gente era noivo, morava junto, mas nem tocava em assunto de casar. Filho era realidade distante, encarada como funeral, sabe? Casamento você acha que vai rolar, você encara numa boa, mas não fala tanto e age como se pudesse pensar nisso amanhã. Aquele "amanhã" metafísico, tá ligado? Filho não é agora, o agora é a realidade, então filho é irreal no oito, ou surreal, sei lá. O oito é meio budista, sabe? Se você pensar bem até o número me lembra o gordinho sentado meditando. Maior embaixo com a carequinha redonda em cima. Simples assim. Namoro de gente nova. Cabeça de gente nova. Essas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E o oito vira nove?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nêgo supõe que sim, que rola uma progressão nisso. O oito vira nove quando está completo. Qualquer número vira outro quando tá completo. Ele tem um ciclo, sabe? Acho que todos têm um ciclo. Mas também rola do oito virar cinco. É aquele nosso conhecido "Vamos dar um tempo?". hahaha&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pois é. Legal, então o dez é o fim, tipo: casou morreu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E não é? Hahaha, sacanagem. Talvez o fim daquele ciclo. Como namoro geralmente termina em noivado que termina em casamento que termina em...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Divórcio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu ia dizer filhos. Porque aí sim o divórcio ferra legal com a gente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ou com a cabeça da criança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas ninguém casa com a pretensão ou expectativa de separar. Pelo menos não devia. Eu acho. Vai saber, né? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Agora fiquei curioso aqui, e as cartas altas? Valete, dama, rei, rainha, coringa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Valete é o solteirão, sa coé? Aquele maluco com grana, solteiro, sedutor. Aí entra o naipe. Valete de espada é o solteirão pegador, aquele que não é solteiro convicto, é quase invicto! O de ouros é o playboy, ricaço, do programa caro, do carrão. De paus é o tarado, esse daí não tem como namorar. A não ser mulher bem otária mesmo. O de copas é o perfeccionista, tá sozinho porque escolhe demais, cheio de mania, todo romântico e exigente. Esse sofre, coitado. Ainda mais no Rio, onde a fauna feminina é sensível e calorosa que nem iceberg. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tá pessimista, hoje hein!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Errar é inevitável, eu prefiro errar sendo pessimista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E o resto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A dama é a que está esperando. Ela pode esperar juntando grana, comprando apartamento, aí é de ouros. Ela pode esperar na janela, deixando a trança crescer pra tacar pro príncipe, são as mais exigentes, as mais pentelhas, eu acho. Mas não tem muito disso por aqui, das de copas. Tem as ninfo também, estilo femme fatale, saca? São as de espadas. Difíceis de segurar. Tipo neguinho viciado em novidade. As de paus são aquelas que só te querem se tu é um cara estável, com emprego, família, projeto, tudo nos conformes, o lance delas é o cara "próspero".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tá filósofo hoje. Vamo indo? Me conta o resto no carro. Antônio! Fecha pra gente? Obrigado. Então, e os Reis e Rainhas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, esses são raros. Sabe aquele grande amor? Pois é. Tua Rainha. O lance é que você pode passar a vida procurando e não achar a pessoa que te entende no olhar, saca teu humor pelo tom da tua voz, tem aquele lance de pele que você não explica - mas o cheiro dela te deixa de pau duro e tá tudo certo - a pessoa que te observa e te respeita, te compreende e te acompanha e, mesmo assim, ainda vive a vida dela, tem os momentos dela, as idéias que só ela sabe, os projetos pessoais, sabe que tanto é maneiro conversar sobre a relação quanto às vezes o bom mesmo é calar a boca e dar um abraço. Sabe aquela pessoa filha da puta que te cala com um beijo na hora certa? É... e sai te deixando mordendo os lábios e pensando: "caralho, é ela". O lance é que no fundo todo mundo quer uma Rainha, mas ninguém quer o ônus de ser Rei. Porque só um cara fodão mesmo pra manter uma dessas. Dessas que te dão tudo o que você quer e exigem, com o olhar, com um toque, com gestos, com sorrisos e sinais, exatamente a mesma coisa de volta. Conviver com o que a gente quer é um inferno! Ser humano é um bichinho egocêntrico e vadio. Difícil pra gente enxergar o outro como outro, mais difícil ainda viver o outro, quase impossível deixar te enxergar o... cacete, se quer que eu entre então abre a porta... que que eu tava falando mermo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Da dificuldade de conviver com as Rainhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É, pois é. Querer a Rainnha é mole, foda é ser Rei, cumpadi. Quando as meninas falam pra gente que tá faltando homem, tem umas que acham que tá faltando homem mesmo, mas a maior parte fala que tá faltando Rei. Que príncipe é coisa de adolescente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Agora eu quero saber só uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Onde é que você se coloca nisso tudo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então... sabe o coringa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conto e receita: &lt;span class="Apple-style-span"  style="color: rgb(153, 153, 0);  font-weight: bold; font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8304392871642568205?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8304392871642568205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8304392871642568205' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8304392871642568205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8304392871642568205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/03/construindo-um-castelo.html' title='Construindo um castelo'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/Sb_5MOm-70I/AAAAAAAAAJc/JDuEZeM3y0c/s72-c/castelodecartas' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-1570560280115701286</id><published>2009-02-12T03:22:00.000-08:00</published><updated>2009-07-06T20:22:35.876-07:00</updated><title type='text'>Em revista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SbV3CnkpwFI/AAAAAAAAAJE/FTZ_dheGvug/s1600-h/revista+de+moda"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 112px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SbV3CnkpwFI/AAAAAAAAAJE/FTZ_dheGvug/s320/revista+de+moda" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311282222419525714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ridículos, ridículos os sonhos alheios. Era o que ele pensava. Sentado no metrô pela primeira vez em 30 anos voltando da Pavuna. Sentado de costas. Ao seu lado sentava uma mulata, com as feições finas, nariz pequeno, deveria ter algo de europeu em algum galho do caldeirão genético que desse aqueles olhos pequenos e castanho claros. Ela lia uma revista de moda que ele não pôde identificar, se deteve sobre uma página qualquer que falava de pechinchas no vestuário, como a bota que uma tal modelo da moda - Rachel Zimmermman, ele achou o nome engraçado e decorou porque conhecia um Thiago Zimmermman dos tempos de escola - havia encontrado num brechó em Paris. Sim, ótimo, mas quando aquela moça iria a Paris? Como são ridículos os sonhos alheios.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela degustava as roupas, o sorriso, o caimento, cortes e até a costura externa grossa e aparente da calça de couro da modelo. Tudo que ele achava completamente ridículo e, além de esteticamente decadente, mais um artifício imbecil de uma indústria que vive de cobrir a vacuidade alheia. Ela se deliciava com aquela revista. Era de se imaginar que tivesse mais de quarenta delas em casa, ensinando qual o batom vai com qual blusa, quais as tendências daquela estação, a cada três números falando sobre como o preto emagrece e tudo o mais. Porque ser magra não é moda, é lei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando ele viu os muros que cercavam os trilhos do metrô. Em alguns pontos tão altos que ia sumindo o pouco que sobrava de um filete de céu azul, em outros mais baixo, mas quando baixo demais, encimados por arames farpados. Algo ali lhe lembrava as imagens de um campo de concentração, talvez fossem as faíscas da eletricidade que brilhavam como um flash - os "paparazzi" da mulata, ironizou - quando o metrô da linha 2 passava por uma curva acentuada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De repente um senhor que deveria ter seus sessenta para setenta anos - e que ele lembrava de ter reclamado muito logo no início da viagem com dois passageiros e um menino que parecia ser seu neto, para não sentar, com qualquer ar meio arisco de orgulho ferido - começou a dobrar os joelhos e, se agarrando na barra vertical no centro do carro do metrô, fez um movimento em curva enquanto sua mão permanecia firme e seu corpo ganhava velocidade em direção ao chão. Foi uma cabeçada magistral, com direito a quique e tudo. Todos se levantaram, inclusive a mulata. Por alguns instantes o homem sentado perdeu-se nas curvas das coxas dela antes de se ver obrigado a levantar também, mesmo que pensasse que nessas situações a multidão mais atrapalhava que qualquer outra coisa, não suportava a pressão, a recriminação dos olhares alheios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos se adiantaram em direção ao velho, cuja cabeça jazia no chão onde o neto ajoelhara e, se segurando no bolso da camisa do avô, começava a sacudir e chamar com um sotaque indiscernível pelo senhor desacordado. A mulata se adiantou em tom autoritário a todos que não tocassem no senhor, agachou com a mão por trás do pescoço meio torto e inclinou-o com a cabeça pra cima, escorando levemente por trás e procurando por ferimentos. Um pouco de sangue saiu por entre aqueles dedos delicados e ela simplesmente olhou para o menino com algo entre pena e seriedade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Seu avô só desmaiou. Está tudo bem. Na próxima estação vamos levá-lo para fora e...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Non capisco. Cosa a sucesso? - Retrucou o menino com os olhos arregalados e a bochecha salpicada de sardas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mulher olhou para os lados, esperando que a próxima estação chegasse logo, respirou fundo e disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Non hanno bisogno di essere preoccupati. Sono una dotoressa. Era solo una lieve commozione nella testa. Il suo nonno avevo perso pressione ed era crollato. Nient'altro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;À boca do homem que sentava ao lado dela adicionou-se uma gravidade tal que seu maxilar parecia pesar uma tonelada e seus olhos quase saltaram das órbitas enquanto ela virou-se para ele e disse: - O senhor vai ajudar ou só levantou pra terminar de ler a minha revista?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conto e Receita: &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59);font-size:13;" &gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;font-family:'Times New Roman';" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-1570560280115701286?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/1570560280115701286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=1570560280115701286' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/1570560280115701286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/1570560280115701286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/02/revista.html' title='Em revista'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SbV3CnkpwFI/AAAAAAAAAJE/FTZ_dheGvug/s72-c/revista+de+moda' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-1639032313829013759</id><published>2009-01-30T02:13:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T03:54:55.791-08:00</updated><title type='text'>O Anel</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SZHIvgnqJzI/AAAAAAAAAI0/Kvl53qqM2J0/s1600-h/GiantPeperoni.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SZHIvgnqJzI/AAAAAAAAAI0/Kvl53qqM2J0/s320/GiantPeperoni.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301238954927466290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Olá, boa noite. O Narrador de uma história pode ter o poder que quiser. Pode ser onisciente mas afastado, como um Úranos - aquele inerte Deus-avô que a mitologia católica nos manda ignorar -, pode ser um deus de destruição em massa, hiperativo, vingativo e excludente como um Yavé, pode ser uma senhora acolhedora e matriarcal com seus filhos-personagens e ter umas mudanças de humor dignas de TPM´s homéricas como uma Gaia, ou um grande brincalhão cósmico-universal como um Loki ou um Hermes, que não só jogam dados com o universo como fazem ele cair embaixo do sofá e inventam os resultados.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na história de hoje nosso demiurgo está feliz. Cansado de ouvir críticas de sua divina esposa sobre o machismo imperando no planeta Terra, resolveu dar um dia inteiro (do acordar ao dormir, não 24hrs, ok?) perfeito para uma mulher e moveu uns pauzinhos. Carla é uma jovem de 31 anos, solteira, com uma filha mimada de 7, e que mora com a mãe, uma senhora levemente surda, em um apartamento na Tijuca. Cumpri minha obrigação da introdução, professoras de literatura do sistema solar? Então creio que podemos começar a história agora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nas &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Mil e Uma Noites&lt;/span&gt;, história da literatura fantástica árabe que reúne em coletânea todos os contos e lendas folclóricas de uma vasta área do Oriente Médio, temos a história de Aladim e sua lâmpada maravilhosa, mágica, transcedental, incrível etc etc. Quase todos conhecem a história: uma esfregadinha, um desejo e "puf" (fumacinha que facilita os três marmanjos que arrastam o elefante pintado de rosa até a frente das câmeras)! Basicamente isso. Mas quem não leu a história "oficial" não tem obrigação de saber que havia um outro elemento mágico além da Lâmpada: um anel. Pois é, o gênio do anel - sim, o anel também tinha um gênio! não era um duende, fada, nem um leprechaun... - era mais "fraco" que o da lâmpada, incapaz de fazer malabarismos mágicos de nível hollywoodiano - como deixar todos os abdômens de Esparta engomadinhos ou conseguir que Nick Nolte interprete bem bêbado - mas conseguia realizar seus pequenos absurdos pontuais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como demiurgo oficial vou poupar-me o trabalho de explicar como o anel, das mãos de um magnata do petróleo de férias em Mykonos, foi parar no Egito e, de lá, um marido ciumento que não compreendia os presentes que a mulher lhe dava, livrou-se do anel jogando-o no mar, onde um peixe o engoliu e foi engolido por outro que por sua vez.... entendeu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois bem: Carla comia peixe da associação dos pescadores de Copacabana, alí, pertinho do forte naquele domingo. (Lembrem-se do que eu disse: o narrador pode tudo e, além do mais, o demiurgo em questão estava feliz e tal... facilitou as ondas, alegrou uns surfistas no caminho... e... sim! Carla comia uma baleia! Mas fiquem tranquilos, ela dividiu com a filha!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma carinha enrugada de menina descontente com os cabelos secando na frente do rosto solta:&lt;br /&gt;- Manhêêê, tem um osso no meu filé de baleia!&lt;br /&gt;- Cospe filha. Que foi? Machucou o dente? Mordeu o osso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina cuspiu fora um anel de ouro branco com um rubi de cinco pontos cravejado sobre ele. E era lindo, delicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carla imediatamente, com grande e legítima preocupação que o calor do sol sobre o metal naquela mãozinha pequenina pudesse queimar sua querida filha, pegou o anel com a delicadeza de um mastodonte e a velocidade de um bote de uma naja.&lt;br /&gt;- Dá isso aqui! Tira a mão, tira, ti...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a graça de um orangotango de cartola ela levantou a filha pelos braços puxando o anel até que a chatinha largasse o conjunto anel-mãe e ficasse com a bundinha à milanesa. A menininha correu dando piti até o mar e agachou nas ondas, somente para ouvir de um pescador que "Aí não pode, minha filha"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como o anel coube perfeitamente no dedo de Carla, foi o que ela pensava enquanto olhava fixamente para as pedras cintilantes no seu dedo a caminho do metrô. Na segunda estação entrou um sujeito alto, gordo, suado, com uma camiseta regata e um shortinho ridiculamente pequeno. Parecia uma criança lambona que cresceu enquanto andava e ficou com as roupas de quarenta anos atrás. Com a graça de uma garça obesa ele começou a encoxar nossa protagonista, mesmo que o metrô não estivesse tão cheio a ponto de "justificar" a alegria do banhoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Carla, super-animada com a idéia, pensou que se estivesse com um cara legal, não teria esse problema. Pensou que ele poderia ser gostosão também. No momento em que nosso amigo chupeta de baleia estava chegando para mais uma esquiada traseira e Carla girava o corpo para se livrar e gritar qualquer coisa com aquele digno senhor inconveniente, viu um homem grande, moreno, bem saradão - pareceria demais com a imagem que Carla fez do "namorado" há alguns segundos, se ela tivesse se detido a acompanhar o rosto e não o corpo dele, enfim, tinha o corpo dos sonhos de Carla e um rosto... como dizer... indefinido - vindo na direção de ambos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ô seu animal, a mulher está comigo! Sai daí!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O truculento fornecedor da Pirelli afobadinho virou-se com raiva, mas, como todo malandro "coca-cola", perdeu o gás assim que viu nosso amigo agigantado se aproxegando em nossa protagonista. Não falou nada, só caminhou até um banco vazio e já estava quase sentando quando o metrô parou e ele saiu, sem sequer ver qual a estação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Obrigada, disse Carla olhando seu salvador do pescoço pra baixo, imaginando os gominhos do abdômen dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ato contínuo entre o pensamento de Carla e nosso amigo sacudindo a camisa dizendo que o sistema de ar-condicionado não estava legal naquele vagão. Ela olhou-o nos olhos, castanhos, e agradeceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você não tá com a minha mãe!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Carla, mal pôde esconder o desânimo por não estar só naquela situação. Respirou fundo e, enquanto se virava para falar com a delicadíssima filhinha, pensou que gostaria de...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Filha, quero dar uma volta em Botafogo, quer ir com a avó, Nádia? - Disse a avó (sim, a avó estava lá desde o início. É que ela é uma velhinha discreta) virando-se para a neta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Carla simplesmente abriu um rasgo labial de orelha a orelha e despediu-se da mãe e da filha carinhosamente e aos berros. Não sem antes pensar na vergonha dupla pela situação do sujeito encoxante e da mãe surda. Queria muito que todos tivessem mais o que fazer além de olhar pra ela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi quando quase todo mundo ficou paralisado de susto. Alguns acharam que era um defeito das companhias de telefonia celular, a maior parte só ficou atônita com a sinfonia de sonzinhos esdrúxulos simultâneos e celulares caindo no chão e vibrando. Depois de uns quarenta "Alô?" incertos, todos já tinham mais o que fazer e o assunto passou de Carla ao inusitado dos celulares. Só um senhor idoso que, sem celular, queria saber se havia alguma catástrofe "na superfície". Mas Carla pensou que ele bem podia ficar calado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Chegando em casa - Carla desejou uma viagem rápida, não me culpem - arrastando aquele homen lindo cujo nome Carla sequer havia pensado em perguntar, caíram rindo no sofá e estranhamente o som começou a tocar: Simply Red. As roupas pelo chão e Carla e o moreno desconhecido dignos de uma filmagem do Animal Planet: na parede como largartixa, no sofá como hipopótamos, no chão como um ataque epilético, no chuveiro como vítimas de um taser. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No silêncio sepulcral que imperou depois daquela tarde deliciosa de domingo, Carla pensou no inusitado de tudo aquilo. Tirando o filé de baleia, todo o resto simplesmente não se encaixava: sua mãe indo fazer compras sem pedir dinheiro, celulares mais que polifônicos, sinfônicos, um moreno lindo que obviamente não tinha dado conta de suas celulites, sexo animal na sala que permaneceu arrumada, um homem com o corpo perfeito cujo rosto ela não sabia discernir nem identificar... foi quando sentiu fome, muita fome, e, naqueles momentos em que o tesão se amaina e o sono ataca implacável... ela bem desejou que ele fosse uma pizza de peperoni. Light.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Receita e Conto: &lt;span class="Apple-style-span"  style=" font-weight: bold; font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-1639032313829013759?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/1639032313829013759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=1639032313829013759' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/1639032313829013759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/1639032313829013759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/01/ola-boa-noite.html' title='O Anel'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SZHIvgnqJzI/AAAAAAAAAI0/Kvl53qqM2J0/s72-c/GiantPeperoni.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-5575500201028489280</id><published>2009-01-23T03:46:00.000-08:00</published><updated>2010-12-23T03:19:34.035-08:00</updated><title type='text'>Carta ao filho</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SXnAuBtkY-I/AAAAAAAAAIk/-4Fjl7FFLW4/s1600-h/pai+e+filho" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294474733916808162" src="http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SXnAuBtkY-I/AAAAAAAAAIk/-4Fjl7FFLW4/s320/pai+e+filho" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: left; height: 107px; margin: 0 10px 10px 0; width: 143px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando olhar os pássaros, se um dia você olhar pra cima, você possa entender como funciona o teu pensamento. Leve, rápido, insano, livre. Que possa entender que é da natureza dele voar, não se fixar, não manter velocidade, altura, contar que a direção do vento e a sua força farão com que quase nunca uma linha reta seja o caminho mais curto entre você e seu desejo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando olhar pro mar, se um dia você olhar pra baixo, você possa sentir o que acontece dentro do teu peito. Denso, lânguido, puro, imundo, reserva de vida. Que possa entender que, de alguma forma, por algum milagre, ele se refaz, reestrutura, busca o equilíbrio. Que ele tem o tempo dele, o tempo de uma batida no peito, o tempo daquela sensação de peso na alma, que precede a leveza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando olhar nas fotos, se um dia você olhar pra parede, você possa ver o quanto tua natureza é humana. Que você é plástico, que muda, mudou e vai mudar. Que você teria sido um aborígene se tivesse nascido na Austrália, um pigmeu, um holandês, um vietcongue, que você seria enorme de gordo, ou muito magro, maior ou menor, mas ainda assim você, e, exatamente por isso, plástico, humano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando olhar pelas ruas, se um dia você olhar ao redor, você possa ter compaixão pelas pessoas que confundem auto-preservação com agressividade e competição e colocam os dois sob o rótulo de "instinto". Que consiga entender que a liberdade não é uma entidade isolada emanando energia desordenada pelo universo, mas que só pode existir abraçada com a responsabilidade pelo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando olhar pra você, se um dia você olhar pra dentro, você possa saber exatamente como se ver: como um agricultor, um caçador ou coletor e esteja em paz com o que vir. Que possa compreender que existem fases para coletar do ambiente ao redor, fases para plantar nossos projetos, sonhos e desejos ou para caçar livremente e que essas fases devem ser vividas ao extremo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando olhar para o mundo, se um dia você olhar por sobre os teus ombros como se saísse do corpo e, da estratosfera, olhasse para baixo, você possa compreender que tudo o que há é sagrado e existe por uma necessidade dinâmica natural ao ser humano. Que precisamos aprender sobre a harmonia que há entre a faixa de Gaza e um monastério nepalês, entre um tapa na cara e um pedido de desculpas, entre um assassino serial e um mártir. Que a vida se processa nessa espécie de equilíbrio dinâmico que é imprescindível para dar forma à plasticidade da natureza humana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando você olhar para mim, se um dia você olhar pro lado (ou para trás...), você possa compreender que fiz o meu melhor, que a minha matéria está se cristalizando e vai quebrar, como a sua e a de seus filhos e netos, e você possa ter a grata certeza de que não me ama ou considera mais por isso, mas porque eu tive o prazer de te amar desde o dia em que te fiz.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conto e receita:&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; font-weight: bold;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999900;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-5575500201028489280?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/5575500201028489280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=5575500201028489280' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5575500201028489280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5575500201028489280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/01/carta-ao-filho.html' title='Carta ao filho'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SXnAuBtkY-I/AAAAAAAAAIk/-4Fjl7FFLW4/s72-c/pai+e+filho' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-5737614053811897641</id><published>2009-01-16T19:17:00.000-08:00</published><updated>2009-01-20T07:33:22.263-08:00</updated><title type='text'>Ars Amatoria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SXXuufKaMfI/AAAAAAAAAIU/DQGpwVQnlkU/s1600-h/ars+amatoria"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 117px; height: 109px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SXXuufKaMfI/AAAAAAAAAIU/DQGpwVQnlkU/s320/ars+amatoria" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293399419450438130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os amigos em comum sempre falavam de um para o outro, mas Pedro estava namorando nas últimas férias e Bárbara, no carnaval, tinha resolvido fazer um mochilão pela América do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos diziam que precisavam se conhecer, os dois grandes “pegadores” da turma nunca tinham se visto pessoalmente, mas a fama os precedia e já haviam se adicionado no Orkut, trocado MSN e tudo o mais. Ocorre que Pedro conhecia a fama de Bárbara e ela à dele, de modo que se estabeleceu ali um desafio implícito. Os papos virtuais eram propositalmente vagos e ela sempre lançava um ar de “desafio” durante e no final das conversas. Pedro parecia um pouco mais distante, desligado diriam alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era março e nenhum dos dois tinha programado nada para uma quinta-feira baldia que, como todas as quintas-feiras, tem aquela noite recheada de um ar malicioso de despretensão calculada. Zé e Cláudia, o “casal grude” da turma, haviam ligado, respectivamente, para Pedro e Bárbara, chamando para irem ao cinema. Nenhum dos dois sabia que o outro iria. Era uma quinta-feira, despretenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calça jeans e camisa cinza, tênis qualquer, saiu Pedro do curso noturno de francês e pegou o metrô para Botafogo. Revista de lado, vestido verde musgo e sandália grega preta, desceu Bárbara rápido até a garagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé esperava Pedro com ar um tanto cômico. Cláudia cutucava visivelmente o namorado eterno por baixo do braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que que cês tão aprontando, hein?&lt;br /&gt;- Ih, cara, relaxa. A Cláudia hoje tá boba demais. Comprei teu ingresso porque eram cadeiras marcadas, senão já viu. Depois cê me paga.&lt;br /&gt;- Tá, mas que vocês tão estranhos, tão. Que horas é o filme? – Disse pegando o bilhete e confirmando a resposta que esperava ouvir.&lt;br /&gt;- Às dez e meia.&lt;br /&gt;- Tem tempo. Bora na livraria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da livraria Cláudia, uma moreninha de um metro e sessenta que vivia com os cabelos lisos e negros soltos não parava de passar a mão da testa à nuca, soltar os cabelos e rir. Pedro não se conteve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na boa. Sério. Pára. Zé, eu sei que você é o maior cínico e não ia dar com a língua nos dentes nem a pau, mas a Claudinha tá denunciando legal. Qual é a parada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé pensava em responder qualquer coisa quando virou para Pedro e, através da vitrine da livraria, viu Bárbara entrar no cinema, e ela estava linda. Fez qualquer menção que Pedro olhasse para trás e desviou os olhos para uma prateleira à frente, esticando a mão para pegar qualquer livro que nem havia visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro olhou curioso para trás e viu Bárbara. Reconheceu de imediato. Estremeceu, porque através do vidro não só via Bárbara como via como estava vestido, ao mesmo tempo em que eles ficavam quase como que um casal, lado a lado, pelo reflexo causado pela luz interna da livraria. Talvez ela visse a mesma imagem do lado de fora, o fato é que Bárbara sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrou dominando o ambiente, era linda. Olhos verdes (ou azuis?) cabelo castanho claro preso meio alto como as bailarinas e umas sobrancelhas desenhadas, dando uma moldura entre o angelical e o luciférico. Pedro respirou fundo e enquanto pensava se falava qualquer coisa para Zé, se arrumava o cabelo, se andava em direção a ela, se a camisa estava amarrotada, a mulher do vestido verde musgo já estava parada de frente para ele, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pedro?&lt;br /&gt;- Bárbara!&lt;br /&gt;Ela riu. E que sorriso!&lt;br /&gt;- Que divertido!&lt;br /&gt;- Que armação dos dois ali atrás, isso sim!&lt;br /&gt;- Com certeza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riram o tanto que a surpresa e o desejo de não parecerem ridículos um ao outro lhes permitiu. Bárbara cumprimentou o casal e conversaram os quatro por alguns minutos. Até que ela virou-se para Pedro com olhar malicioso e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teu irmão me disse que você nunca deixou de conseguir a mulher que quis.&lt;br /&gt;- Exagero dele.&lt;br /&gt;- Bem, o Zé e a Claudinha confirmaram. A Aninha, o Paulo, a Carla, a Natasha... aliás – disse aumentando o tom da voz - me disseram até que você e a Natasha...&lt;br /&gt;- Quer sentar lá fora? – Disse Pedro na clara noção de que deveria não só comandar o papo como afastar os dois amigos que depois fariam milhares de brincadeirinhas e repetiriam palavra por palavra o papo dos dois “sedutores” por meses.&lt;br /&gt;- Claro, tô com sede. Você bebe o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andaram até uma mesa e Pedro deixou que Bárbara andasse ao seu lado, mas sempre um passo à frente, só passando à sua frente quando chegaram às cadeiras, onde fez questão de puxar a cadeira para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado. Muito cavalheiro você.&lt;br /&gt;- Obrigado.&lt;br /&gt;Pedro fez o possível para que ela não notasse que ele havia respirado fundo antes de sentar e resolveu soltar o ar lentamente depois de sentado. Sentou-se como se dominasse o ambiente. Parecera ter rompido completamente a atmosfera de surpresa e o mal-estar pela diferença que julgava não só entre as roupas, mas entre a beleza de ambos.&lt;br /&gt;- Agora confesso que fico na dúvida. Não sei se agradeço aos dois ali por terem trazido você – confesso que os papinhos de todos já estavam me deixando curioso – ou se agradeço a você o fato de não ter se tornado uma miragem, daquelas que nunca poderão nos desencantar porque sempre serão miragens.&lt;br /&gt;- Nossa, você fala bonito. – Disse rindo e arqueando as costas para trás como para desafiar ou simplesmente para olhar melhor os olhos castanho claros e os cabelos negros, lisos e meio jogados que emolduravam aquele rosto estranhamente inocente, dos lábios lisos e levemente mais grossos do que parecia pelas fotos no Orkut dele.&lt;br /&gt;- Tem uma coisa que eu quero te perguntar.&lt;br /&gt;- Claro!&lt;br /&gt;- Não sei se devo agradecer aos dois por terem trazido você até aqui e acabarmos com o disse-me-disse do pessoal ou... se você deve agradecer a eles, e talvez a mim, por terem me trazido aqui para confirmar os elogios que você vive ganhando. Afinal, é o teu ego que cresce no processo. E agora? Agradeço eu ou você? Afinal de contas, se eu sou considerado um “sedutor” e se eu vou elogiar tua beleza, quem sabe até o teu vestido, porque ele realmente te cai muito bem, teu jeito de andar, tua voz... esses elogios podem ser úteis a você. É inevitável que eu te elogie para os outros. Não só porque você realmente é linda, mas principalmente porque, se eu não o fizer, corro o óbvio risco de parecer falsamente arrogante, infantil, talvez até invejoso. Sou obrigado a te fazer elogios públicos até para manter a minha imagem de cara maduro. E agora? Quem agradece a quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bárbara franziu a testa. Parecia não ter alcançado de primeira as palavras de Pedro. E como o infeliz falava rápido, de improviso, e bem!&lt;br /&gt;- Você me pegou. Obrigado por ter vindo. Obrigado antes da hora, pelos elogios que vai fazer sobre mim.&lt;br /&gt;Ela ria e ficava desconcertada, até que pareceu jogar um anzol para o garçom que, ao primeiro relance daqueles olhos verdes (ou azuis?) apareceu na mesa e anotou um chá gelado para ela, um refrigerante para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Além dos elogios que você já ganhou, quero saber qual era o teu interesse em me conhecer. Fazer um duelo de sedução? Brincar daqueles jogos “te quero-te chuto” que os adolescentes fazem?&lt;br /&gt;- Claro que não. Acho que a gente ficaria anos nisso e, por causa de nossos egos, como você mesmo disse, não íamos nunca nos render um ao outro.&lt;br /&gt;- É, talvez. Interessante, você está se saindo mais inteligente do que eu esperava.&lt;br /&gt;O garçom chegou com os pedidos de ambos. Serviu mais lentamente o de Bárbara que o de Pedro.&lt;br /&gt;- Obrigado.&lt;br /&gt;Brindaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu interesse em te conhecer está no que teu irmão falou de você. Que nunca deixou de estar com a mulher que quis.&lt;br /&gt;- Já te falei que é exagero de irmão mais novo. Vocês estudaram juntos na faculdade, sabe que o Thiago é meio exagerado por natureza.&lt;br /&gt;- É, eu diria “empolgado”.&lt;br /&gt;- Pois é. Então.&lt;br /&gt;- O fato é que outras pessoas confirmaram e você também não nega.&lt;br /&gt;- Acho que não faz sentido confirmar ou desmentir. Talvez seja mesmo verdade.&lt;br /&gt;- É isso que eu quero! Aprender com você como faz isso. Não fica achando que por eu ser bonita todo mundo que eu quero cai aos meus pés.&lt;br /&gt;- Eu não acho. Na verdade não faz sentido você achar que “todo mundo” que eu queira – porque que geralmente eu só quero uma pessoa de cada vez, riu – caia aos meus pés. A gente vai conquistando.&lt;br /&gt;- Pois é. Você é um cara charmoso, alto, com um rosto bonito, mas não faz o estilo de todas as pessoas.&lt;br /&gt;- Até porque isso é impossível, não acha? Pensa assim: existe uma arte para isso. Um artifício, uma artimanha, um truque, como você quiser. Não digo que seja uma teoria, porque é prático demais, não digo que seja uma prática, porque exige alguma reflexão e não seguir um modelo.&lt;br /&gt;- Então me conta, como é que eu faço?&lt;br /&gt;- Bem, primeiro você tem que rastrear sua “presa”. Não ri, é sério. Você que quer que eu transforme isso em teoria, tô tentando colocar em tópicos aqui. Acho que nunca fiz isso antes. O fato é que o melhor é que seja outra pessoa a entrar em contato com a “presa” antes de você. Que faça uns comerciais, como o pessoal fez entre a gente.&lt;br /&gt;- Foi você que armou isso?&lt;br /&gt;- Não. Eu teria feito diferente. Você vai ver. Enfim, depois disso o que você precisa é deixar-se ser quem é, afinal é da tua natureza o andar sedutor, o olhar enfeitiçado, a fluidez das palavras, tudo o que você normalmente faz. E fez hoje.&lt;br /&gt;- Sério que não faço nada disso de propósito. Mas entendo que os caras vejam assim.&lt;br /&gt;- Então, de qualquer forma você entende que não é pela força que se consegue ou mantém qualquer coração: benevolência e prazer são o que retém nossas “presas”. Procura não pedir mais do que o cara possa te dar, paga sempre na mesma moeda; o que uns chamam vingança nós podemos chamar de reciprocidade; assim os caras vão te querer mais, acho eu. Na hora de agradar, concede só o que eles querem ardentemente, nunca fora desse tempo. Às vezes é uma questão de “timming” mesmo. Percebe uma coisa: gosta de sushi?&lt;br /&gt;- Adoro!&lt;br /&gt;- Gosta de churrasco?&lt;br /&gt;- Também!&lt;br /&gt;- Se uma amiga sua te levar para um rodízio de sushi e passarem a tarde e a noite toda comendo e conversando e, às dez horas da noite, eu te ligasse chamando para um rodízio de churrasco, como você reagiria?&lt;br /&gt;- Acho que eu iria... mas não ia querer comer. Se tivesse comido a tarde e noite toda, acho que nem iria. Marcaria com você outro dia, talvez.&lt;br /&gt;- Servido a quem não tem apetite, qualquer coisa, mesmo um rodízio, que você disse que adora, não desperta nada. Talvez cansaço, talvez até nojo. Entende? Quando você está morrendo de fome, depois de uma noitada por exemplo, até o podrão da esquina, aquele cachorro quente que você vai levar uma semana pra digerir, é delicioso.&lt;br /&gt;- Falar é fácil. Como é que eu faço pra deixar o cara com essa “fome” toda?&lt;br /&gt;- Não oferecendo mais nada quando eles estiverem saciados. Nunca chamando uma segunda vez antes que eles terminem a “digestão” e a necessidade – porque é inevitável – tenha aparecido de novo. Depois, dá uma indiretas e some, deixa claro que é você quem comanda teus desejos, mas não se faça de “dona” mais que desentendida ou fugidia. De vez em quando dá uma evitada para a vontade deles chegar ao extremo.&lt;br /&gt;- Legal, então porque você não me ajuda a tentar essa tua “técnica” pra chegar num cara do meu mestrado?&lt;br /&gt;- Claro! Com todo o prazer, se eu tiver tempo.&lt;br /&gt;- Está muito ocupado ultimamente?&lt;br /&gt;- Se precisar de mim, me dá um toque. Toma meu telefone.&lt;br /&gt;Puxou o guardanapo, tirou uma caneta do bolso e anotou. Entregou na mão dela, com os olhos fixos nos dela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bárbara empolgada, não resistiu:&lt;br /&gt;- Por que a gente não sai amanhã? É sexta, tenho mais tempo livre.&lt;br /&gt;- Pois é, não vai ser fácil assim de uma hora pra outra. Marquei de sair com uma amiga depois do curso, vamos na Lapa. Sábado talvez a gente saia de novo, não sei ainda. Mas domingo marquei de fazer uma trilha na Pedra bonita bem pela manhã e depois tenho que estudar porque tenho prova segunda logo de manhã. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Antes que Bárbara pudesse dizer qualquer coisa, Pedro se levantou com um polido e levemente distante “com licença”, pegou o celular no bolso e se afastou da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguiu ouvir nenhuma das palavras que Pedro trocou no telefone, mas sua postura dizia que tinha se esquecido de alguma coisa. Voltou correndo com o telefone ainda na orelha e, sem sentar na mesa, tapou o telefone com uma pressa estranha a um cara que tinha sido tão cordial até então e disse:&lt;br /&gt;- Linda, tenho que ir, depois a gente se fala!&lt;br /&gt;- Eu te ligo!&lt;br /&gt;- Beijo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro passa rapidamente pelo corredor do cinema e despede-se com um sinal para Zé. Começa a rir no telefone depois de sair.&lt;br /&gt;- Te falei, Thiago! Ela vai me ligar! Tá me devendo cinquentinha cara! Hahahahaha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e Receita: &lt;span style="font-size:180%;color:#999900;"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-5737614053811897641?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/5737614053811897641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=5737614053811897641' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5737614053811897641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5737614053811897641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/01/ars-amatoria.html' title='Ars Amatoria'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SXXuufKaMfI/AAAAAAAAAIU/DQGpwVQnlkU/s72-c/ars+amatoria' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8634228214148015700</id><published>2009-01-10T18:33:00.001-08:00</published><updated>2009-01-23T20:37:46.376-08:00</updated><title type='text'>O Caçador</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SWljlq9B1AI/AAAAAAAAAG8/Ckpj2q2vbdk/s1600-h/giselle.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 196px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SWljlq9B1AI/AAAAAAAAAG8/Ckpj2q2vbdk/s320/giselle.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289868736159929346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Úrsula caminhava tensa pela sala de estar. Ao desligar o telefone uma inquietação qualquer lhe percorria os ombros até a ponta dos dedos. O que poderia querer Vânia - aquela senhora enigmática amiga de sua mãe há anos - lhe ligando às onze e quarenta da noite de um sábado para marcar um encontro com um homem desconhecido na sua casa para dali a alguns minutos? Por que quis confirmar logo de saída se Wagner estava viajando nesse final de semana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeando pela sala viu seu reflexo num espelho estalando os dedos e percebeu que ficara o dia inteiro em casa arrumando papéis de Wagner, separando anotações e papeladas de notificações de condomínio, planejando ingredientes para um escondidinho de camarão no domingo caso ele voltasse a tempo pro jantar... seu cabelo secou preso, seu rosto não tinha qualquer maquiagem, correu ao banheiro antes que pudesse calcular a real dimensão emocional das linhas acinzentadas sob seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um banho rápido, um vestido prático sobre o corpo cansado, batom e um perfume leve. Decidiu deixar o cabelo secar solto dessa vez. Decidiu e, sem qualquer consciência, automaticamente arrumou o rabo-de-cavalo antes de atender à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vânia vinha como sempre, sorridente e esquiva. Escorregava o olhar dos olhos de Úrsula enquanto trazia ao seu lado um sexagenário de quase dois metros com um blazer grafite já fora de moda sobre uma camisa verde musgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi Úrsula, esse é o Dr. Ramiro Ruyz, veio de Granada especialmente para ver o seu caso.&lt;br /&gt;A mulher fitou a senhora com algo entre uma inquietação pela intromissão em sua vida e a curiosidade avassaladora diante daquela situação bizarra. Por alguns segundos pareceu ao Dr. e à senhora virem a batalha interna de Úrsula ser ganha, momentaneamente, pela curiosidade:&lt;br /&gt;- Como assim "meu caso"? Acho que eu deveria saber de qualquer "caso", certo? Acho que estou bem de saúde e admito que só recebia a senhora por consideração à amizade que sempre teve com minha mãe, mas dado o adiantado da hora gostaria que vocês fossem um pouco mais claros, se possível.&lt;br /&gt;Estranhou que o Dr. ficasse parado ao pé da porta como se uma parede invisível o impedisse de entrar. Talvez alguma inquietação em estar na casa de uma mulher casada na ausência do marido, algumas impressões ligeiras e simpatizantes passaram pela cabeça atabalhoada de Úrsula até que ela quase sem querer dissesse:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Entre, por favor. Fique à vontade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;br /&gt;Vânia assentiu com a cabeça, afundou as costas no sofá da sala e em alguns segundos o dividia com o estranho doutor.&lt;br /&gt;- Deixa essa polidez e distância pra depois, menina. Não temos muito tempo. Pompa e circunstância são luxos desnecessários. Gostaria que ouvisse com atenção ao Dr. Ramiro, sei que a situação pode lhe parecer estranha e... depois, se achar que deve, sairemos rápido pela mesma porta ali à direita e nunca mais te incomodarei com essas idéias. Pode ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Úrsula se recostou na poltrona expulsando o ar do peito em tom de consentimento.&lt;br /&gt;- Querem água, chá, biscoitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz pedregosa e grave do Dr. Ramiro quase explodiu ocupando cada milímetro da sala:&lt;br /&gt;- Creo que el tiempo para una taza de té es el tiempo necesario, gracias.&lt;br /&gt;Úrsula se levantou e foi até a cozinha. Deixou a água aquecendo no bule, pegou uma tigela, abriu um pacote de biscoitos que só comprava mesmo para o caso de visitas e voltou ansiosa para a sala. Sentou com pressa e encarou com curiosidade aquele senhor alto de voz grave e modos que só lembrava de haver visto antes em seu avô. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- E, na opinião do Sr...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Doutor, minha filha. Doutor. - Interrompe a “Tia” Vânia com as mãos esfregando os joelhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Sim, “Dr” Ramirez, certo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- No, Ramiro. – Disse o distinto senhor sem tirar os olhos da tigela de onde havia tirado já o segundo biscoito recheado. – Nossos idiomas são parecidos, mas como gostaria que se reportasse a mim no meu, caso eu estivesse no seu país, falarei com você no seu, uma vez que cá estou. Perdoe qualquer sotaque português, estudei &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Coimbra. V￭cios" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;em Coimbra. Vícios&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; de linguagem são os piores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Sem problemas, o senhor é doutor em quê, exatamente? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Dr. Ramiro encarou pela primeira vez nossa protagonista, seus olhos inspiraram uma espécie de vivacidade que superava sua idade e aspecto geral: - Psicoquiroptologia prática.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Como?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Psicoquiroptologia. Psico vem de psiqué, termo grego para....&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Desculpe, essa parte eu compreendi, mas o outro termo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Quiroptologia?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Isso. Quiroprático é uma espécie de massagista ou um especialista que cuida da coluna sem ser estritamente um médico, isso é o mais próximo que chego do termo que o Dr. disse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Se essa é sua preocupação, posso lhe assegurar que sou médico e formado. Mas minha área mesmo é essa cujo nome estranhastes. Quiróptero é o nome científico dos morcegos. Lembra-te dos pterodáctilos, cujas falanges dos dedos tinham membranas formando juntas que supunha-se que usavam como asas? Bem, os morcegos tem o mesmo fundamento em suas asas e “quiro” é o sufixo para “mãos”. Quiróptero seria “mãos com asas” ou algo do tipo. Enfim, vim aqui saber do seu marido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Úrsula agarrou o encosto da cadeira com a mão direita e tentou disfarçar chamando atenção com movimentos aleatórios com a esquerda enquanto tomava fôlego. Por algum motivo aquilo que obviamente não fazia sentido perfurava seu estômago, incomodava demais. Decidiu manter aquela “tia” maluca e seu amigo “Dr.” até descobrir porque tudo aquilo a incomodava tanto e logo na boca do estômago.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Desculpe, como?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Dr. Ramiro se encostou no sofá cruzando os dedos nas mãos sobre as pernas e fixando o olhar de maneira cordial embora levemente inquisidora para Úrsula. Passou a língua pelos lábios e depois de observar mais uma vez os biscoitos (algo dizia a Úrsula que ele observava através dos biscoitos, do prato, da mesinha de centro, talvez até do chão) disse:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Gostaria de tomar a liberdade de fazer-lhe três perguntas depois das quais a senhora me dirá se há razão para eu estar aqui ou não. Caso não haja obviamente irei embora imediatamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- O senhor já conseguiu isso antes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Sim, mas quero primeiro ter o seu consentimento para perguntar e quero que saiba que são apenas três perguntas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Tudo bem. O senhor já tem minha atenção, minha curiosidade... até meus biscoitos e o chá que daqui a pouco vou pegar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Ótimo. Foi a senhora que convidou seu marido a vir morar em sua casa quando se conheceram?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Sim, mas...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;O olhar do Dr. Ramiro se fixou no pescoço e depois na boca de Úrsula. Ela sentiu um impulso imediato de parar de falar e respondeu ao olhar do espanhol com um desafio levantando as pálpebras inferiores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Certo – disse o Dr. com as mãos no biscoito e os olhos nos olhos de Úrsula – Certo. A senhora pensa em ter filhos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;A anfitriã cruzou os braços como se um calafrio percorresse seu corpo ao ouvir aquela pergunta. Levantou-se e foi pegar o bule que já assobiava a algum tempo na cozinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Não estou entendendo onde suas perguntas querem chegar. – disse de costas para as visitas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Sra. Úrsula, por favor. São apenas três perguntas. Não vamos parar na segunda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Estou recebendo o senhor – e a voz veio chegando em passos densos sobre o assoalho de taco envernizado com o bule cheio de água fervente e umas xícaras quase dançantes sobre a bandeja de fórmica imitando madeira – por consideração à senhora do seu lado. Que tipo de pergunta é essa?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- O tipo de pergunta que me parece correta dada a irritação com que a senhora a recebeu. – Por alguns instantes um clima de apreensão rondou a sala e um adolescente irônico poderia ouvir os grilos na janela, mas não existiam adolescentes nessa cena, ou ironias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Qual a razão para essa pergunta? – Disse Úrsula sem deixar a bandeja ou o bule sobre a mesa de centro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Dr. Ramiro levantou-se do sofá rapidamente como se desse um bote sobre a mão da anfitriã e com olhos melífluos e nublados, tomou a bandeja e o bule e de um único movimento os colocou na mesa, dizendo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Dessa forma queimará os dedos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Tudo aquilo pareceu, à aterrorizada Úrsula - que só agora tomava consciência da altura e largura dos ombros daquele senhor – rápido, energético e limpo demais, como um movimento marcial treinado à exaustão e perfeição, algo totalmente surreal a um senhor daquela idade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Ainda em pé, Dr. Ramiro permaneceu fitando a mão direita de Úrsula. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Melhor colocar em água fria. Corrente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Mais um constrangedor silêncio invadiu a sala e “tia” Vânia levantou em direção à cozinha para em seguida voltar com um pano de prato envolto em pedras de gelo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Você estava se queimando, minha filha. Não percebeu?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Úrsula desprendeu os olhos dos do Dr. Ramiro, que já estava servindo os três chás de maçã com pitadas de canela, e olhou sua mão direita. Vermelha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Vejo que minha presença talvez lhe cause repulsa ou desagrado, mas vim a fazer três perguntas e me vejo forçado a fazer a terceira antes de ir-me embora. Ah, fique tranqüila, não sou eu quem cuida da resolução dos casos. Sou responsável pelo que a senhora chamaria de “medicina diagnóstica”. Bem, a senhora tem 27 anos, é casada há 5 e conhece seu marido há 7, tenho certeza de que conhece a família dele, cuja mãe quase não fala, provavelmente tem uma expressão facial inócua, vacilando, a maior parte do tempo entre parecer desmaiar ou chorar, coisas que os que estão ao redor já não se espantam de que não aconteçam, como se uma força qualquer a mantivesse erguida, eterna, para servir. Seu sogro é um homem falastrão, bonachão, sedutor e bom ouvinte, como seu marido. A irmã de seu marido, como suponho que exista, é uma moça quieta, soturna e de aparência decadente, aparenta ter dez anos a mais que ele, quando na verdade é o oposto que se verifica na certidão de nascimento. Desde que convidou seu marido a entrar nessa casa, há sete anos, cada vez menos seus projetos e sonhos foram comentados à mesa, na cama, pela manhã, antes ou depois do trabalho. Pelas teias de aranha próximas ao teto da entrada de sua casa posso imaginar que seu interesse pelo comportamento dos insetos aumentou na mesma medida em que desaparecia seu asco por eles até o ponto em que hoje é capaz de olhar fixamente para uma barata, aranha ou ratazana por alguns minutos e até mesmo tentar descobrir como esses seres sobrevivem e se reproduzem. Está projetando a ausência de sentido atual da sua vida na possibilidade de que haja algum sentido ou mesmo algum sentido infantil de harmonia na vida entomórfica. Vejo poeira uniforme na frente dos livros na estante, sinal de que não há manuseio dos livros. Seus estudos pararam, qualquer produção secou, seus devaneios noturnos, planos de carreira, tudo foi desfalecendo semana após semana, mês a mês, ano a ano até chegarmos ao dia de hoje em que provavelmente seu olhar tenso e crispado sobre mim diga que sei mais do que aparento, mas principalmente que sei mais do que deveria saber e, acima de tudo, que eu não deveria ter comentado o fato de que está pensando em desistir até mesmo de ser mãe. Certo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Dr. Ramiro deu um último gole no chá e colocou dois biscoitos no bolso do paletó ao se levantar e caminhar, lentamente, em direção à porta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Não há duvida. Seu marido é um grande quiróptero, um vampiro emocional, psíquico e físico. Acredito que esteja a poucas semanas, talvez alguns dias, de acabar com a sua vida. Não pense em assumir a posição de vítima; de tudo o que é dito sobre o folclore dessas criaturas, uma coisa é certa: Só entram quando convidados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Deixou um cartão de visitas negro sobre a mesa ao lado da porta:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Como disse antes, não sou eu quem cuida da resolução, eu faço apenas o diagnóstico. Sinta-se livre para decidir nos ligar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;“Tia” Vânia estava atônita. Com o afastamento do Dr. Ramiro em direção à porta foi-se aproximando aquela confusa sensação de que pouquíssimo sabia do tal “Dr.” além do fato de que se conheceram naquela tarde, num café literário, ou numa estufa de flores? Pelo menos tinha a certeza de que fora em Copacabana... ou seria Botafogo, talvez Jardim Botânico?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Em estado de choque, olhando através da xícara, através da bandeja, da mesa, do taco, do chão, penetrando o âmago escaldante da terra em busca de si mesma, Úrsula explodiu aquelas palavras embaçadas de lágrimas:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Como? Como você pode saber isso?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Antes que a porta se fechasse sobre as duas figuras atônitas, as palavras nítidas e distantes:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Ora, minha querida, os semelhantes se reconhecem...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman';"&gt;Conto e Receita:&lt;/span&gt; &lt;span style=" Times New Roman&amp;quot;; color: rgb(153, 153, 0);font-family:&amp;quot;;font-size:20pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(153, 153, 0);"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8634228214148015700?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8634228214148015700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8634228214148015700' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8634228214148015700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8634228214148015700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2009/01/o-caador.html' title='O Caçador'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SWljlq9B1AI/AAAAAAAAAG8/Ckpj2q2vbdk/s72-c/giselle.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-2734470800021750440</id><published>2008-12-21T10:53:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T08:21:35.927-08:00</updated><title type='text'>Um parágrafo de Lara</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SU-she0GskI/AAAAAAAAAGk/rzERO5PFm0U/s1600-h/praia+lara.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SU-she0GskI/AAAAAAAAAGk/rzERO5PFm0U/s320/praia+lara.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282630579136148034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Correra toda noite. Carro sem gasolina, deiado na estrada. Pés cansados pressionando a areia macia, panturrilha ardendo. Sorriso. Tinha saído do estado? Ainda havia praia e a panturrilha, ainda... Quisera dar uma lição a eles - Malditos carcereiros! - Sem saídas, sem viagens, sempre cedo em casa, antes das dez... - inferno! - Agora abria as asas e sorria na chuva, um riso louco, gargalhada ecoante entre as pedras, a areia. Roía as vísceras entre a garganta e o infinito. Nada poderia feri-la. Sem comida, sem abrigo, duvidava ter energia para voltar ao carro. Adiantaria de que? - Grandes merda! - queria estar sozinha. Não! Queria estar consigo. Seguir as suas regras, prestar contas a si mesma. Saborear a maresia, seu sorriso escorrendo, seguia o vento que lhe abraçava. Único abraço que precisara em toda a vida e só agora isso ficava claro. Tão óbvio, tão limpo. Sentou-se sobre uma rocha e chorou. Momentos antes de sentar, milésimos de segundo em que toda sua vida se passara diante de seus olhos, tal fosse, aquele simples "sentar na pedra", o último ato da vida. Talvez daquela vida. Chorou pelos erros, lamntou oportunidades perdidas. Crescera dez anos naquela pedra, naqueles segundos. Cabeça entre os joelho e a língua percorrendo a infinidade dos seus lábios, ciclos contínuos de prazer. Incapazes de proferir as palavras de que tanto necessitava. Incapaz de se sentir viva. Enfrentá-los. Mesmo ali. Mesmo só. Mesmo poesia sobre a praia dançando luxuosos salões em Camelot, mesmo ela, espírito tão selgvagem, tão arisco,  do mundo, mesmo ali, vazia. Consciente do vazio. Mesmo ali, inútil. Deveria enfrentá-los, talvez nem deixar que notem que estivera tão longe. Notariam sua falta, poderia ter dormido em casa de amigos. Fechou-se no amor, saudades de casa - Malditos carcereiros! - lembrou-se do amor, não quisera amar. Lidava com a ventania, seus pensamentos digladiavam alma, coração, entranhas, peito arfante, mil quilos entre os pulmões e seu espírito pesava sobre as roupas encharcadas. Chuva forte. De repente o riso, novo, mil infinitos mais intenso, pré-histórico, de um animal, quase rugido. Abriu os olhos, o dia raiava. Deu o primeiro passo de volta. Era mais forte que eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Para Lara com carinho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto e receita: &lt;span style="font-size: 20pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color: rgb(153, 153, 0);"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-2734470800021750440?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/2734470800021750440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=2734470800021750440' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/2734470800021750440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/2734470800021750440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2008/12/um-pargrafo-de-lara.html' title='Um parágrafo de Lara'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SU-she0GskI/AAAAAAAAAGk/rzERO5PFm0U/s72-c/praia+lara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-8721829326375108213</id><published>2008-12-18T10:00:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T08:22:54.531-08:00</updated><title type='text'>Sérgio &amp; Lúcia X Lúcia e Sérgio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SUqbm1c2X7I/AAAAAAAAAGA/N7cci4pcQpM/s1600-h/sergioelucia.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281204604530745266" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left; width: 320px; height: 247px;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SUqbm1c2X7I/AAAAAAAAAGA/N7cci4pcQpM/s320/sergioelucia.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sérgio &amp;amp; Lúcia&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Houve dias de balestra, um dardo atrás do outro e meia dúzia de fundas zunindo sobre a cabeça. Agora calmaria, agora sonho, agora espero. As intimidades, amenidades que se tornaram, vagavam cegas pelas entreabertas coxas dela. Não que se acostume de todo, meio insensatez frictícia ou a ritmia decorada da dança mórbida, até já sem palavras, esparsos gemidos e insatisfações talvez melhores que nada. A mesma fuga na culpa muda sobre o outro. O chapéu e os sapatos, já perto da porta, não quiseram entrar muito, esperavam mostrando o caminho de volta. Certos detalhamentos, quando muito evidentes, irritam - pensou. Pensou e caminhou rua afora. Não deixara nada, nenhum ato falho, nem lembranças, apenas uma leve sensação de hipersensibilidade peniana - "A vadia tinha a buceta travada!" - Atravessou a calçada cambaleante num sorriso de desbravador português sobre indefesa indiazinha. Sua casa ficava longe, Marta o esperava, com sua carne cheirosa, sua pele lisa e seu sorriso limpo - pasta de dente demais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lúcia e Sérgio&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Homem sério sobre o balcão, antebraço grosso, olhar perdido, rígido. Coxas grossas e um perfume caro - as palavras foram poucas antes da penetração. Depois, nenhuma. Violência e rispidez, mas ela queria. Ela desejava porque sabia que ele era assim, amava. Nunca se atrevera, mas amava. Deitou-se de bruços - na verdade queria conversar, parar por um instante que fosse, tornar aquilo tudo real. Foi levantada pela cintura - Por Deus, de novo não! - ele havia achado sua mina e começava a escavar seu ouro. Luzes apagadas. Nenhuma palavra. Hemorragia. Nenhuma percepção. Era hemofílica. Antes do sono um leve gemido, mordera tanto os lábios que o visco rubro lhe percorria o pescoço, descia pelo braço - sem tato, sensibilidade. Luzes apagadas. Nada visto. Morreu horas depois, sem dor, sem amor - amava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Receita e Conto: &lt;span style="font-size: 20pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color: rgb(153, 153, 0);"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-8721829326375108213?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/8721829326375108213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=8721829326375108213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8721829326375108213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/8721829326375108213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2008/12/srgio-lcia-x-lcia-e-srgio.html' title='Sérgio &amp; Lúcia X Lúcia e Sérgio'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SUqbm1c2X7I/AAAAAAAAAGA/N7cci4pcQpM/s72-c/sergioelucia.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-5380917001781312155</id><published>2008-12-18T08:13:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T08:23:48.980-08:00</updated><title type='text'>Manuscrito Íntimo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SUqHlJx9-qI/AAAAAAAAAFw/9q746B5RBYY/s1600-h/manuscrito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281182585395739298" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left; width: 127px; height: 101px;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SUqHlJx9-qI/AAAAAAAAAFw/9q746B5RBYY/s320/manuscrito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acreditam que pesam sobre meus ombros. Que esmagam minha traquéia. Essas carotidantes lembranças, certas pessoas jugulares. Uma amiga me ensinou que, se quisermos, as pessoas têm botões de "eject". Aprendo rápido. A filhadaputa ejetou, a F., a D., a P. todas ejetaram. Quero mais essa tristeza não; não essa. Quero tristeza vaga, diáfana, tristeza doce, leve e sábia. Você sabe. Já viu um sorriso desse pela rua, um senhor sentado num deck na Lagoa, lembra?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vinde a mim as criancices! Tô trocando as figurinhas agora mesmo, Deus: pode ficar com 'angústia', me vê minha 'tristeza leve'. Não é que a cruz não seja minha não, é que é inútil mesmo. quero meu carinho, meu amor e meu tempo. Tudo pra mim. Coloca aí na mochila. quero mais um tempo rindo de mim. Correr na orla é terapêutico. O ônibus está chegando. Preciso mostrar meu armário novo para os velhos demônios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Conto e Receita: &lt;span style="font-size: 20pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color: rgb(153, 153, 0);"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-5380917001781312155?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/5380917001781312155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=5380917001781312155' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5380917001781312155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/5380917001781312155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2008/12/manuscrito-ntimo.html' title='Manuscrito Íntimo'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SUqHlJx9-qI/AAAAAAAAAFw/9q746B5RBYY/s72-c/manuscrito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-7369766351904684854</id><published>2008-11-26T14:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T08:24:22.935-08:00</updated><title type='text'>Dois em uns</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SS72hbCMZ6I/AAAAAAAAAFg/yMTDSDW27xg/s1600-h/poirey02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273423267750504354" style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; width: 320px; cursor: pointer; height: 240px;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SS72hbCMZ6I/AAAAAAAAAFg/yMTDSDW27xg/s320/poirey02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sorriso e um suspiro. “Perfeito!!!” Pensou Olívia, sentindo uma leveza qualquer e indiscernível nas pontas dos dedos, um arrepio pela sola do pé esquerdo até a nuca que percorreu seu corpo pequeno como uma leve centelha elétrica e lhe deu uma graça felina para perto do corpo de Eduardo. Fechou seus olhos verdes e deixou uma linha labial se esgueirar entre as orelhas, criando duas lindas covinhas no solo das bochechas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria estar ali por horas, esquecer relatórios, endereços, compromissos. O entrelaçar úmido de suas coxas, já sem forças para qualquer outro movimento, era simplesmente perfeito! O cheiro fresco do shampoo de menta de Eduardo e a atmosfera de pêlos e pele simplesmente haviam catapultado Olívia para fora da Samsara, da roda das encarnações nesse mundo. Ela era o nirvana, ela era ele. Mais um longo suspiro e... Era tudo perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse o melhor momento para dorm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tava pensando...&lt;br /&gt;Um estremecimento qualquer interrompeu o fluxo de sensações dentro da cabeça da jovem.&lt;br /&gt;- Tava pensando na gente. Você nunca fala nada. Sabe.... durante.&lt;br /&gt;Silêncio total. Olívia simplesmente não acredita enquanto Eduardo puxa bruscamente o braço por trás de suas costas, apoiando-se sobre o cotovelo e empurrando um pouco seu rosto para ajeitar o braço. Pequenas insensibilidades que minaram o solo de nuvens do castelo de Olívia.&lt;br /&gt;- Não sei. Nunca sei se você está gostando, se eu deveria fazer diferente, mudar menos de posição, te pegar em outros lugares, puxar menos teu cabelo... demorar mais no comecinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olívia fecha os olhos, tenta recompor o fluxo, o nirvana. Concentra-se nas suas coxas, virilha. A mão de Eduardo passa por sua cabeça quase que embaralhando seu cabelo e idéias, como se faria com uma criança que precisa terminar a lição antes de dormir e diz: - Amor, tô falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase sem som a boca de Olívia se abre em tom de desaprovação.&lt;br /&gt;- Está perfeito. Não muda nada. – E suspira e vira de lado profundamente querendo parar as palavras dele agora já mais dentro que fora dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que parece, mas podemos melhorar, não acha? Li?&lt;br /&gt;Ela morde as paredes internas das bochechas quase como se travando quaisquer palavras que não pudessem sair àquele momento. Mas falha, elas fogem tão logo Olívia afasta seus dentes e, entre um aspirar profundo que precede o suspiro irritadiço, atingem em cheio o ar recheado de um silêncio tenso:&lt;br /&gt;- Eu sabia que isso ia acontecer...&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;Abrindo suas lindas órbitas verdes em direção àquela voz ininterrupta, Olívia dispara:&lt;br /&gt;- Tudo teu é complexo demais. Juro que estranhei que o sexo fosse tão bom e que depois você soubesse ficar quieto. Tava demorando mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas Li...&lt;br /&gt;- É sério, Du. Olha, é a terceira vez que estamos aqui na tua cama, se não fosse perfeito na primeira juro que simplesmente não atenderia teus telefonemas mais, inventaria uma desculpa, deixaria você perceber umas pistas. Mas não, apesar da tua cabeça, da tua necessidade de uma vida sem mistério, obscuridade charmosa que geralmente tanto me encanta... dessa tua necessidade de sempre deixar tudo tão claro que a graça se perde no caminho, apesar dessa sua transparência chata, tuas manias de explicar tudo, falar demais, nosso sexo é perfeito. Sempre foi. Por isso estou aqui agora, dormi aqui ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preciso saber o que acontece com você. Quero te entender.&lt;br /&gt;Olívia passou a mão na testa, desacreditando a ingenuidade quase infantil daquele homem de quase dois metros de altura.&lt;br /&gt;- Lindo – palavra que saiu irritantemente condescendente aos ouvidos dele -, presta bem atenção: Eu não quero ser entendida. Nem sei se quero ser amada como você pretende amar. Estamos ótimos como estamos. Não problematize as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem como você me escutar mesmo, não é?&lt;br /&gt;A mão que estava na testa agora fechou-se deslizando o antebraço delicado de Olívia para cima dos olhos. Apenas sua boca delicada, sem covinhas nem sorrisos, irritada e monossilábica:&lt;br /&gt;- Tem. Depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo levantou-se bruscamente da cama. Colocou cueca, calças, camisa. Maçãs do rosto vermelhas, dentes trincados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olívia escorregou o antebraço para olhá-lo com certo desdém e irritação.&lt;br /&gt;- Que foi agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertou com força a trava do relógio no pulso:&lt;br /&gt;- Nada. Vou sair. Pode deixar, não vou ficar falando, problematizando, explicando nem tentando entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao deslizar o antebraço para cima dos olhos de novo, Olívia deu um sorriso. Poderia ser alivio, ironia, desdém. Na realidade nem ela saberia a pulsação daquele sorriso, e não saber, para Olívia, era o conforto necessário à graça da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele sorriso, visto pela periferia do olhar tenso de Eduardo foi um soco no estômago.&lt;br /&gt;- Ta bom, chega! Não te entendo, não tô afim de ficar pensando nisso agora, não tô com saco pra agüentar tua ironia. Que merda de sorriso foi esse?&lt;br /&gt;O minimalismo de Olívia impediu que qualquer músculo de seu corpo além dos de sua boca participassem da resposta: - Você quer mesmo brigar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Quero te ver depois. Tô indo na rua esfriar a cabeça. Pensar direito na gente.&lt;br /&gt;- Engraçado você. Vai na rua esfriar a “cabeça”, precisa “entender” tudo, “pensar direito”. Pensei em te perguntar se te passou pela cabeça que não é pela cabeça que deveriam passar teus pensamentos agora, mas você não “entenderia” a pergunta.&lt;br /&gt;- Olha, vai se ferrar. Tô saindo da minha casa pra te deixar em paz, já vi que minha voz te irrita, que meu jeito é péssimo pra você, que você precisa viver esses mistérios sentimentais dos quais eu nunca vou participar.&lt;br /&gt;Olívia levantou de um pulo, seus olhos poderiam estar vermelhos do antebraço pesando, das lágrimas contidas, da raiva, do sono - Fica tranqüilo, “pensador”, eu deixo você sozinho aí no teu castelinho regrado e pensado. Quanto aos mistérios, te diria que são mais sensíveis que “sentimentais”, você não me deixou chegar a esse ponto, ainda. Nem vai. – Mergulhou o vestido sobre seus braços até abaixo do joelho e andou em direção à porta, esperando que Eduardo a seguisse, nu de palavras, e a abraçasse por horas, trouxesse o nirvana de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aproveita e leva o aquário!&lt;br /&gt;Um suspiro profundo desceu pela garganta até a boca do estômago de Olívia.&lt;br /&gt;- Não é um aquário porra, é um vaso! Tem uma planta aí.&lt;br /&gt;Marchou até ela com passos duros, a redoma de vidro entre as mãos.&lt;br /&gt;- Não é porque eu coloco uma rosa na privada que ela deixa de dar descarga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crash!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receita e Conto: &lt;span style="font-size: 20pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color: rgb(153, 153, 0);"&gt;®Ҝ&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fotografia: Caroline Poirey&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2004230565076747045-7369766351904684854?l=cafecomconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafecomconto.blogspot.com/feeds/7369766351904684854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2004230565076747045&amp;postID=7369766351904684854' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/7369766351904684854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2004230565076747045/posts/default/7369766351904684854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafecomconto.blogspot.com/2008/11/dois-em-uns.html' title='Dois em uns'/><author><name>Renato Kress  ®Ҝ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890289956530090856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-Ih8PhyuNCf0/TZU1YgMYReI/AAAAAAAAA18/aAhkhJfc2As/s220/logo-2-1-2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SS72hbCMZ6I/AAAAAAAAAFg/yMTDSDW27xg/s72-c/poirey02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2004230565076747045.post-7533698220626406999</id><published>2008-11-12T05:50:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T08:25:24.086-08:00</updated><title type='text'>Eu e Ela</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SRrgN90qk-I/AAAAAAAAAFI/2iRuygFyWgI/s1600-h/Est%C3%83%C2%A1tua+cemit%C3%83%C2%A9rio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267769244701594594" style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; width: 234px; cursor: pointer; height: 320px;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lXUvFnYhUWE/SRrgN90qk-I/AAAAAAAAAFI/2iRuygFyWgI/s320/Est%C3%A1tua+cemit%C3%A9rio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vem, hoje vamos passear.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Só nós dois, vó?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Só nós dois, amor.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Procurou como um louco o gravador que havia ganho semana passada de seu pai. Levava ele sempre no bolso. Pensava que tudo deveria ser gravado, repensado, escutado várias e várias vezes. No fundo amava aquele poder incrível de viver a vida várias vezes, escutar sempre com outros ouvidos a mesma e a mesma conversa. Era divertido.... Nada. Embaixo da cama, nas estantes, gavetas, mochila do colégio, afundou a mão dentro das roupas sujas no banheiro... nada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Apareceu na porta com as mãos no bolso, olhando pra baixo, chateado. Recebeu um afago da avó sorridente e desceram o elevador.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Onde vamos vó?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- É surpresa, lindo. Surpresa. – e a septuagenária de vestido florido piscou os olhos enrugados com ar de cumplicidade que calou o menino. Não deveria ser nada que ele não fosse gostar “Não lembro a última vez que a vovó saiu comigo...” &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Chegando na portaria, cumprimentaram seu Manoel e o menino não se conteve: “Vou sair com a minha avó!”. Antes que o porteiro pudesse esboçar qualquer reação, a grande revelação: “É segredo!”, disse com um piscar de olhos confidente.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Entraram num táxi que já os esperava à porta. “Bom dia Miguel, vamos?”, a intimidade da avó com o taxista – aliás pareciam ter a mesma idade – causou estranhamento no pequeno rapaz. Passando pela cidade, com os olhos atentos à vó e ao motorista, simplesmente teve um “clic”: Vovó não disse pro taxista onde iríamos!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Cutucou a vó com suspeita, como se fosse fazer uma confissão: &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vó... o moço sabe onde...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sabe! Já estamos quase lá, meu lindo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Apertou as mãos com certa desconfiança entre as pernas e a irritante sensação de impotência infantil parecia presa entre seus dentes. Pensava se não deveria tentar abrir a porta do carro e pular com a senhora pra fora. Suas mãos suavam e se esfregavam nos joelhos. Não entendia o que estava acontecendo ali e começou a suar olhando para os lados, aflito.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Nesse instante aquela mão leve de pele fina e delicada fez um carinho nas mãos apertadas do menino. Fingindo não entender o que ele sentia, ela sorriu: - Tudo bem meu amor, tem banheiro lá.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não vó, é que...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Chegamos. – disse em tom sério o taxista. Recebeu duas notas amassadas da mão da senhora e partiu. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Estavam em frente ao portão do cemitério da cidade. O garoto conhecia o lugar. Apertou forte a mão da avó, preso como uma âncora no chão, os joelhos totalmente extendidos, os ombros duros, suor pela nuca: - On-on-onde é que a gente vai, vó?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vamos arranjar um banheiro para você. – disse a senhora caminhando para dentro do cemitério.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ma-ma... eu não quero ir ao banheiro! – e soltou a mão da avó num puxão ficando parado no mesmo lugar. Tremia.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ótimo! Primeira coisa que você fez de certo hoje! Tomou uma decisão sua! Muito bem. Agora pode decidir se quer continuar essa conversa ou não lá dentro. – e caminhou a passos lentos e rígidos sem olhar para trás.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ainda fincado como uma rocha na calçada, o menino balbuciou qualquer coisa que fosse uma boa desculpa para não ficar ali sozinho: - Vamos ver o vovô? &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A voz já estava longe: - Talvez...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Correu como pôde atrás do vestido florido. Agarrou a mão da avó com força e só pensou em estar em qualquer lugar mais familiar: - Onde fica o banheiro, vó? &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois de ir à repartição dentro do cemitério e pegar as chaves do banheiro com um senhor com as sobrancelhas grossas de taturana que faziam uma sombra enorme e horrível sobre seus olhos e alcançavam as bochechas moles e chupadas que “deveriam morar numa das tumbas”, ele saiu refeito, com ar sério e tomando sua decisão: &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pronto vó, podemos ir embora agora!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A senhora riu do peito estufado do menino enquanto arrumava suas calças e soltou o desafio com um sorriso unilateral: - Achei que fosse mais corajoso!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Mas eu sou! É que eu tenho dever pra fazer pra amanhã. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Amanhã é sábado, meu anjo. – e pegou a mão do rapazote que ainda não acreditava que havia gasto a desculpa mais perfeita em seus onze anos justamente na pior hora. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Caminharam por uns três “quarteirões” – se é que se pode chamar assim as divisões internas de uma necrópole – e, para a grande surpresa, &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;vovó sentou-se num dos túmulos que não era tão baixo, de forma que suas perninhas com sapatinhos de salto baixo ficaram pendendo no ar. Convidou com o olhar a que o neto fizesse o mesmo, mas não ao lado dela, e sim na lápide em frente a ela.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vovô está aí? – disse apontando para onde a avó estava sentada. Ela apontou para a frente à direita e disse: - O seu avô está pra lá!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Girou o pescoço com uma jovialidade muito estranha a alguém com aquela idade e disse: &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Essa daqui é do... da senhora Ingrid Lima dos Anjos, e a sua meu bem?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele olhou para trás com um medo gigantesco, sentia como se fosse voltar a cabeça e não encontrar a avó, como se o dono daquela tumba não fosse gostar dele estar sentado ali: - Mário... Medeiros, vó.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Aquele virar de cabeça, perdendo e reencontrando por míseros segundos o olhar carinhoso da avó deu ao menino toda a confiança de que necessitava para estar ali. Sua avó não fugira, ninguém havia “pulado” nele da tumba, nada. Vovó continuava ali. Sorrindo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você já olhou seu cotovelo hoje?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Como é?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Seu cotovelo, já olhou?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Respondeu tentando olhar de perto, girando os braços: - Não, que tem ele?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não dá pra ver direito, amor. Estica seu braço e toca no seu cotovelo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele o fez. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tá. Que tem ele?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- A pele é mais grossa? Estica mais que as outras?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- É, estica sim. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Se eu te dissesse que essa pele que você tem no cotovelo é pele de dinossauro?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ah, vó, pára!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sério, dinossauro. – disse apontando para o braço do menino.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Em ar juvenil de autoridade: - Não tem como, vó.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Claro que tem, meu amor. Já ouviu falar que, na natureza – disse a avó pegando uma semente no bolso do vestido e depois apontando para as flores próximas àquele túmulo -, nada de perde, nada se cria, tudo se transforma?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Mas como pode a pele do dinossauro ter vindo parar no meu cotovelo?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ah, você está perdendo o sentido da conversa, amor... nada se perde, nada se cria, tudo se transforma! – e os olhinhos da senhora brilharam com uma luminosidade jovial que o menino nunca havia visto antes. Um arrepio lhe subiu pelas costelas até um tilintar frio na nuca. Não deveria ser nada, frio, um vento talvez.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- O que está escrito ali? Entre aquele anjo e a figura de Nossa Senhora? &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pra lá?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- U-hum, ali.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Re... reter.... revertere ad... locum tuum. – Não sei o que é vó.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&
